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Porto Alegre, terça-feira, 14 de Agosto de 2018

  • 15/05/2018
  • 09:14
  • Atualização: 09:41

PF prende delator da Lava Jato em operação envolvendo tráfico internacional de drogas

Operador financeiro retornou ao crime mesmo após ter firmado colaboração premiada

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A Polícia Federal (PF) desencadeou, nesta terça-feira, a operação Efeito Dominó em combate ao tráfico internacional de drogas. Cerca de 90 policiais cumpriram 18 mandados de busca e apreensão, cinco mandados de prisão preventiva e três mandados de prisão temporária no Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e São Paulo.

Durante a investigação, a Polícia Federal identificou uma complexa e organizada estrutura de lavagem de dinheiro do tráfico internacional. Segundo a PF, o sistema funcionava devido à necessidade de dois grupos: os traficantes e dos doleiros. Os operadores precisavam de grande volume de dinheiro em espécia para pagar propinas, já os traficantes internacionais tinham os recursos em moeda nacional e precisavam de dólares para efetuar as transações internacionais com fornecedores de cocaína.

A apuração apontou a atuação direta de dois operadores financeiros – um deles investigado na operação Lava Jato e outro na Farol da Colina, duas ações da Polícia Federal. Mesmo após ter firmado acordo de colaboração premiada, o doleiro – que já foi alvo da Lava Jato e não teve nome revelado pela PF – retornou às atividades ilegais. A delação dele chegou a ser homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A PF afirma que a Procuradoria-Geral da República e Supremo Tribunal Federal serão comunicados sobre a prisão do réu colaborador para avaliação quanto a “quebra” do acordo firmado. Os operadores financeiras foram detidos e serão encaminhados à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, no Paraná, onde permanecerão à disposição da Justiça Federal.

A ação desta fase tem o objetivo de reunir informações complementares da prática dos crimes de lavagem de dinheiro, contra o Sistema Financeiro Nacional, organização criminosa e associação para o tráfico internacional de entorpecentes. A ação é um desdobramento da Operação Spectrum, desencadeada ano passado. Na ocasião, a PF combateu a estrutura de tráfico internacional comandada por um homem conhecido como “Cabeça Branca” - um dos maiores traficantes de entorpecentes da América do Sul com conexões em dezenas de países.

A denominação Efeito Dominó é uma alusão ao fato de existir um efeito em cascata no tráfico internacional de drogas. Devido a grande quantidade de dinheiro, os traficantes precisam de uma forte estrutura para lavar dinheiro e, para isso, precisam da ajuda de doleiros.