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  • 11/09/2018
  • 16:15
  • Atualização: 16:22

Lava Jato nega que operação contra Richa tenha relação com eleições

Investigações contra candidato teriam sido atrasadas por envio à Justiça Eleitoral

Candidato ao Senado paranaense foi preso na manhã desta terça-feira | Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil / CP Memória

Candidato ao Senado paranaense foi preso na manhã desta terça-feira | Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil / CP Memória

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  • R7

Integrantes do Ministério Público Federal no Paraná (MPF-PR) e da Polícia Federal negaram que a operação Piloto, 53ª fase da Lava Jato, tenha qualquer relação com a atual campanha ao Senado do ex-governador Beto Richa (PSDB), um dos alvos. Em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira, o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima culpou o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo alegado atraso nas investigações contra o ex-governador.

Ele chamou de "erráticas decisões do STF" o fato de o caso ter sido remetido à Justiça Eleitoral, por se tratar, supostamente, de caixa 2 para a campanha de 2014 do tucano ao governo do Estado. "Essas investigações poderiam ter sido antes se não fossem essas decisões", observou. A Justiça Eleitoral não encontrou indícios de crime relacionados à campanha e remeteu o caso novamente à Justiça Federal no Paraná.

Prisões

Beto Richa, a mulher dele, Fernanda Richa, e o irmão, Pepe Richa, foram presos em outra operação, também deflagrada nesta terça-feira pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público do Paraná. Também foram presos Deonilson Roldo, ex-chefe de gabinete de Richa, o empresário Jorge Theodócio Atherino e Tiago Correia Adriano Rocha, indicado como braço-direito de Jorge.

Ainda foi alvo de mandado de prisão o empresário Joel Malucelli, que está fora do país. "A J.Malucelli Equipamentos nega, veementemente, a participação em qualquer irregularidade e informa que não firmou qualquer contrato com o Governo do Paraná relacionado às Patrulhas Rurais", informou a empresa em nota divulgada. A defesa de Richa afirmou à RIC Paraná que não teve conhecimento do teor da decisão. O R7 ainda não conseguiu contato com a defesa dos demais investigados.

Questionado sobre o fato de duas operações de diferentes órgãos, um estadual e outro federal, terem sido deflagradas simultaneamente, o delegado da Polícia Federal Felipe Hayashi falou em "coincidência". "Houve pedido de algumas prisões temporárias, porque entendemos que eram imprescindíveis. No entanto, o juízo entendeu que isso não era necessário neste momento, não descartando a hipótese de que esse requerimento possa ser refeito após a análise de buscas e apreensões". completou, sem mencionar nomes.

Investigações

O MPF no Paraná investiga suposto recebimento de propina de R$ 4 milhões ao ex-governador Beto Richa pagos pela construtora Odebrecht. O valor seria uma contrapartida ao fato de a empresa ser vitoriosa na licitação da rodovia PR-323. Os supostos crimes teriam ocorrido entre 2012 e 2014, mas alguns dos envolvidos continuaram a cometer atos ilícitos, segundo os procuradores.

"Embora a denúncia tenha sido oferecida na última semana, algumas evidências demonstraram que esses dois acusados que foram alvos da prisão preventiva continuavam atuando em atividades suspeitas. Um deles (Deonilson Roldo) trabalhando de forma oculta na coordenação da campanha para o Senado do ex-governador. O outro (Jorge Theodócio Atherino) continuava a movimentar valores expressivos em nome de diversas pessoas jurídicas que estavam formalmente registradas em nomes de familiares próximos, mas que tinha como controlador de fato essa outra pessoa. Então, havia uma necessidade de acautelamento da ordem pública, pela continuidade e evidência dessas atividades ilícitas", disse o procurador da República Diogo Castor de Mattos.

Os investigadores da Lava Jato dizem ter uma gravação de áudio em que o ex-chefe de gabinete de Richa combina detalhes da licitação da rodovia paranaense e indica um suposto benefício para a Odebrecht.