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Porto Alegre, domingo, 23 de Setembro de 2018

  • 27/07/2018
  • 17:13
  • Atualização: 17:24

Marina Silva descarta palanque de Eduardo Leite no Rio Grande do Sul

Rede fechou aliança com o PSDB no Estado, mas ex-ministra diz que em alguns estados coligações não se relacionam com sua pré-candidatura

Pré-candidata à presidência da República pela Rede Sustentabilidade, Marina Silva, esteve em Porto Alegre nesta sexta | Foto: Guilherme Testa

Pré-candidata à presidência da República pela Rede Sustentabilidade, Marina Silva, esteve em Porto Alegre nesta sexta | Foto: Guilherme Testa

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  • Flávia Bemfica

A pré-candidata à presidência da República pela Rede Sustentabilidade, Marina Silva, minimizou nesta sexta-feira em Porto Alegre as dificuldades de seu partido em fechar alianças para a disputa presidencial e a consequente falta de espaço na propaganda eleitoral.

Por enquanto, Marina dispõe de oito segundos do tempo total, o que significa duas inserções de quatro segundos. Ao falar sobre suas condições na corrida pelo Planalto, ela direcionou as críticas principalmente ao pré-candidato do PSDB, o governador licenciado de São Paulo, Geraldo Alckmin.

“Ninguém ainda tem vice, com exceção do Alckmin, que pegou todo o condomínio que estava com a Dilma em 2014. E a maioria ainda não definiu as alianças concretamente. Então isso é um processo que ainda está em curso para a maioria dos candidatos", disse durante a entrevista coletiva que antecedeu a participação de Marina na reunião-almoço "Tá na Mesa", da Federasul  

"Eu pretendo enfrentar a grande injustiça que foi feita pelos grandes partidos da velha polarização, que se uniram para determinar que somente eles podem ter condições de estrutura para concorrer em uma eleição. Tanto é que repartiram o fundo eleitoral apenas entre PT, PSDB, PMDB e DEM, na sua grande maioria. O Alckmin já tem 10 minutos, agora deve até ter um pouco mais, dos 20 que vão ser disponibilizados. É a realidade de um país que usa o que é do público para privatizar para meia dúzia", acrescentou. 

Eduardo Leite

Aos jornalistas, a ex-ministra também não escondeu o desconforto resultante do fato de a Rede no Rio Grande do Sul ter confirmado sua adesão à pré-candidatura de Eduardo Leite (PSDB) ao governo estadual. Ao se referir a Leite, Marina, ao invés de chamar o tucano pelo nome, optou por utilizar as expressões "esse jovem" e o "jovem ex-prefeito".

“Em alguns estados não necessariamente o que se reflete nas coligações estaduais tem a ver com a minha candidatura no plano nacional. Mantenho minha posição de crítica ao condomínio do Alckmin, acho inclusive que o jovem ex-prefeito de Pelotas é uma pessoa diferenciada, mas o seu palanque com certeza será do seu partido. O meu palanque será o do João Derly e o dos nossos candidatos”, informou Marina.

Próxima do ex-senador emedebista Pedro Simon, que a acompanhou no almoço desta sexta, nas eleições de 2014 Marina recebeu o apoio do então candidato ao governo pelo PMDB, José Ivo Sartori. Nestas eleições de 2018 os articuladores do governador, que disputará a reeleição, tentavam repetir a parceria, já que Marina representava a alternativa para pelo menos duas questões importantes ao MDB gaúcho: ter um candidato que o descole do governo do presidente Michel Temer e (apesar da preferência de vários emedebistas gaúchos por Alckmin) não apoiar oficialmente a candidatura tucana à presidência, já que Leite é considerado o principal adversário de Sartori na disputa.

Mas, nas negociações, o MDB gaúcho acabou vencido pela necessidade do partido de Marina de manter pelo menos uma cadeira na Câmara dos Deputados e de tentar recuperar o assento que tinha na Assembleia Legislativa antes de a deputada Regina Becker trocar a legenda pelo PTB. Na aliança fechada com os tucanos, a Rede segue para a eleição coligada com PSDB, PTB e PRB na disputa para a Câmara e com PSDB, PPS e PHS para a Assembleia, o que aumenta suas chances. Em função da cláusula de barreira, a sigla precisa fazer nove deputados federais.

Presente ao almoço, o deputado federal João Derly disse que Leite abriu o palanque para Marina no Estado, mas que a Rede deverá dar prioridade a um palanque próprio, apenas com Marina e os candidatos do partido nas chapas proporcionais. “Além disso, como a eleição é bem curta, não vamos receber a Marina muitas vezes no Estado.

A campanha dela será lançada em cima das nossas candidaturas de deputados. Não vai ser a candidatura ao governo que vai poder levar a Marina nos poucos eventos que ela terá aqui”, adiantou. O deputado confirmou ainda que Mário Berd ocupará uma das vagas ao Senado na coligação encabeçada por Leite.

Conversas com Ciro Gomes

Durante sua passagem por Porto Alegre, Marina Silva admitiu que tem mantido conversações com o pré-candidato do PDT à presidência da República, Ciro Gomes. “Tenho conversado com os candidatos que não foram pegos no dopping da Lava Jato. Conversei com o Álvaro (o senador Álvaro Dias, pré-candidato do Podemos), converso com o Ciro Gomes, até porque não podemos pensar só na eleição em si. Temos que pensar em um realinhamento político para o país. Tenho buscado o diálogo porque não trato adversários como se fossem inimigos.”

Marina também destacou sua tentativa de aproximação com o PV. E apontou três nomes de possíveis vices caso não consiga fechar alianças:o economista Ricardo Paes de Barros, o deputado federal Miro Teixeira (Rede/RJ) e o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello.