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  • 11/02/2018
  • 12:51
  • Atualização: 13:02

Reuters corrige matéria com declaração de Segovia sobre inquérito contra Temer

Agência de notícias reeditou texto, trocando verbo "afirmar" por "indicar" ao qualificar declarações do diretor da PF

Segovia negou ter dito que iria arquivar o inquérito | Foto: José Cruz / Agência Brasil / CP

Segovia negou ter dito que iria arquivar o inquérito | Foto: José Cruz / Agência Brasil / CP

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A agência de notícias Reuters reeditou a matéria da entrevista exclusiva com o diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia. O texto original, publicado na noite de sexta-feira, dizia que Segovia tinha afirmado que a tendência era de arquivamento pela PF da investigação envolvendo o presidente Michel Temer sobre o Decreto dos Portos.

Na alteração do conteúdo, a Reuters trocou o verbo "afirmar" por "indicar" ao qualificar as declarações de Segovia. No início do texto reeditado, a agência faz a seguinte ressalva aos leitores: "Esclarece que Segovia disse que até o momento não há indício de crime no caso, indicando, em vez de afirmando, que a tendência é que a PF arquive o caso".

A matéria teve grande repercussão e levou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso a intimar Segovia, na manhã de sábado, para prestar esclarecimentos. "Tendo em vista que tal conduta, se confirmada, é manifestamente imprópria e pode, em tese, caracterizar infração administrativa e até mesmo penal, determino a intimação do Senhor Diretor da Polícia Federal, delegado Fernando Segovia, para que confirme as declarações que foram publicadas, preste os esclarecimentos que lhe pareçam próprios e se abstenha de novas manifestações a respeito", diz o despacho de Barroso.

Também ontem, entidades de classe se manifestaram, por meio de nota à imprensa, sobre as declarações de Segovia. A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) disse que nenhum dirigente deve se manifestar sobre investigações em andamento. A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) afirmou que é "sempre temerário que a direção-geral emita opiniões pessoais sobre investigações nas quais não está diretamente envolvida". Já o presidente da OAB Nacional, Claudio Lamachia, afirmou não ser "apropriado" que o diretor-geral da PF "dê opiniões a respeito de investigações em curso".

Em nota divulgada ontem, Segovia negou ter dito que iria arquivar o inquérito. "Afirmo que em momento algum disse à imprensa que o inquérito será arquivado. Afirmei inclusive que o inquérito é conduzido pela equipe de policiais do GInqE com toda autonomia e isenção, sem interferência da Direção Geral", garantiu o diretor-geral da PF, por meio de nota, informando que só irá responder aos questionamentos do ministro Barroso, do STF, na quarta-feira.