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Porto Alegre, quinta-feira, 15 de Novembro de 2018

  • 03/08/2018
  • 16:33
  • Atualização: 17:28

A poucas horas da convenção, situação é tensa no PP gaúcho

Troca de acusações sucede a reviravolta que culminou na aliança com o PSDB

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  • Flavia Bemfica

A menos de 24 horas da convenção estadual marcada para este sábado na Assembleia Legislativa, é tensa a situação no PP gaúcho. Uma reunião da executiva estadual do partido ocorre neste final de tarde de sexta-feira, com o objetivo de diminuir os conflitos e evitar que alas mais ‘radicais’ tentem levar a votação novas mudanças amanhã, sob o risco de um grande desgaste.

O problema ocorre porque uma parte significativa de progressistas gaúchos não respondeu bem à reviravolta ocorrida na quinta-feira, quando a senadora Ana Amélia Lemos (PP) decidiu aceitar o convite de Geraldo Alckmin (PSDB/SP) para ser vice na chapa do tucano na disputa pela presidência da República e o deputado federal Luis Carlos Heinze (PP) concordou em retirar sua candidatura ao governo do Estado e ser candidato ao Senado na chapa encabeçada pelo presidente estadual do PSDB, Eduardo Leite, que disputa o Piratini. A tendência, neste momento, é de mais uma reviravolta: a de que Heinze mude mais uma vez de rumo e mantenha a candidatura e a aliança com DEM, Pros e PSL, consolidando o racha e a instabilidade na legenda. O partido deve emitir uma nota até o início da noite.

O novo revés ocorre porque tanto integrantes das bases partidárias como lideranças do PP gaúcho reclamam do fato de que não foram consultados sobre o acordo. Para completar, nas bases não são poucos os progressistas identificados com a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL/RJ) à presidência da República. Heinze, que já era apoiado pelo DEM, o PSL e o Pros na tentativa ao governo, havia, em troca, prometido palanque no RS para Bolsonaro. Entre lideranças, a cobrança é de que Ana Amélia só conversou – com algumas lideranças – após fechar a chapa com os tucanos.

Na quinta, depois de uma série de conversas com Alckmin e seus articuladores nos dias anteriores, e de encaminhamentos feitos ainda durante a convenção do partido, em Brasília, Ana Amélia se reuniu com algumas lideranças progressistas em seu gabinete, entre elas Heinze. Após a reunião, anunciou sua decisão. Heinze, por sua vez, endossou a mudança, ressaltando que sua candidatura ao Senado estava fechada e que faltava apenas, no caso da eleição estadual, os dois partidos acertarem alguns detalhes em relação às chapas proporcionais, já que o PP incluiu no acordo a coligação com o PSDB e seus outros aliados tanto para a Câmara Federal como para a Assembleia Legislativa. Também disse que a mudança tornava inviável a manutenção do acordo anterior firmado com DEM, Pros e PSL.

Mas, ante a reação negativa de parte dos progressistas gaúchos, que começaram a se manifestar imediatamente nas redes sociais e em telefonemas, poucas horas depois Heinze fez outra manifestação. Divulgou uma nota no whatsapp na qual informou que tinha sido pego de surpresa e que ouviria a base antes de tomar qualquer decisão. As manifestações contraditórias acabaram por aumentar o acirramento de posições dentro do partido. Enquanto uma parte reclama que não foi ouvida, outra destaca que a candidatura de Heinze ao governo já estava “à deriva”.

“Essa discussão aí de compor a chapa do Alckmin, de desistirmos da candidatura própria ao governo, tudo isso não foi discutido no partido. Eu tenho três mandatos como deputado federal, fui o segundo mais votado do PP no RS na última eleição, e não fui consultado sobre nada. E nem fui comunicado de reunião da executiva hoje. Vou me manifestar amanhã na convenção”, elencou o deputado federal Afonso Hamm.

“Sou líder do partido na Assembleia, sou um homem de partido, e não fui consultado para nada. As minhas convicções não vou mudar assim ao sabor do que for”, brada o líder do PP na Assembleia Legislativa, deputado Sérgio Turra. Segundo o parlamentar, o PP gaúcho não pode “negar a realidade.” “A aproximação com o Bolsonaro era muito bem aceita pela nossa base. Além disso, é bom para o partido que em todas as últimas eleições elege o maior número de prefeitos no RS, quando se trata do governo, estar há 30 anos na garupa?”, questiona.

“Foi desnecessária essa nota aí do Heinze no whatsapp. A nossa candidatura aqui já não estava se viabilizando, e não era por causa do dinheiro, e sim porque estava difícil, em função do perfil dele, a questão da construção da relação partidária. Na reunião da executiva de segunda-feira o quadro já era dramático. Então ele (Heinze) sabe também que não foi um acordo ruim, de jeito nenhum. Ele tem bem mais chances para o Senado do que para o governo”, sustenta outro integrante da bancada federal.

“A relação com o Onyx (o deputado federal Onyx Lorenzoni, presidente estadual do DEM) é impossível. Ele fala como se já tivesse sido nomeado ministro. E aí, para completar, aquele pessoal do PSL forçou a barra com a Carmen Flores, tentou menosprezar a Ana Amélia. Temos nossos problemas internos, é verdade, mas aquilo ali enojou todo mundo. Era só o que faltava a Ana Amélia ser subjugada pelo PSL”, completa outro deputado federal progressista, a respeito da insistência do PSL em que a senadora do PP fizesse campanha para Bolsonaro e, ainda, em lançar a presidente do partido no RS, Carmen Flores, para a segunda vaga ao Senado, à revelia do que havia sido acordado com o PP, de que Ana Amélia seria candidata única à reeleição.