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  • 19/11/2016
  • 13:55
  • Atualização: 13:57

Senadores gaúchos querem atitude de Temer após denúncias de Calero contra Geddel

Ana Amélia demonstrou preocupação com as votações das PECs do governo

Ana Amélia, Paim e Lasier pediram providências ao presidente Michel Temer | Foto: Montagem de fotos de Pedro Franca e Geraldo Magella / Agência Senado / Divulgação / CP memória

Ana Amélia, Paim e Lasier pediram providências ao presidente Michel Temer | Foto: Montagem de fotos de Pedro Franca e Geraldo Magella / Agência Senado / Divulgação / CP memória

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  • Gabriel Jacobsen / Rádio Guaíba

Com tons mais brandos ou mais agudos, os três senadores gaúchos cobraram alguma atitude do presidente Michel Temer (PMDB) a respeito das denúncias que apareceram neste sábado contra o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB). Neste sábado, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o ex-ministro da Cultura de Temer, Marcelo Calero, acusou o atual ministro de governo de realizar pressão em torno da produção de um parecer técnico falso para favorecer os interesses pessoais de Geddel.

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O senador gaúcho Lasier Martins (PDT) defendeu que o presidente Temer precisa tomar alguma atitude, lembrando que trata-se da quinta saída de ministros do atual governo envolvendo denúncias. ”Já são cinco ministros que caem nesse governo. Achei lamentável. A ser procedente a atitude de Geddel, eu acho que o presidente deveria tomar uma atitude também. Isso vindo a público é muito grave. Resta ver agora que explicação o Geddel vai dar. É muito sério. É como disse o ministro que sai: ‘eu não concordo com maracutaia’”, disse Lasier.

A senadora Ana Amélia Lemos (PP), com discurso mais moderado sobre o assunto, demonstra preocupação com a influência das denúncias para a tramitação de projetos polêmicos, como a Proposta de Emenda à Constituição 55, a chamada PEC do teto de gastos. ”O governo está perdendo para si mesmo. Penso que é uma atitude condenável, crítica do ponto de vista ético, e é preciso que o presidente tenha autoridade para colocar isso… O governo está errando muito em matéria de comunicação. Eu só espero que esses problemas todos não venham a contaminar a votação de matérias importantes que estamos precisando votar no Congresso”, disse.

Tanto a senadora Ana Amélia, quanto o senador Lasier, se dizem independentes em relação ao governo Temer, afastando os rótulos de governo e oposição. O partido de Ana Amélia integra a base de Temer, enquanto o de Lasier mantém oposição ao atual presidente.

O senador Paulo Paim (PT) destacou o fato de a denúncia contra o ministro partir de um integrante do governo Temer e não da oposição. “A denúncia é da maior gravidade. Lamentavelmente nesse governo não há uma semana em que não saia uma denúncia gravíssima contra esse ou aquele ministro. E agora mais uma vez uma denúncia contra Geddel vindo de dentro do governo. Não é a oposição que está falando. Por isso que eu venho defendendo há muito tempo que o melhor para o país é fazermos eleições diretas”, disse o petista.

Na entrevista, o ex-ministro da Cultura fala que Geddel o procurou pelo menos cinco vezes pedindo a aprovação, pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), órgão subordinado ao Ministério da Cultura, do projeto imobiliário La Vue Ladeira da Barra, localizado nos arredores de uma área tombada em Salvador, base eleitoral de Geddel. Segundo o ex-ministro da Cultura, Geddel disse em pelo menos duas conversas possuir um apartamento no empreendimento que dependia de autorização do Iphan para sair do papel.

Questionado pela Folha, o ex-ministro da Cultura afirmou que denunciou a pressão de Geddel por medo de integrantes do governo Temer construírem uma narrativa maculando a imagem dele. ”Eu queria sair do governo de maneira tranquila, mas meu temor era que começassem a construir narrativas a respeito da minha saída para macular minha imagem. Quando recebo a ligação da Folha para checar uma informação contra mim, percebi que havia um processo de fritura. Estou fora da lógica desses caras, não sou político profissional. Não tenho rabo preso. Não estou aqui para fazer maracutaia. Nós precisamos ter a coragem de dizer: “Daqui eu não passo”. Vou voltar a ser um diplomata de carreira que passou em quinto lugar num concurso, estudando e trabalhando ao mesmo tempo. Se for para fazer errado, vou embora”, disse Calero à Folha.

Segundo Calero, houve pressão inclusive para o Ministério da Cultura enviar a questão acerca do empreendimento imobiliário para análise da Advocacia-Geral da União (AGU), onde supostamente Geddel previa conseguir resolver o caso. ”Pessoas que estavam tão pressionadas quanto eu. Eu comecei a sofrer pressões para enviar o caso para a AGU. A informação que eu tive foi que a AGU construiria um argumento de que não poderia haver decisão administrativa [do Iphan]. Isso significa que o empreendimento seguiria com o parecer do Iphan da Bahia, que liberava a obra”, disse o ex-ministro à Folha.

O escolhido para o lugar de Calero foi o deputado Roberto Freire (PPS-SP).

Resposta de Geddel

No início da tarde deste sábado, em entrevista à Folha, Geddel admitiu que tratou com Calero sobre o projeto imobiliário na Bahia, mas negou que o tenha pressionado. Na entrevista, Geddel relata que, no ano passado, firmou uma promessa de compra e venda de uma unidade no condomínio e que, justamente por ter conhecimento do impasse imobiliário, tinha legitimidade para levar a questão ao então ministro da Cultura.