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Porto Alegre, quarta-feira, 14 de Novembro de 2018

  • 28/08/2018
  • 16:05
  • Atualização: 21:50

Alckmin faz defesa categórica do ajuste fiscal: "Vai cortando tudo o que puder"

Candidato à Presidência da República participou de evento na Santa Casa e visitou a Expointer

Candidato defendeu ajuste fiscal e reformas política, tributária e da previdência | Foto: Mauro Schaefer

Candidato defendeu ajuste fiscal e reformas política, tributária e da previdência | Foto: Mauro Schaefer

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  • Flavia Bemfica e Luiz Sérgio Dibe

O candidato do PSDB à presidência da República, Geraldo Alckmin, fez nesta manhã, em Porto Alegre, uma defesa categórica do ajuste fiscal e disse que é urgente a realização de quatro reformas: política, tributária, do Estado e da previdência. Segundo Alckmin, o governo “não tem dinheiro para nada e se continuarmos assim é óbvio que vai quebrar”.

O tucano explicitou uma fórmula conhecida, que combina ajuste com enxugamento do Estado, atração de investimentos internacionais e aumento das exportações como forma de ‘ativar’ a economia. “Só tem um caminho: fazer um ajuste. Temos que aproveitar este bom momento da economia mundial para trazer investimentos, fazer rapidamente as reformas, fazer um grande ajuste no governo. E governar é escolher. Vai cortando tudo o que puder. Em São Paulo eu vendi helicóptero, vendi avião, devolvi 1.800 carros, contratei Cabify, devolvi prédio, aluguel, fechei fundação, fiz privatização, para dar uma enxugada.”

As declarações foram feitas durante a passagem do candidato pela Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, onde ele, que é médico, ouviu pleitos e expôs propostas para a área da saúde a representantes da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do RS. Ao detalhar a questão do ajuste, Alckmin se comprometeu a “suar a camisa” para acertar a questão fiscal e a direcionar mais recursos para as instituições. “A minha meta é zerar o déficit em dois anos. Aí a taxa de juros despenca. Com uma boa política fiscal, vai ter política monetária melhor. Com juros mais baixos, não vai sobrar dólar, e aí o Real não se sobrevaloriza, você exporta mais e ativa a economia. Vamos apertar o cinto para poder colocar mais dinheiro na saúde e, principalmente, nas santas casas e hospitais beneficentes.”

Em diferentes momentos de sua apresentação, as declarações do governador licenciado de São Paulo lembraram diretrizes que vem sendo desenvolvidas pelas gestões do presidente Michel Temer e do governador José Ivo Sartori, ambos do MDB, apesar de, na corrida presidencial, o MDB ter como candidato o ex-ministro da Fazenda do governo Temer, Henrique Meirelles.

O candidato elogiou os hospitais filantrópicos, disse que o setor de serviços, no qual incluiu a saúde, é que vai “segurar o emprego”, e concordou com uma série de reivindicações. “Nunca a tabela do SUS chegou ao ponto que chegou. Uma consulta com especialista custa R$ 10,00”, destacou. Na sequência, completou: “Foi um absurdo verdadeiro a abertura de faculdades de Medicina. Abriram onde nem hospital tem. Há excesso de intervenção, um intervencionismo exagerado. Uma quantidade de pedido de exames desnecessários. E a Justiça, uma barbaridade o que fazem de judicialização.”

Alckmin também se comprometeu a, caso eleito, trabalhar no que apontou como três prioridades para os filantrópicos: o custeio para reabrir 24 mil leitos públicos e filantrópicos hoje fechados e manter as entidades “funcionando bem”; o financiamento para que as entidades possam rolar suas dívidas e os investimentos em modernização. Destacou ainda o programa Santas Casas Sustentáveis, implantado em São Paulo, e que se constituiu em complementações, por parte do governo estadual, aos valores pagos pelo SUS.

Na saída do evento, questionado sobre se acredita que aumentará de forma significativa suas intenções de votos entre o eleitorado gaúcho, respondeu: “Se Deus quiser, se Deus quiser”, e repetiu elogios à vice na chapa, a senadora gaúcha Ana Amélia Lemos (PP). A senadora, o candidato do PSDB ao governo, Eduardo Leite, e o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, o acompanharam no encontro, onde permaneceu por pouco menos de duas horas, entre 11h45 e 13h30.

Depois de visitar a Santa Casa foi à Expointer, caminhou pelos estandes, provou produtos da agricultura familiar e acabou ouviu algumas vezes gritos de “Bolsonaro, Bolsonaro” enquanto passava. Na feira, Alckmin exaltou a importância do setor agropecuário para a tentativa de retomada de crescimento na economia nacional. Ele almoçou na Farsul, onde ouviu reivindicações do setor do agronegócio.

Aos ruralistas, na Farsul, Alckmin disse ser favorável ao direito de posse de armas de fogo, sob a justificativa de que o produtor rural precisa se defender. Questionado sobre o risco de intensificação de conflitos no campo, o candidato acrescentou que o governo deve ampliar a atuação na área de regularização fundiária. À noite, em Canoas, participou do primeiro ato político com os aliados no RS.