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Porto Alegre, segunda-feira, 24 de Setembro de 2018

  • 28/08/2018
  • 07:57
  • Atualização: 08:09

Ministro francês da Ecologia anuncia demissão

Ativista do ambiente, Nicolas Hulot disse que sua presença não fazia diferença frente às políticas ecológicas

Ministro foi um dos principais trunfos do presidente Emmanuel Macron após eleição | Foto: Fred Tanneau / AFP / CP

Ministro foi um dos principais trunfos do presidente Emmanuel Macron após eleição | Foto: Fred Tanneau / AFP / CP

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  • AFP

Diante da falta de avanços suficientes na área do meio ambiente, o popular ministro francês da Transição Ecológica, Nicolas Hulot, anunciou nesta terça-feira de modo surpreendente sua demissão, um duro golpe para o presidente Emmanuel Macron, que perde uma das "estrelas" de seu gabinete. "Tomo a decisão de deixar o governo", declarou Nicolas Hulot, uma das figuras políticas mais apreciadas do país, à rádio France Inter. Ele disse que sentia estar "muito sozinho" nos temas de meio ambiente no Executivo. "Vou tomar a decisão mais difícil da minha vida, não quero mentir para mim, não quero dar a ilusão de que minha presença no governo significa que estamos à altura do desafio", completou o ex-produtor e ex-apresentador do programa de TV Ushuaia.

Muito popular, Hulot é um ativista do meio ambiente há três décadas. "Vamos dando pequenos passos e a França faz muito mais que outros países, mas os pequenos passos são suficientes? A resposta é não", completou. Hulot, 63 anos, foi um dos principais trunfos do presidente Emmanuel Macron após a eleição de maio de 2017, o que despertou muitas esperanças para a questão ambiental. Cortejado durante muito tempo por políticos, o ativista de caráter reservado, que resistiu durante muito tempo a assumir cargos em governos anteriores, já havia alertado que se daria prazo de um ano para avaliar sua utilidade no governo.

O anúncio de sua saída acontece em um momento delicado para Macron, cuja popularidade está em queda pouco mais de um ano depois de chegar ao poder, de acordo com as pesquisas. Hulot disse que tomou a decisão na segunda-feira à noite e que não avisou o presidente Macron nem o primeiro-ministro Édouard Philippe. "Eu sei que não é muito protocolar", admitiu. Hulot acredita que eles tentariam convencê-lo a permanecer no governo. "Durante estes 14 meses, o primeiro-ministro e o presidente da República foram extremamente afetuosos, leais e de uma fidelidade a toda prova", disse Hulot.

Apesar disso, o governo não conseguiu priorizar as questões ambientais que ele defendia, de acordo com o ministro demissionário. O porta-voz do governo, Benjamin Griveaux, lamentou a saída e elogiou o trabalho de Nicolas Hulot. Ao mesmo tempo, também criticou a "falta de "cortesia" do ex-ministro. Uma fonte do Palácio do Eliseu disse à AFP que Hulot pode estar "orgulhoso de seu balanço" e que o governo manterá o mesmo nível de ambição na área do meio ambiente.

Também citou uma reforma ministerial, mas não de modo imediato. Apesar de algumas vitórias durante seu período no governo, como o abandono do projeto de construção de um aeroporto na cidade de Notre-Dame-des-Landes (oeste da França), Hulot também sofreu derrotas, particularmente nos temas vinculados à energia nuclear, ou o glifosato. A última desilusão aconteceu na segunda-feira, quando o governo anunciou que o preço da permissão para caça seria reduzido à metade. Ele citou a medida para ilustrar a "presença de lobbies nos círculos de poder".

Hulot, que descartou a possibilidade de disputar a última eleição presidencial, quando as pesquisas apontavam um índice de 10% das intenções de voto, anunciou que suas ambições políticas "acabaram".