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Porto Alegre, segunda-feira, 12 de Novembro de 2018

  • 06/06/2018
  • 14:39
  • Atualização: 14:50

“Ganharam os interesses pessoais”, diz chefe da Casa Civil do governo Sartori

Benvegnú disse que salários do funcionalismo estariam em dia se a CEEE fosse privatizada

Mesmo com a derrota, governo segue mobilizado para venda de estatais | Foto: Paulo Nunes / CP Memória

Mesmo com a derrota, governo segue mobilizado para venda de estatais | Foto: Paulo Nunes / CP Memória

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  • Rádio Guaíba

Após ser derrotado na Assembleia Legislativa na noite passada, o governador José Ivo Sartori esteve reunido, na manhã desta quarta-feira, com a coordenação de governo e com a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) para analisar a repercussão do impedimento do Parlamento para a realização de plebiscito sobre a privatização ou federalização da CEEE, Sulgás e Companhia Riograndense de Mineração (CRM).

Quem falou com a imprensa pelo governo foi o secretário-chefe da Casa Civil, Cleber Benvegnú, que criticou os deputados que votaram contrários à proposta de reduzir de 150 para 90 dias o prazo para convocação de consulta popular. Segundo o secretário, os salários do funcionalismo estariam em dia se a CEEE fosse privatizada e pudesse quitar o débito do ICMS que tem com o Estado.

“Ontem, a oposição e seus aliados de ocasião decidiram não ouvir a população, o que é muito grave. Isso é muito grave, primeiro, do ponto de vista democrático. Porque não ouvir a população em plebiscito? Isso fere um direito do governo de querer ouvir a população. Segundo ponto é sobre gestão: ganharam os interesses pessoais que se sobrepuseram ao interesse público. Era melhor para o Rio Grande do Sul que essas privatizações ou federalizações fossem feitas o quanto antes”, avaliou Benvegnú.

O chefe da Casa Civil disse que mesmo com a derrota, o governo segue mobilizado para encontrar um caminho para a venda das estatais. “Vamos continuar lutando e o governo está estudando medidas para reagir a isso. Medidas das mais diversas formas, como medidas políticas e jurídicas e também sobre o Regime de Recuperação Fiscal no sentido de encontrar alternativas para que o Estado não volte a pagar a dívida, que está na faixa dos R$ 300 milhões por mês”, explicou.

Benvegnú fez uma crítica direta ao PSDB. Dos quatro parlamentares da bancada turcana, apenas a deputada Zilá Breitenbach votou favorável à proposta do governo. “O PSDB tomou uma decisão por indicação do presidente do partido, Eduardo Leite, que é uma decisão que vai contra a história do partido na área de Minas e Energia e na modernização. Só que modernização se faz com atitude, não com discurso”, alegou.

Apesar da crítica do secretário, mesmo se toda a bancada do PSDB votasse junto ao governo, o Piratini não teria os votos necessários para aprovar o Projeto de Lei. O governo teve apenas 23 votos e se todos os deputados tucanos concordassem com o Executivo, o número chegaria a 26. Para aprovar o PL eram necessários 28 votos.

O Piratini tinha o objetivo de realizar o plebiscito junto ao primeiro turno das eleições deste ano e, assim, evitar o gasto de R$ 18 milhões, que seria o valor necessário para fazer uma consulta à população. O rumo que o Piratini vai tomar para a venda das estatais de energia deve ser divulgado ainda nesta semana.

Oposição

Pelas redes sociais, os políticos contrários ao PL do governo comemoraram a rejeição do projeto. O pré-candidato ao Piratini e presidente estadual do PSDB, Eduardo Leite, escreveu que a decisão da Assembleia “salva a pauta da privatização, que poderia vir a ser enterrada num plebiscito feito às pressas e sem o espaço pro melhor debate com a população”.

O pré-candidato do PT ao Piratini, Miguel Rossetto também comemorou o resultado. Através de sua conta no Twitter o petista escreveu:

O único deputado do PSol na Assembleia Legislativa, Pedro Ruas, escreveu no microblog que “o patrimônio do povo continua do povo”, ao saudar a derrota do governador.