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Porto Alegre, sexta-feira, 16 de Novembro de 2018

  • 18/08/2018
  • 08:27
  • Atualização: 09:58

Maduro multiplicará por 34 valor do salário mínimo na Venezuela

Valor estará vinculado ao valor da criptomoeda criada pelo governo para obter liquidez

Venezuela enfrenta escassez de alimentos e medicamentos além de alta variação inflacional | Foto: HO / Venezuelan Presidency / AFP / CP

Venezuela enfrenta escassez de alimentos e medicamentos além de alta variação inflacional | Foto: HO / Venezuelan Presidency / AFP / CP

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  • AFP

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta sexta-feira que multiplicará por 34 o valor do salário mínimo, como parte de seu programa de recuperação econômica. Maduro precisou que o mínimo ficará "ancorado" ao valor do petro, a criptomoeda criada pelo governo socialista para obter liquidez.

Cada petro, segundo o presidente, equivale a cerca de 60 dólares, com base no preço do barril do petróleo venezuelano. "Fixei o salário mínimo, as aposentadorias e a base dos salários para todas as faixas salariais do país em meio petro, 1.800 bolívares (da nova moeda que entrará em vigor na segunda-feira)", revelou Maduro em mensagem à Nação. Em bolívares de hoje, o salário mínimo passaria a 5,2 milhões (menos de um dólar no câmbio negro) para 180 milhões (cerca de 28 dólares).

Este reajuste, de 3.464%, será o quinto do ano. O salário mínimo, que não é suficiente para se comprar um quilo de carne, é dissolvido em um país onde a inflação anual deve atingir 1.000.000% em 2018, segundo o FMI. Apesar de prometer a adoção de um programa de "disciplina fiscal", Maduro disse que o Estado assumirá, por 90 dias, a "diferença" do aumento do salário mínimo para todas as "pequenas e médias indústrias do país", sem precisar como. 

"Temos que seguir para uma disciplina fiscal prussiana e eliminar definitivamente a emissão de dinheiro não orgânico e sustentar a emissão de dinheiro na produção de riqueza, de petróleo, de ouro, turismo", disse o presidente. Maduro também anunciou um aumento do IVA para os bens de luxo de 12% para 16%. À reconversão monetária, a segunda depois da realizada pelo ex-presidente Hugo Chávez (1999-2013) em 2008, que cortou três zeros do bolívar, também deve ser acompanhada por um aumento do preço da gasolina, subsidiada no país.

O governo manterá o subsídio para os que têm um carnê que dá acesso a benefícios sociais. Os demais consumidores pagarão a gasolina a "preços internacionais", segundo Maduro, que não deu detalhes. Os interessados deveriam cadastrar seus veículos até esta sexta-feira, o que gerou enormes filas nos pontos de registro. Segundo o presidente, até agora estão registradas 1.863.750 pessoas para receber a gasolina subsidiada. Maduro decretou feriado na segunda-feira para a adequação do novo sistema.

Os caixas eletrônicos - indispensáveis na Venezuela para qualquer transação diante da falta de dinheiro em espécie - serão suspensos por até 24 horas a partir das 18H00 local de domingo (22H00 GMT). A Venezuela enfrenta uma severa crise econômica, traduzida por inflação galopante e escassez de alimentos, gêneros de primeira necessidade e medicamentos.