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Porto Alegre, quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

  • 08/08/2018
  • 22:42
  • Atualização: 22:46

EUA anunciam sanções à Rússia por uso de armas químicas

Porta-voz indicou bloqueios nas exportações de eletrônicos

Porta-voz indicou bloqueios nas exportações de eletrônicos  | Foto: Mandel Ngan / AFP / CP

Porta-voz indicou bloqueios nas exportações de eletrônicos | Foto: Mandel Ngan / AFP / CP

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  • AFP

Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira a intenção de impor novas sanções econômicas à Rússia, depois de responsabilizar Moscou pelo ataque com a neurotoxina Novitchok, ocorrido em março no Reino Unido.  O Departamento de Estado informou que as sanções são em resposta a uma tentativa de assassinar o cidadão do Reino Unido Serguei Skripal, ex-agente duplo russo, e sua filha, Yulia, em março. "O governo da Federação da Rússia usou armas químicas ou biológicas em violação à lei internacional", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, ao informar sobre a decisão em um comunicado.

As novas sanções vão entrar em vigor após um período de notificação do Congresso de 15 dias, disse Nauert. Um alto funcionário do departamento de Estado, que pediu para não ser identificado, revelou à imprensa que as sanções envolvem exportação de produtos tecnológicos, como aparelhos ou equipamentos eletrônicos, e poderão "custar centenas de milhões de dólares à economia russa".

A partir do momento em que entrarem em vigor, a Rússia terá 90 dias para declarar que deixou de utilizar armas químicas ou biológicas e se comprometer a não fazê-lo no futuro, permitindo inspeções. Caso as exigências não sejam cumpridas, uma segunda bateria de sanções "draconianas" seria adotada, podendo chegar à proibição de pousos de companhias russas nos aeroportos dos EUA e até na suspensão das relações diplomáticas bilaterais, revelou o alto funcionário.

O Kremlin foi notificado nesta quarta-feira da decisão. Em março, o Tesouro americano já tinha sancionado 19 cidadãos russos e cinco entidades por interferências nas eleições dos Estados Unidos em 2016, os atos mais duros contra Moscou desde que o presidente Donald Trump assumiu o cargo. Washington decidiu agir depois que a comunidade de Inteligência americana determinou que a Rússia tentou ajudar Trump a vencer as eleições presidenciais.

O anúncio de novas sanções reforçaria a afirmação de Trump de que o governo está adotando uma posição dura com relação a Moscou, apesar de ter denunciado a investigação do procurador especial Robert Mueller sobre a trama russa como uma "caça às bruxas", que deveria parar de imediato. Trump foi duramente criticado pelos opositores, mas também por membros de seu próprio partido pelo que foi considerada uma atitude muito complacente com relação a Moscou na cúpula com seu contraparte russo, Vladimir Putin, no mês passado, em Helsinque. Na coletiva de imprensa que se seguiu à reunião entre os dois, Trump pareceu negar as conclusões de sua própria agência de Inteligência sobre a interferência eleitoral de Moscou.

Skripal e sua filha foram envenenados no começo de março em Salisbury, sudoeste da Inglaterra, com o agente neurotóxico Novichok, uma tentativa de homicídio que o governo britânico atribuiu à Rússia, que por sua vez refuta categoricamente a acusação. O caso desatou uma grave crise diplomática entre russos e ocidentais, que deu lugar a expulsões cruzadas de diplomatas. Hospitalizados em estado crítico, Seguei e Yulia Skripal conseguiram sobreviver após várias semanas internados em tratamento intensivo. Ex-encarregado dos serviços de espionagem do Exército russo, Serguei Skripal foi condenado em 2006 por alta traição, acusado de vender informação aos serviços britânicos.

Depois de se beneficiar em 2010 de uma troca de espiões entre Moscou, Londres e Washington, decidiu se instalar na Inglaterra. Além dos Skripal, um casal de britânicos foi envenenado em 30 de junho após ter contato com Novichok contido em um frasco. A mulher, Dawn Sturgess, de 44 anos, morreu, mas seu companheiro, Charlie Rowley, sobreviveu.