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Porto Alegre, terça-feira, 13 de Novembro de 2018

  • 04/09/2018
  • 11:20
  • Atualização: 11:37

Câmara analisará pedido de federalização do caso Marielle Franco

Pedido foi feito devido às investigações que não avançaram de "modo significativo" pela Polícia Civil do Rio de Janeiro

Investigação do caso Marielle já chega a 174 dias | Foto: Renan Olaz / Rio de Janeiro Municipal Chamber / AFP / CP

Investigação do caso Marielle já chega a 174 dias | Foto: Renan Olaz / Rio de Janeiro Municipal Chamber / AFP / CP

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  • Agência Brasil

A Comissão Externa da Câmara dos Deputados que acompanha as investigações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Pedro Gomes, deve analisar e votar nesta terça-feira um requerimento para que o Parlamento acione a Procuradoria-Geral da República (PGR) a fim de que esta solicite ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a transferência das investigações do crime para a alçada federal.

O pedido de deslocamento de competência do inquérito instaurado pela Justiça do Rio de Janeiro, ou seja, de federalização do caso, foi apresentado pela deputada Maria do Rosário (PT-RS). Para a parlamentar, após 174 dias as investigações ainda não avançaram “de modo significativo”.

Em seu pedido, a deputada também disse que como há suspeitas de participação de políticos e agentes do Estado no crime, “torna-se necessário federalizar as investigações para identificar os mandantes e os executores do crime, bem como seus motivos”.

Na última sexta-feira , a arquiteta Mônica Benício, viúva da vereadora Marielle Franco, confirmou que vinha discutindo com pessoas próximas a conveniência de o caso ser federalizado. “Esse silêncio é angustiante. Eu vinha manifestando confiar no trabalho da Polícia Civil do Rio de Janeiro, mas, agora, já estamos estudando pedir a federalização da apuração”, disse Mônica, acrescentando sentir-se constrangida com a demora das autoridades em identificar e punir os envolvidos no assassinato, ocorrido em 14 de março deste ano.

No mesmo dia, o Ministério dos Direitos Humanos anunciou a inclusão de Mônica Benício no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos. Representantes do Ministério Público do Rio de Janeiro e da Polícia Civil já minimizaram a necessidade de a Polícia Federal assumir as investigações.

Em agosto, o subprocurador-geral de Administração do Ministério Público do Rio de Janeiro, Eduardo Lima Neto, e o diretor da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, delegado Fábio Cardoso, informaram que os investigadores têm contado com o apoio de equipes federais desde o início da investigação. “Estamos tendo apoio da inteligência, da parte técnica pericial, de outros órgãos, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e das forças militares. Desde o início até esse momento não estamos com nenhuma carência de questão técnica ou de inteligência na apuração desse caso”, disse o delegado.

“O MP não se opõe à participação de todas as forças de segurança e de inteligência para a elucidação desse caso. É importante, é cobrado no Brasil e no exterior. O que ficou dito é que de fato já existe a colaboração da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal nesse caso”, acrescentou o subprocurador-geral.

A segurança pública do Rio de Janeiro está sob intervenção federal desde fevereiro deste ano. Além de votar o pedido de federalização, os membros da Comissão Externa parlamentar vão discutir o encontro do grupo com o Ministério Público do Rio de Janeiro e delegados da Polícia Civil fluminense.

Durante a reunião, ocorrida em agosto, os participantes trataram do andamento da apuração e o vazamento de informações sobre as investigações, entre outros temas.