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  • 18/12/2017
  • 18:01
  • Atualização: 18:06

Fundatec diz que não há previsão de anular questões de concurso da BM

Empresa emitiu nota alegando que questões para prova foram formuladas conforme conteúdo previsto em edital

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  • Jéssica Moraes/Rádio Guaíba

A Fundação universidade Empresa de Tecnologia e Ciências (Fundatec), empresa que elaborou as provas do concurso da Brigada Militar aplicado nesse domingo, informou que não há previsão, até o momento, de que sejam anuladas questões polêmicas da prova.

Por meio da assessoria de imprensa, a empresa participou de uma reunião com o comando da Brigada Militar para tratar do assunto e, após o encontro, emitiu uma nota informando que as questões foram formuladas conforme o conteúdo programático previsto no Edital de Abertura. Em relação à prova de Conhecimentos Gerais, a Fundatec sustentou que as questões foram definidas a partir de tópicos atuais de diversas áreas.

Além disso, a empresa considerou que “as questões abordaram assuntos de amplo conhecimento, que circulam na imprensa de forma incessante, e que são temas da atualidade, com extrema relevância social, importantes à história do País e do Rio Grande do Sul, local onde o candidato aprovado exercerá a função. O que se espera de um aspirante a um cargo público para o estado do Rio Grande do Sul é que conheça esses temas.”

A assessoria da Brigada Militar informou que os contatos devem ser feitos com a Fundatec, e que, pela corporação, o assunto é considerado encerrado.

O concurso da Brigada Militar, que prevê preencher 4,55 mil vagas de soldado, teve mais de 42 mil inscritos e abstenção de 11,8%.

Questões com cunho político-ideológico

Na manhã de hoje, a Brigada Militar cogitou pedir a anulação de ao menos três questões do concurso público para vagas de soldado de Polícia Ostensiva. As perguntas, de acordo com o comandante-geral da BM, coronel Andreis Dal’Lago, tiveram cunho político-ideológico, violando, em tese, o princípio da impessoalidade.

“Cita pessoas e autoridades públicas que estão no cargo ou estavam em cargo público muito recentemente. Além de questões do governo federal, com um viés, no nosso entendimento, ideológico e político, sim, que não é o nosso objetivo porque um concurso público tem o objetivo principal de instrução e nivelamento dos que desejam entrar na corporação. Por isso, ela é eliminatória”, explicou.

Uma das questões pedia que os candidatos respondam quem era o secretário de Segurança Pública que, em 2017, anunciou a “abertura de 6,1 mil novas vagas para reforçar a segurança” do Governo do Estado. O texto ainda citou que a medida foi tomada para “reduzir o déficit de pessoal nos órgãos pertencentes à segurança pública”. A resposta certa é a alternativa “E”, onde aparece o nome de Cezar Schirmer. As demais opções são Airton Michels, Wantuir Jacini, José Paulo Cairoli e José Ivo Sartori.

As outras duas perguntas do concurso contestadas, segundo Dal’Lago, são uma que enaltece as reformas realizadas pelo atual presidente, Michel Temer (PMDB), e outra que trata um latrocínio como marco na segurança pública do Rio Grande do Sul.

O presidente da Fundatec, Carlos Henrique Castro, entendeu que as questões possuem resposta e estão amparadas no conteúdo definido pelo edital. “Pode não ser a melhor questão, mas está dentro do conteúdo programático”, disse. Castro defendeu ainda que a banca é composta por profissionais de nível superior, mas não soube dizer por quantas pessoas passou a produção e a análise da prova.

Nota da Fundatec na íntegra

"A Fundatec – Fundação universidade Empresa de Tecnologia e Ciências, com quase 45 anos de existência, sempre atua com imparcialidade, respeitando os princípios de isonomia, ética, impessoalidade, Legalidade, Moralidade e Publicidade. Possui a ISO 9001, que certifica todos os procedimentos adotados, executora de diversos concursos públicos do país, com aplicação de provas em mais de 500 concursos e processos seletivos, nas esferas públicas e privadas, sendo apartidária e impessoal.

Informamos que todas as questões elaboradas para a prova do Concurso da Brigada Militar foram formuladas conforme conteúdo programático previsto no Edital de Abertura e sem nenhuma participação do Governo do Estado e, especificamente da Brigada Militar, respeitando todos os princípios de segurança e sigilo, sendo a Fundação responsável pela formulação das provas, tendo como Bancas contratadas especialistas em suas áreas correspondentes, que seguem o padrão de excelência e passam por avaliações criteriosas.

Em relação à Prova de Conhecimentos Gerais, os conteúdos estão definidos sobre tópicos atuais de diversas áreas, tais como segurança, transportes, política, economia, sociedade, educação, saúde, cultura, tecnologia, desenvolvimento sustentável e ecologia e atualidades nacionais, estaduais ou locais, tendo como referências jornais, revistas, rádio e televisão. As questões abordaram assuntos de amplo conhecimento, que circulam na imprensa de forma incessante, e que são temas da atualidade, com extrema relevância social, importantes à história do País e do Estado do Rio Grande do Sul, local onde o candidato aprovado exercerá a função. O que se espera de um aspirante a um cargo público para o estado do Rio Grande do Sul é que conheça esses temas.

Em nenhum momento houve a intenção da Fundatec e da banca em polemizar sobre os temas, apenas abordar sobre o contexto social atual, programa este previsto em Edital, sendo involuntário e não perceptivo até sua repercussão, sobre a forma textual construída.

O concurso foi executado para mais de 42 mil candidatos, em 21 locais de prova e ocorreu com tranquilidade. A abstenção foi de 11,80% e o certame seguirá dentro da normalidade, conforme procedimentos estabelecidos no cronograma divulgado no Edital de Abertura."