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Porto Alegre, domingo, 18 de Novembro de 2018

  • 09/04/2018
  • 09:12
  • Atualização: 10:03

Hungria concede mais quatro anos de mandato a Viktor Orban

Primeiro-ministro húngaro obteve 48,8% dos votos

Primeiro-ministro húngaro obteve 48,8% dos votos | Foto: Attila Kisbenedek / AFP / CP

Primeiro-ministro húngaro obteve 48,8% dos votos | Foto: Attila Kisbenedek / AFP / CP

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  • AFP

O dirigente nacionalista Viktor Orban obteve uma contundente vitória nas eleições legislativas na Hungria e exercerá um terceiro mandato para continuar com sua centralização de poderes e com seu confronto com a União Europeia. O êxito do dirigente mais controvertido da Europa não deixou lugar para as dúvidas. Segundo resultados quase definitivos, o partido Aliança dos Jovens Democratas (Fidesz), que ele fundou em 1988, obteve 48,8% dos votos, melhorando os resultados obtidos há quatro anos. A vantagem foi de quase 30 pontos sobre o movimento da extrema-direita Jobbik, que abandonou a retórica xenófoba ante as aspirações nacionalistas do governo.

Com uma crescente participação dos eleitores (69,2%), o primeiro-ministro obterá 133 das 199 cadeiras no parlamento húngaro, o que significa uma grande maioria de dois terços, como aconteceu em 2010 e 2014. A mobilização dos eleitores foi recorde e algumas zonas eleitorais permaneceram abertas até três horas depois do previsto. "É uma vitória histórica que nos oferece a possibilidade de continuar nos defendendo e defendendo a Hungria", declarou o vencedor de 54 anos ante uma multidão de simpatizantes reunidos às margens do Danúbio e vestidos de laranja, a cor de seu partido.

Admirado pelas direitas populistas europeias e criticado pelos que o acusam de deriva autoritária, o primeiro-ministro húngaro, quer tornar "irreversíveis" as transformações que impulsou desde seu retorno ao poder, em 2010, após um primeiro mandato de 1998 a 2002. Admirador do presidente russo Vladimir Putin e defensor da "democracia iliberal" - como foi chamada nos últimos anos esta mistura de culto ao homem, exaltação nacionalista e limitação de certas liberdades em nome do interesse nacional -, Orban exerce há oito anos um estilo de governo com controle crescente sobre a economia, os meios de comunicação e a justiça.

Defensor autoproclamado de uma "Europa cristã", Orban também se destacou por uma retórica xenófoba e por uma campanha contra o investidor americano George Soros, que acusou de orquestrar uma imigração maciça na Europa. O porta-voz do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, informou que Orban será felicitado por sua "clara vitória", enfatizando que o "dever" de todos os países de respeitar os valores do bloco. "A Comissão deseja trabalhar com o novo governo da Hungria nos muitos desafios conjuntos que enfrentaremos nos próximos meses", completou o porta-voz.

Ataques

A esquerda e a formação de ultradireita Jobbik esperavam se beneficiar do cansaço de uma parte dos eleitores ante os discursos de ódio de Orban. A oposição fez campanha denunciando o clientelismo, a decadência dos serviços públicos e um poder aquisitivo insuficiente que levou um grande número de húngaros a emigrar. O Jobbik, principal partido da oposição, não conseguiu melhorar seus resultados de quatro anos atrás, e teve que se contentar com 19,8% dos votos.

Seu líder, Gabor Vona, que não conseguiu se impôr em sua circunscrição, denunciou neste domingo à noite as "mentiras" e "ataques contínuos" contra seu partido, e anunciou que apresentará sua renúncia ao comando da formação. A lista de esquerda MSZP-P obteve 12,4% dos votos, e a formação ambientalista LMP, 6,9%. "É um maremoto para o Fidesz, que dá a Orban uma enorme legitimidade devido à alta taxa de participação, também no plano internacional", declarou à AFP o cientista político Daniel Hegedus, que prevê um reforço "dos ataques à facção crítica da sociedade civil".

As reformas realizadas por Orban prejudicam o Estado de direito e implicaram em um retrocesso dos valores democráticos, criticam a oposição e um grande número de observadores internacionais. O líder húngaro também multiplicou os atritos com a União Europeia, em particular sobre a questão da imigração, apesar de seu país ser um dos principais beneficiários dos fundos europeus. O resultado oficial definitivo será divulgado no meio da semana, quando se terá em conta os milhares de votos dos eleitores no exterior.

Guerra contra imigração

As pesquisas apontam uma vantagem de 20 a 30 pontos para o seu partido, o nacional-conservador Fidesz. Mas a oposição sonha em capitalizar o cansaço de parte dos eleitores ante as diatribes de Viktor Orban contra el bilionário Georges Soros e a "ameaça" migratória, as obsessões de sua campanha. O entorno de Orban foi alvo de acusações de corrupção, o que permitiu ao partido de extrema-direira Jobbik, superado pela retórica cada vez mais nacionalista do governo, apresentar-se como o partido com as "mãos limpas".

Em fevereiro, o partido de Orban foi derrotado em uma eleição parcial municipal, quando a oposição se uniu ao redor de um candidato único. Mas a nível nacional esta aliança é inconcebível, situação que mantém as portas do poder abertas a Viktor Orban, de 54 anos, que assumiu o conceito de "iliberalismo", uma forma de governar que restringe certas liberdades em nome do interesse nacional. Neste aspecto, Orban multiplicou as divergências com a União Europeia (UE).

Em 2015, liderou o grupo de países contrário à recepção de refugiados no continente por meio de um sistema de cotas. Seu discurso de defesa de uma "Europa cristã" ameaçada pela "invasão migratória" o transformou em ídolo da direita radical europeia, da AfD na Alemanha até a Frente Nacional de Marine Le Pen na França. A Comissão Europeia iniciou processos contra Budapeste por leis que ameaçam uma universidade húngara financiada por Georges Soros e que reforçam o controle sobre as organizações da sociedade civil.