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Porto Alegre, segunda-feira, 24 de Setembro de 2018

  • 20/08/2018
  • 14:35
  • Atualização: 14:43

Com 41 mil casos, Europa registra proliferação de sarampo, diz OMS

Em 2017, foram registrados 23 mil e, em 2016, 5,2 mil

No Brasil, nove milhões de crianças se vacinaram no final de semana passado | Foto: Alina Souza / CP memória

No Brasil, nove milhões de crianças se vacinaram no final de semana passado | Foto: Alina Souza / CP memória

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Mais de 41 mil crianças e adultos na Europa foram infectadas pelo sarampo apenas nos primeiros seis meses de 2018. Os dados foram apresentados nesta segunda-feira, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), alertando para o fato de que a nova taxa bate recordes no atual século e já supera todos os casos registrados anualmente na última década. De acordo com a entidade, 37 pessoas já morreram no continente europeu neste ano, 14 deles na Sérvia.

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Em 2017, o número de casos registrados de sarampo havia atingido 23 mil e, em 2016, foram apenas 5,2 mil as pessoas infectadas. Agora, a OMS alerta para a proliferação da doença. Sete países, entre eles a Itália, França e Grécia, chegaram a registrar mais de mil casos. Mas o salto no número de pessoas infectadas ocorreu principalmente por conta da Ucrânia.

Nos seis primeiros meses do ano, a doença atingiu 23 mil pessoas país. Vivendo ainda um conflito armado no leste do país e em crise, a Ucrânia registrou uma queda em suas campanhas de vacinação. "Depois de uma década de queda no número de casos, estamos vendo um aumento dramático de infecções e na dimensão dos surtos", declarou Zsuzsanna Jakab, diretora-regional da OMS para a Europa. "Apelamos a todos os países para implementem medidas imediatas para parar a proliferação da doença", disse.

Os dados revelam que, em 2017, 43 dos 53 países da Europa tinham conseguido parar a proliferação endêmica do sarampo; 42 deles conseguiram barrar a rubéola. Apesar disso, a OMS está preocupada com a falta de monitoramento e uma cobertura de vacinação baixa em alguns países. Em locais que conseguiram acabar com o surto nos últimos anos, a prevalência da doença e sua transmissão por mais de doze meses voltou a estabelecer o sarampo como "endêmico".

"Isso mostra que cada pessoa que não esteja imunizada continua vulnerável, seja onde viva, e todos os países precisam pressionar para que a cobertura de vacinação seja elevada", defendeu Nedret Emiroglu, diretor de Emergências da OMS na Europa.

Altamente contagioso, o sarampo é considerado na OMS como uma das prioridades para a próxima década. "Para evitar surtos, a cobertura de imunização precisa atingir 95% das pessoas, com duas doses por ano", estima a agência de Saúde. O problema, segundo a OMS, é que certas regiões da Europa continuam com uma cobertura abaixo de 70%.

"Podemos frear essa doença. Mas não conseguiremos enquanto todos não fizerem suas partes", disse Jakab. Brasil enfrenta surtos de sarampo Após o sarampo ser considerado erradicado no Brasil em 2016, o País hoje enfrenta dois surtos da doença, segundo boletim divulgado na semana passada pelo Ministério da Saúde: no Amazonas (910 casos confirmados, com duas mortes) e em Roraima (296 casos e quatro mortes).

Há casos isolados em São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio, Rondônia, Pará e Pernambuco. O Brasil chegou ao Dia D da campanha de vacinação contra pólio e sarampo, que ocorreu no fim de semana passado, com cerca de 9 milhões de crianças ainda precisando ser imunizadas. De acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde, somente 16% do público-alvo já recebeu uma dose das vacinas.