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Porto Alegre, quarta-feira, 21 de Novembro de 2018

  • 25/08/2017
  • 08:58
  • Atualização: 14:10

"Temer nunca teve credibilidade para fazer as reformas", diz Álvaro Dias

Em Porto Alegre, pré-candidato à presidência criticou proposta de privatização da Eletrobras

Pré-candidato do Podemos à presidência da República está em Porto Alegre | Foto: Lia de Paula / Agência Senado / CP Memória

Pré-candidato do Podemos à presidência da República está em Porto Alegre | Foto: Lia de Paula / Agência Senado / CP Memória

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  • Flávia Bemfica

Em Porto Alegre desde a noite de quinta-feira para encontros com lideranças políticas, mobilização para novas filiações e palestras a empresários, o senador paranaense Álvaro Dias, pré-candidato do Podemos à presidência da República, fez nesta sexta uma série de críticas à possibilidade de privatização da Eletrobras anunciada pelo governo de Michel Temer, e disse que o presidente não tem credibilidade para fazer as reformas anunciadas.

“Há um ambiente favorável às privatizações no país porque existe a exata noção do rombo praticado por políticos em empresas estatais, mas isso não significa que o patrimônio público estratégico deva ser leiloado na bacia das almas. Eu me refiro especialmente à Eletrobras. O setor energético diz respeito ao processo industrial, ao comércio, a moradia das pessoas, há a preocupação com o custo da energia, se você não tiver um referencial para tarifas, elas se tornam exorbitantes. Há setores estratégicos que precisam ser preservados. Eu considero especialmente saneamento básico e energia de modo geral”, afirmou o senador.

Questionado sobre o fato de o Paraná, em conjunto com outros 17 estados, ter aderido ao programa de privatização do saneamento que o BNDES promove, o senador disparou. “Não condeno a competição entre empresas privadas operando em um setor, mas preservando as empresas públicas competentes, até como referência e parâmetro para fixação de tarifas. No Paraná a Sanepar sempre foi considerada modelo para a América Latina. O Estado aderiu porque quem está lá vende até a mãe. Depois não entrega, mas vende”, afirmou, em clara referência ao governo do tucano Beto Richa.

Dias, que iniciou sua trajetória política nos anos 60, se filiou ao Podemos neste ano, após ter sido do PMDB, do PP, do PDT e do PSDB, além de fazer uma rápida passagem pelo PV. Segundo ele, o país espera por reformas, que elenca: reforma política, do sistema federativo, tributária e da previdência. Mas considera um equívoco a forma como o governo Temer as promove, assinala que o peemedebista não tem credibilidade para fazê-las e destaca que o momento não é oportuno em função do nervosismo político, da contaminação do Congresso e do Executivo. “Qualquer projeto de mudança em profundidade exige como pressuposto básico a credibilidade. E o presidente nunca a teve. Quando assumiu, levou com ele seu entorno contaminado, revelando os fatos estarrecedores que hoje todos conhecemos. É impossível qualquer indício de credibilidade nesse ambiente. Esse governo é incapaz de fazer a leitura correta das prioridades da população. Se tivesse sido eleito, certamente seria diferente. O fato de ter assumido em um processo atípico também descredencia.”

Sobre a reforma política em discussão na Câmara dos Deputados, o senador se diz favorável ao sistema distrital misto, e declara que, como passagem ao distrital misto, o distritão até pode ser admitido, mas faz uma ressalva. “Acho válido discutir voto proporcional ou distritão, desde que o distritão não seja o pretexto para o fundo eleitoral. O problema é que o distritão ganhou força na Câmara como viabilização do fundo eleitoral. Não teremos uma reforma, mas sim um arranjo na legislação eleitoral que possa beneficiar provavelmente os que já são parlamentares. Essa discussão de fundo eleitoral é muito triste, ela deveria ser abandonada.”

Apesar de a viagem ao RS ser de articulação política, o senador afirma que o Podemos não pensa, por enquanto, em lançar candidatura própria ao Palácio Piratini. “Acho que será uma eleição atípica, na qual o eleitor não vai valorizar as estruturas partidárias, mas sim o conceito e o conteúdo das propostas e o itinerário político dos postulantes. Não estamos preocupados em encontrar candidatos majoritários nos estados a qualquer preço, porque acreditamos que a eleição pode vir a se parecer muito com a de 1989, aquela em que o Collor venceu.”

A agenda pública do senador nesta sexta-feira começa com uma coletiva de imprensa na Associação Comercial de Porto Alegre onde, na sequência, ele palestra a empresários sobre o momento atual e as eleições de 2018. À noite, fala na Faculdade Imed. O sábado será dedicado a encontros políticos que começam com um café da manhã com o ex-senador peemedebista Pedro Simon.

Governo nunca teve a intenção de privatizar a Sanepar, diz presidente da estatal

Em resposta às afirmações de Dias, o presidente da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Mounir Chaowiche, afirmou que o senador “está desinformado”, pois o governo nunca teve a intenção de privatizar a estatal. “Quando o BNDES convocou as companhias (no segundo semestre do ano passado), não era para privatização, era um processo para se tratar de investimentos. Sempre fizemos questão de destacar que nosso interesse era no estudo de PPPs (Parcerias Público-Privadas), e não a privatização. Para outras companhias, a privatização poderia até ser interessante, mas não para nós”, explicou.

O presidente ainda acrescentou que existe uma lei estadual que determina que o governo deve deter pelo menos 60% do capital votante da empresa, que atualmente é 100% gerida pelo Estado. “É lamentável que o senador, que inclusive participou da chapa do governador, tenha usado informações inverídicas. Poderia ter nos consultado”, acrescentou Chaowiche.

Ele ainda disse que, após os estudos de PPPs, o governo decidiu, no início deste ano, descartar a possibilidade. “Nos disponibilizamos a conhecer e a avaliar PPPs, mas não identificamos nenhuma interessante para a Sanepar. Atendemos atualmente 100% da população com água tratada e 70% com a coleta e o tratamento de esgoto, não há obras estruturais que justifiquem uma PPP”, afirmou.