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  • 18/08/2018
  • 08:02
  • Atualização: 09:42

Morre Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU e ganhador do Nobel da Paz

Africano estava internado em um hospital na Suíça

Annan foi um dos ganhadores do prêmio Nobel da Paz | Foto: Brendan Smialowski / AFP / CP

Annan foi um dos ganhadores do prêmio Nobel da Paz | Foto: Brendan Smialowski / AFP / CP

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  • AFP

O ex-secretário-geral da ONU e Prêmio Nobel da Paz Kofi Annan morreu aos 80 anos, informou neste sábado sua fundação com sede em Genebra. "Com imensa tristeza, a família Annan e a Fundação Kofi Annan anuncia que Kofi Annan, ex-secretário-geral das Nações Unidas e Prêmio Nobel da Paz, faleceu de forma pacífica neste sábado, 18 de agosto, depois de uma breve enfermidade", anunciou em um comunicado. Annan, de nacionalidade ganesa, foi secretário-geral da ONU de 1º de janeiro de 1997 a 31 de dezembro de 2006. "Sua esposa Nane e seus filhos Ama, Kojo e Nina estavam junto a ele em seus últimos dias" acrescenta o comunicado.

Segundo a agência suíça ATS, Annan morreu em um hospital da parte alemã da Suícia, país que escolheu para viver. Pouco depois do anúncio do falecimento, o atual secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, expressou sua tristeza pela morte de Annan, classificando-o de "força que guiava para o bem". Gana, seu país natal, decretou uma semana de luto nacional a partir de segunda-feira.

Annan foi o primeiro chefe da ONU orignário da África subsaariana. Dirigiu a ONU por dez anos e durante o difícil período da guerra do Iraque, mas seu chefia foi ofuscada por acusações de corrupção no chamado programa "petróleo por alimentos". No entanto, ao deixar o cargo, Annan foi considerado um dos dirigentes mais populares da ONU. Junto com a organização, Annan recebeu em 2001 o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços "em favor de um mundo mais organizado e mais pacífico". "Tentei situar o ser humano no centro de tudo: da prevenção dos conflitos ao desenvolvimento, passando pelos direitos humanos", afirmou ao aceitar o prêmio em Oslo.

Os anos mais sombrios

Salvo alguns anos como diretor do turismo de Gana, Annan dedicou 40 anos de sua vida às Nações Unidas. Foi o primeiro secretário-geral que procedia da mesma organização. Primeiro dirigiu os recursos humanos da ONU, depois o orçamento, antes de dirigir, a partir de 1993, a manutenção da paz e de ser promovido, quatro anos mais tarde, à direção da organização.

Quando dirigia o departamento de manutenção da paz, a ONU viveu dois de seus períodos mais sombrios: o genocídio ruandês e a guerra na Bósnia. Os Capacetes Azuis se retiraram em 1994 de Ruanda em pleno caos e violência étnica. E, um ano mais tarde, a ONU não conseguiu impedir que as forças sérvias matassem milhares de muçulmanos em Srebrenica, na Bósnia. Estes fracassos, escreveria Kofi Annan em sua autobiografia, "me confrontaram com o que ilria se converter em meu mais importante desafio como secretário-geral: fazer compreender a legitimidade e a necessidade de intervir em caso flagrante dos direitos humanos".

'Missão impossível'

Uma vez nomeado secretário-geral da ONU, Annan se adaptou rapidamente a seu novo papel, multiplicando as aparições na televisão ou frequentando jantares em Nova York, até converter-se no que alguns classificaram de "estrela do rock da diplomacia". Kofi Annan, nascido em abril de 1938 em Kumasi (Gana), deveu sua nomeação aos Estados Unidos, que impôs seu veto a um segunda mandato de seu predecessor, o egípcio Butros Butros-Ghali. Isso não o impediu de demonstrar independência ante as grandes potências. Dessa forma, irritou Washington ao classificar de ilegal a invasão do Iraque em 2003 porque esta operação não fora aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU.

Após concluir sua missão nas Nações Unidas, em fevereiro de 2012, foi escolhido pela ONU e pela Liga Árabe para realizar uma mediação na guerra da Síria, mas jogou a toalha cinco meses depois. Acusou então as grandes potências de manter divergências que tornaram sua mediação uma "missão impossível". Annan criou uma fundação dedicada ao desenvolvimento e à paz, e fez parte do grupo dos Elders (termo inglês que significa "os mais velhos" ou "sábios"), criado por Nélson Mandela para promover a paz e os direitos humanos.


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