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  • 15/12/2017
  • 19:28
  • Atualização: 19:37

Garotinho faz greve de fome e se diz vítima de "injustiça"

Ex-governador do Rio está preso no Bangu 8 desde o fim de novembro

Ex-governador do Rio Anthony Garotinho  | Foto: Ricardo Borges / Folhapress / CP Memória

Ex-governador do Rio Anthony Garotinho | Foto: Ricardo Borges / Folhapress / CP Memória

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  • O Globo

O ex-governador do Rio Anthony Garotinho escreveu uma carta à direção do presídio Bangu 8, onde está detido desde o fim de novembro, na qual anuncia que está em greve de fome - a segunda em sua vida política.

Na carta, Garotinho diz que é vítima de uma "injustiça" e que, por isso, está cometendo este "ato extremo". Ele afirma ainda que está preso por uma retaliação às acusações que fez contra o ex-governador Sérgio Cabral e pede para não ter mais o direito ao banho de sol, tampouco receber visitas de advogados e familiares.

Em 2006, o ex-governador usou o mesmo recurso, depois de uma série de reportagens do Globo sobre

irregularidades nos recursos que usava na sua pré-campanha à Presidência da República. A série mostrou que

ONGs que prestavam serviços ao governo de sua mulher, Rosinha Garotinho, tinham sócios em comum com

doadoras de sua pré-campanha pelo PMDB.

Garotinho então fez greve de fome, alegando ser alvo de uma "campanha sórdida" da mídia, do sistema

financeiro e do governo do então presidente Lula contra suas pretensões eleitorais. O refúgio do ex-governador foi

uma sala da sede do PMDB, no Centro do Rio, com porta de vidro, que permitiu à imprensa acompanhar o

protesto. Foram 11 dias no local, com direito a cenas de choro e orações por parte da família. Garotinho garantiu

que não comeu nada. Mas repórteres encontraram registros de restos de alimentos.

O ex-governador foi preso sob a acusação de comandar uma organização criminosa que arrecadava recursos

ilícitos para campanhas eleitorais dele próprio e de aliados. Um delator revelou ter sido orientado a fechar um

contrato de fachada com a JBS para repassar o dinheiro ao caixa dois da campanha de Garotinho ao governo do

Rio em 2014. O grupo é acusado pelo Ministério Público de ter um "braço armado", um policial civil aposentado,

que também foi preso, que era o responsável por intimidar os doadores e recolher a verba.