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  • 29/08/2018
  • 08:03
  • Atualização: 08:13

Mianmar rejeita relatório da ONU sobre crimes contra rohingyas

Missão investigativa da instituição destacou que comandantes do exército devem ser julgados pelo genocídio

Mianmar rejeita relatório da ONU sobre crimes contra rohingyas | Foto: Thet Aung / AFP / CP

Mianmar rejeita relatório da ONU sobre crimes contra rohingyas | Foto: Thet Aung / AFP / CP

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  • AFP

Mianmar rejeita as conclusões dos investigadores das Nações Unidas que acusaram o Exército birmanês de "genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra" contra os muçulmanos rohingyas, declarou um porta-voz do governo. "Não autorizamos à MEF (Missão de Estabelecimento dos Fatos da ONU) à entrar em Myanmar, e por isto não aceitamos qualquer resolução do Conselho de Direitos Humanos", disse o porta-voz Zaw Htay, segundo o jornal birmanês Global New Light of Myanmar.

O porta-voz destacou a criação de uma "comissão de investigação independente" por parte de Mianmar para responder às "falsas acusações das agências da ONU". O relatório dos investigadores da ONU pede ao Conselho de Segurança que envie a situação de Mianmar à Corte Penal Internacional de Haia, ou que se crie um Tribunal Penal Internacional especial, como foi feito para a antiga Iugoslávia. A missão de investigação concluiu que os "principais generais, incluindo o comandante supremo, Min Aung Hlaing, devem ser investigados e julgados pelo genocídio no norte do estado de Rakhine".

Os crimes citados incluem assassinato, desaparecimento forçado, tortura e violência sexual "perpetrados em grande escala". Vários países, incluindo Estados Unidos, fizeram um apelo nesta terça-feira para que estes líderes militares de

Mianmar sejam levados à Justiça internacional. "Os fatos da limpeza étnica dos rohingyas devem ser contados e escutados", disse Nikki Haley, embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas. Mas Haley e outros embaixadores se abstiveram de usar a palavra "genocídio", citada em um relatório apoiado pela ONU e publicado na segunda-feira.

Outros membros do Conselho de Segurança se uniram ao apelo para que o caso seja levado a um tribunal internacional, incluindo Reino Unido, França, Kuwait, Holanda e Suécia. O grupo também pediu um mecanismo para "recolher e preservar provas" dos crimes. Mas China e Rússia - com poder de veto no Conselho - já declararam que preferem o "diálogo" com a liderança de Mianmar para resolver o conflito.

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Ao menos 700 mil rohingyas fugiram do norte do estado de Rakhine para Bangladesh após o governo birmanês lançar uma brutal repressão, em agosto do ano passado, contra rebeldes, em meio a relatos de incêndios, assassinatos e estupros praticados por soldados e máfias deste país majoritariamente budista. O governo civil da vencedora do Nobel da Paz Aung San Suu Kyi permanece firme, desde 2017, na defesa dos militares, uma força política poderosa com a qual a ex-dissidente tenta trabalhar desde que chegou ao poder, em 2016.