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  • 07/12/2016
  • 07:12
  • Atualização: 09:20

Cárcere termina e mulher é libertada após 17 horas em Charqueadas

Depois de longa negociação com BM, criminoso se rendeu durante a madrugada

Depois de longa negociação com BM, criminoso se rendeu durante a madrugada  | Foto: Mauro Schaefer

Depois de longa negociação com BM, criminoso se rendeu durante a madrugada | Foto: Mauro Schaefer

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  • Marco Aurélio Ruas

Durou quase 17 horas o cárcere privado ocorrido no bairro Santo Antônio em Charqueadas, na região Carbonífera. Por volta das 3h55min desta quarta-feira, a refém Rita Ramos, de 35 anos, foi libertada e o sequestrador, de 31 anos, se rendeu. O desfecho se deu após uma longa negociação e a utilização de diversas técnicas, pela Brigada Militar (BM), para provocar a desistência do criminoso. Em estado de choque, a refém precisou ser encaminha ao hospital de Charqueadas. O sequestrador se entregou no interior da casa e depois foi apresentado na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento de São Jerônimo. 

Com 46 anos de cadeia para cumprir por crimes como homicídio, tráfico de drogas e estupro, o detento do semiaberto prometeu se entregar em pelo menos três oportunidades: às 15h, 18h e 21h. Entretanto, em todas as vezes acabou desistindo e manteve a dona da casa refém. A filha da refém, uma criança de seis anos, foi libertada por volta das 15h40min. “Os três negociadores notaram que ele deu uma quebrada de gelo na negociação. Eles notaram que o delinquente, naquele momento, se fragilizou, e fizeram uma proposta pra ele: tu me dá a criança e eu te dou três cigarros, três palitos de fósforo e meia garrafa de água. Não foi o delinquente que fez a proposta, foi nós que fizemos a proposta”, disse o comandante regional da região Centro-Sul do Estado, coronel Paulo Ricardo Quadros, sobre a troca que resultou na liberação da criança. 

Depois da terceira vez em que o criminoso descumpriu a promessa de entregar a refém, a Brigada Militar mudou o tom da negociação, passando a se utilizar de técnicas para desestimular o criminoso, que ocorreram até o momento da rendição. “Nós cortamos o cigarro e a água. Nós acendemos e apagamos a luz pra mostrar para ele que nós tínhamos esse poder. Os bombeiros voluntários ligavam e desligavam o gerador. São técnicas de ocorrência com refém, de gestão de ocorrência de crise que faz parte. Nós íamos ligar sirene de viatura. Eu ia estourar uma granada de luz e som, pra ele não dormir. Pra ele cansar. Nós sabíamos que no meio da madrugada ele ia se entregar”, relatou o comandante.

Trincheira montada para evitar invasão de policiais 

Com o criminoso foram encontradas uma faca e um estilete. Os policiais trabalhavam com a hipótese do sequestrador estar com uma arma de fogo, devido ao testemunho da mãe e da filha da refém, que disseram ter visto um revólver. Na entrada da casa, o foragido montou uma trincheira, na porta da casa, utilizando um botijão de gás e alguns móveis, como forma de evitar uma possível invasão dos policiais. Durante a ocorrência, a BM chegou a estudar a cogitar a possibilidade de uso de armamento não letal contra o agressor, como teaser ou balas de borracha. Entretanto, por conta do difícil acesso ao interior da casa, essas possibilidades foram descartadas. “Graças a Deus. Agora é com a Justiça”, desabafou o marido da refém ao término da ocorrência.

Motivação não ficou esclarecida

Durante o desenrolar do cárcere privado no bairro Santo Antônio, em Charqueadas, o detento não esclareceu qual era a sua motivação. Por um lado, ele alegou que estaria devendo R$ 30 mil para integrantes de uma facção que atua na Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), de onde estava foragido, e exigiu transferência para outra unidade prisional. Por outro lado, o criminoso estava com dois celulares e, em um deles, mantinha contato frequente com uma pessoa não identificada.

A partir desse contato, a BM passou a cogitar a possibilidade de que o cárcere privado poderia ser uma distração para que outro crime fosse realizado na região. “Estávamos desconfiados de que ele estaria fazendo alguma coisa em paralelo com alguém pra alguma lançada (crime). Só que a lançada melou”, afirmou o responsável pelo operação, coronel Paulo Ricardo Quadros. Segundo ele, o policiamento urbano foi reforçado durante todo o dia, além da disponibilidade de duas equipes táticas na região. “Fizemos um alerta pra toda a nossa região. Toda a BR 116 e 290. Alertamos os diretores das onze casas prisionais da região. Todas as escoltas foram monitoradas”, exemplificou.

Entre as possibilidades levantadas pela BM estavam o roubo a caixa eletrônico, carro forte, transporte de drogas e armamento, resgate de preso e até o sequestro de um empresário ou a morte da companheira de algum detento, levando em consideração que a terça-feira é dia de visita em algumas casas prisionais. “Já teve o sequestro de uma mulher de preso que apareceu morta em Porto Alegre”, justificou Quadros.