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Porto Alegre, terça-feira, 25 de Setembro de 2018

  • 11/09/2018
  • 08:58
  • Atualização: 09:12

Polícia Federal pede mais prazo para investigações no inquérito dos Portos

Equipe averigua envolvimento do presidente Michel Temer em esquema de benefícios com construtora

Polícia Federal pede mais prazo para investigações no inquérito dos Portos | Foto: Isac Nóbrega / PR / CP

Polícia Federal pede mais prazo para investigações no inquérito dos Portos | Foto: Isac Nóbrega / PR / CP

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A Polícia Federal pediu nesta segunda-feira, a prorrogação das investigações do inquérito dos Portos, que investiga se o presidente Michel Temer teria recebido vantagens indevidas em troca de favorecimento a empresas do setor portuário. Segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo, o pedido é para que as investigações sejam prorrogadas por mais 15 dias. Esta é a quarta vez que a PF pede a prorrogação da apuração. A terceira ampliação do prazo foi concedida em agosto pelo ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso.

O inquérito apura se empresas que atuam no Porto de Santos, entre elas a Rodrimar, foram beneficiadas pelo decreto assinado por Temer em maio de 2017. A medida ampliou de 25 para 35 anos as concessões do setor, prorrogáveis por até 70 anos. O inquérito investigava inicialmente, além de Temer, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), ex-assessor do presidente e ex-deputado federal, Antônio Celso Grecco e Ricardo Conrado Mesquita, respectivamente, dono e diretor da Rodrimar. Em agosto, o ministro Barroso atendeu os argumentos da Procuradoria-Geral da República (PGR) e negou desmembrar o inquérito como havia sido pedido pelo dono da Rodrimar.

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Na solicitação enviada à Corte em junho, os advogados de Grecco afirmavam que não havia indício em torno da empresa que justificasse a continuidade das investigações, mas que, se o ministro entendesse que as apurações deveriam prosseguir, o inquérito fosse desmembrado e enviado para a Justiça Federal da primeira instância, na parte relacionada aos representantes da Rodrimar investigados. A PGR foi contra.

Ampliação

Ao longo da apuração, entraram também na mira das investigações o amigo do presidente, João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, e executivos do Grupo Libra.

No âmbito das investigações, a PF chegou a pedir ao Supremo a quebra de sigilo bancário da empresa Eliland do Brasil. Os investigadores analisam a relação da Argeplan, do coronel Lima, com a Eliland, que teve contrato por 10 anos com a Rodrimar. Segundo a PF, há suspeitas de a empresa ser de fachada, criada para constar nos contratos com várias empresas concessionárias do setor portuário e a Argeplan, acobertando o vínculo da empresa do coronel Lima e seus sócios com o setor.

Embora o inquérito tenha sido aberto para apurar fatos relacionados à edição do Decreto dos Portos, a investigação avançou sobre a atuação do grupo político de Temer também relacionados ao setor portuário.

Negativa

Todos os citados no inquérito negam envolvimento em irregularidades. Em notas divulgadas pelo Palácio do Planalto, o presidente Temer nega qualquer tipo de irregularidade em relação ao decreto, que, segundo o governo, foi debatido por grupos de trabalho constituído por órgãos ligados ao setor. A defesa do presidente também já entregou ao STF respostas a questões formuladas pela PF sobre as investigações. Temer chegou a chamar o inquérito de "ficção policial". Nesta segunda, o Planalto não falou sobre o pedido de prorrogação.