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Porto Alegre, sábado, 17 de Novembro de 2018

  • 26/06/2018
  • 13:55
  • Atualização: 14:15

Quadrilha adotou linha industrial de produção para desmanche de carros

Peças de veículos de luxo eram organizadas em kits e vendidas para 15 estados

Quadrilha roubava carros de luxo e depois desmanchava | Foto: Polícia Civil / Divulgação / CP

Quadrilha roubava carros de luxo e depois desmanchava | Foto: Polícia Civil / Divulgação / CP

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A quadrilha especializada em roubos de veículos e que lucrava até R$ 800 mil por mês adotou um “sofisticado mecanismo de crimes”, de acordo com o delegado Adriano Nonemacher. A organização criminosa, com tarefas pré-definidas entre seus membros, roubava os veículos, a maioria de luxo, e deixava-os “esfriando” sobretudo em ruas da cidade e até garagens da área central da Capital. Depois, os carros roubados eram levados para sete pavilhões na região Metropolitana, onde acabavam desmanchados em uma verdadeira “linha industrial de produção”, com mecânicos, clonadores, maquinário e ferramentas caras. Com as peças dos carros, eles formavam kits e vendiam de forma variada para 15 estados.

Com o dinheiro adquirido na comercialização, eles criaram diversas empresas – como lojas e revendas automotivas – para lavar dinheiro. “Com o dinheiro ilícito adquiriam dezenas de veículos para as frotas dessas próprias empresas”, revelou. Com o tempo, os seguros desses carros, após intenso uso, eram contratados. A quadrilha cometia então 18 tipos de estelionato, incluindo falsos roubos, furtos e acidentes, sendo lesadas as seguradoras. Locadoras de veículos também tiveram prejuízos com as mesmas fraudes, sendo os carros delas desmanchados.

Nem estacionamentos, shoppings e supermercados escaparam, pois os bandidos simulavam roubos e furtos de carros no interior dos mesmos para obterem indenizações que podiam chegar até R$ 100 mil. Os criminosos tinham ainda táxis e carros de aplicativos. O bloqueio judicial de mais imóveis e carros de luxo, além de novas prisões, podem ocorrer a partir de agora com o aprofundamento da investigação. Há suspeita de envolvimento até de centros de desmanches veiculares e centros de registros de veículos automotores no esquema. Os policiais civis apuraram que os membros da quadrilha e “laranjas” recebiam até premiações conforme o lucro resultante.

Titular da Divisão de Inteligência Policial e Análise Criminal do Deic, o delegado Gustavo Bermudes observou que foi “uma complexa e qualificada investigação” para atingir o braço financeiro da quadrilha. Segundo ele, os dois líderes usufruíam do dinheiro ilícito mediante carros de luxo, viagens, festas e imóveis de alto padrão em vários lugares. “Identificou-se pessoas jurídicas e físicas para a movimentação de valores”, frisou. “Um dos líderes movimentou em seis meses R$ 1,7 milhão em uma das contas bancárias. A esposa do outro líder movimentou R$ 900 mil no período de seis em sua conta bancária”, acrescentou.

O secretário estadual da Segurança Pública, Cezar Schirmer, parabenizou a Polícia Civil pelo sucesso da operação. “É um duro golpe nessa organização criminosa”, afirmou. Já o Chefe de Polícia Civil, delegado Emerson Wendt, destacou a importância da descapitalização de um grupo criminoso organizado, prevendo uma queda nos índices de roubos de veículos.