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  • 10/01/2019
  • 11:29
  • Atualização: 11:47

João de Deus e a mulher são indiciados por posse ilegal de armas

Médium está preso desde 16 de dezembro após denúncias de abuso

Polícia Civil achou armas irregulares em endereços ligados a João de Deus | Foto: Ernesto Rodrigues / Estadão Conteúdo / CP

Polícia Civil achou armas irregulares em endereços ligados a João de Deus | Foto: Ernesto Rodrigues / Estadão Conteúdo / CP

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  • R7

João de Deus e a mulher dele, Ana Keyla Teixeira, foram indiciados por posse ilegal de armas na manhã desta quinta-feira. A informação foi divulgada pela delegada Karla Fernandes durante coletiva de imprensa da Polícia Federal.

• Médium João de Deus vira réu por crimes sexuais

"Hoje, podemos considerar que a força-tarefa da Polícia Civil encerrou todos os seus procedimentos, porque já foram indicados em dois (casos de) posse ilegal de arma. Tanto o João Teixeira como a esposa dele, Ana Keyla, uma vez que ambos moram nas mesmas residências, tanto de Abadiânia, como Anápolis. Nas duas cidades, houve apreensão de armas de fogo", afirmou a delegada.

A delegada ainda informou que João de Deus foi indiciado mais uma vez por abuso sexual nesta quinta.

"Também estamos encaminhando um hoje dele sendo indiciado por fato ocorrido em 2016, em que a vítima representou na data correta, e reside em São Paulo. Esse inquérito já tinha sido instaurado em agosto do ano passado e está sendo também enviado com indiciamento", declarou.

"Os outros três que estavam também em andamento estão sendo relatados sugerindo arquivamento, uma vez que tem extinção de punibilidade. Ou seja, todos os procedimentos em andamento na Polícia Civil, até o presente momento, estão sendo encaminhados ao Poder Judiciário tanto de Abadiânia quanto de Anápolis", completou.

O médium está preso no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.

Entenda o caso

João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, é acusado por diversas mulheres de abuso sexual durante os atendimentos espirituais na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, interior de Goiás.

O Ministério Público denunciou o médium em 28 de dezembro por quatro crimes: dois por violação sexual mediante fraude e dois por estupro de vulnerável.

Durante as buscas nas casas de João de Deus, foram encontradas armas, esmeraldas e malas de dinheiros. A Justiça de Goiás concedeu habeas corpus pelo porte ilegal de arma. O médium, no entanto, continua preso por ser investigado pelos crimes de estupro, estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude. Para esses crimes, o habeas corpus foi negado.

O MP recebeu mais de 600 e-mails com denúncias contra o médium. As mulheres que denunciaram João de Deus têm idade entre 9 e 67 anos.

Até o momento, a Polícia Civil colheu depoimentos de 16 mulheres. O Ministério Público, porém, já ouviu mais de 100. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 50 milhões das contas do médium.

No último dia 2, João de Deus passou mal e foi levado às pressas para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). No dia seguinte teve alta e voltou para o Núcleo de Custódia, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia (GO), onde está preso.

O advogado criminalista Alberto Toron, que representa João de Deus, nega as acusações de abuso sexual contra o médium.

Na segunda-feira, as denúncias contra o médium voltaram a ser analisadas pelo TJ-GO (Tribunal de Justiça de Goiás).