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  • 19/06/2017
  • 13:33
  • Atualização: 13:34

Promotoria trabalha pela condenação máxima do bioquímico

Julgamento de Ênio Luiz Carnetti, acusado de matar a esposa e o filho em julho de 2012, deve durar dois dias

Julgamento de Ênio Luiz Carnetti, acusado de matar a esposa e o filho em julho de 2012, deve durar dois dias | Foto: Mauro Schaefer

Julgamento de Ênio Luiz Carnetti, acusado de matar a esposa e o filho em julho de 2012, deve durar dois dias | Foto: Mauro Schaefer

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  • Correio do Povo

O julgamento do bioquímico Ênio Luiz Carnetti, acusado de matar a esposa e o filho, teve início na manhã desta segunda-feira no plenário da 1ª Vara do Júri de Porto Alegre. Ele responde pelas mortes, a facadas, da esposa, a enfermeira Márcia Cambraia Calixto Carnetti, 39 anos, e do filho do casal, Matheus, 5 anos, em 25 de julho de 2012 na residência da família em um condomínio horizontal na rua Sargento Nicolau Dias de Farias, no bairro Tristeza, na Capital.

Na acusação atuam os Promotores de Justiça Lúcia Helena Callegari e Eugênio Paes Amorim, do Ministério Público/RS. A sessão do júri é presidida pela juíza Taís Culau de Barros. “Nossa previsão é de que o julgamento dure dois dias. São nove testemunhas para serem ouvidas, incluindo o perito que prestará esclarecimentos e o réu”, explicou.

Cinco testemunhas são da acusação e quatro pela defesa. A magistrada admitiu que se trata de “um julgamento complexo” devido ao número de testemunhas e pela análise dos laudos periciais. “Existe uma série de fatos”, sintetizou a juíza.

Os Promotores de Justiça Lúcia Helena Callegari e Eugênio Paes Amorim pretendem derrubar a tese de imputabilidade do réu por parte de defesa. “Minha expectativa é de que consigamos a condenação. É um crime chocante e bárbaro. Quando a gente pensa que um pai matou o filho e dizer que ama o filho é algo que não dá para acreditar”, afirmou Lúcia Helena Callegari.

Segundo ela, o crime não tem explicação. “Foram feitos dois laudos pelo Instituto Psiquiátrico Forense, por psiquiatras diversos, que de uma forma bastante categórica disseram: ele não estava em surto psicótico. Tanto que ele se organiza depois e deixa bilhetes...”, observou. Para Lúcia Helena Callegari, o bioquímico tinha um comportamento reinterado obesessivo pela esposa. “Ele está respondendo por duplo homicídio com cada um crimes com uma qualificadora, além dos agravantes. “Espero que tenha pena de 45 anos. Éo mínimo que possa achar tolerável”, disse.

Já o Promotor de Justiça Eugênio Paes Amorim declarou que as teses da defesa serão rebatidas visando obter uma condenação integral pelos dois homicídios com todos os agravantes. “Está afastada para nós a questão da insanidade mental do acusado” enfatizou. “Nossa sociedade, mesmo tendo evoluído, ainda contém aspectos de machismo primitivo...isso será debatido no julgamento”, antecipou, confirmando que imagens do crime poderão ser exibidas aos jurados. “É muito forte” admitiu, avaliando que o homicídio é muito mais bárbaro ainda quando envolve uma criança indefesa. “A emoção vai aflorar por que ninguém é de ferro”, previu.

O julgamento é acompanhado pela família e amigos das vítimas. Mãe de Márcia e avó de Matheus, Elisabeth Cambraia, 65 anos, esperava que ocorra justiça. “Ele matou uma criança de cinco anos que amava ele e a mãe dessa criança. Não existe motivo para matar duas pessoas”, desabafou. Pai da Márcia e avô de Matheus, João Calixto, 74 anos, afirmou que a chegada do dia do julgamento demorou muito. “Foi algo terrível. Ele tinha intenção de matar e já alimentava isso. Foi muito covarde. Ele não sabe o que era amor. É um destemperado em relação ao sentimentos e não sabe conviver em sociedade”, destacou. “Esses cinco anos foram muitos difíceis. Houve muita dor. Eu acho que ele deve ser condenado e ter pena máxima”, acrescentou.

Amiga da Márcia, Lisiane Acosta, 53 anos, também manifestou, em nome de todos o círculo de amizade, o desejo de condenação e justiça. “Foi muito cruel. Ele já tinha pensado quinze dias antes do crime quando disse que a levaria para o céu”, recordou. “Ela não acreditou que podia ocorrer”, lamentou. O casal estava junto havia mais de 10 anos. A polícia descobriu que a vítima havia pedido separação do marido em junho.

Conforme a denúncia do Ministério Público, o crime foi praticado com três qualificadoras: motivo torpe (o autor não aceitava a ideia de separação conjugal e queria vingar-se da vítima por ela tê-lo submetido a acompanhamento psicológico e psiquiátrico), mediante meio cruel (houve inclusive golpes não letais no corpo com o intuito de causar sofrimento) e com recurso que dificultou a defesa da vítima (ela estava dormindo quando houve o ataque). Em relação ao filho, o crime também foi cometido por motivo torpe, já que o autor queria vingar-se da esposa através da morte da criança; mediante meio cruel – alguns golpes foram para causar dor ao filho, sem letalidade –; com recurso que dificultou a defesa da vítima, que estava dormindo; e ainda contra menor de 14 anos.

Na residência foram encontrados diversos bilhetes deixados pelo bioquímico, um deles assumindo a autoria dos assassinatos. Ele fugiu do local e tentou suicídio, jogando-se de uma ponte no Guaíba, sendo salvo por um pescador.