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  • 13/03/2018
  • 12:45
  • Atualização: 23:52

Garoto de programa teria sido assassinado com mais de 100 facadas a mando de ex-namorados

Jovem foi atraído para uma emboscada em Porto Alegre, em dezembro, quando foi torturado

Detalhes da investigação foram apresentados nesta terça-feira pela Polícia Civil | Foto: Alina Souza

Detalhes da investigação foram apresentados nesta terça-feira pela Polícia Civil | Foto: Alina Souza

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Um crime passional, cometido com requintes de crueldade, foi elucidado pela Polícia Civil. A titular da 5ª Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (5ªDPHPP), delegada Luciana Smith, anunciou na manhã desta terça-feira o desfecho da investigação iniciada com a descoberta do corpo de um jovem, de 21 anos, com mais de 100 facadas, ao amanhecer do dia 16 de dezembro do ano passado no bairro Mário Quintana, em Porto Alegre. “Chamou a atenção por que fugia da realidade que vivenciamos cujo pano de fundo é o tráfico”, explicou. “Não era um crime comum em razão da guerra do tráfico”, acrescentou.

O primeiro passo foi buscar informações com a família do rapaz, residente em Passo Fundo, e que havia registrado até o desaparecimento. Os agentes descobriram que ele foi atraído para uma cilada na Capital. O plano foi concebido por um ex-companheiro, de 34 anos, e uma ex-namorada da vítima, de 24 , que se uniram como vingança. “Ele por que a vítima não queria mais manter o relacionamento e ela por que descobriu que era garoto de programa”, esclareceu. “Foi uma brutalidade. Eles passaram a planejar a execução”, resumiu.

O inquérito, com cerca de 500 páginas, com provas materiais como vídeos, áudios e testemunhas, deve ser remetido nos próximos dias ao Poder Judiciário. Todos envolvidos estão presos. No entanto, o ex-companheiro, um empresário de 34, cometeu suicídio em São Paulo na mesma semana em que os policiais civis gaúchos efetuariam a prisão dele. “Foi uma grande surpresa”, admitiu, supondo que o mesmo ficou “transtornado” após a consumação do crime e ao saber da movimentação policial no caso.  

A delegada Luciana Smith contou que a vítima atuava como garoto de programa. Com a ex-namorada, moradora de Parobé, foram três meses de namoro. Depois, já com o empresário, também garoto de programa nas horas vagas, o relacionamento durou em torno de seis meses em São Paulo. O rompimento, porém, teria provocado o desejo de vingança.

Conforme apurado pelos agentes da 5ªDPHPP, o empresário acabou entrando de algum modo em contato com a ex-namorada do jovem que teria ficado indignada ao saber da atividade de garoto de programa e temia por sua imagem em Parobé. Juntos, os dois articularam um plano para matá-lo, sendo que a ex-namorada conseguiu recrutar indivíduos de uma facção criminosa em Porto Alegre.

Uma adolescente agiu como isca, fazendo contato e atraindo a vítima para uma relação sexual que ocorreu em um hotel em Passo Fundo. Depois, o jovem foi chamado para vir até a Capital, onde desembarcou no final da noite do dia 15 de dezembro na Estação Rodoviária. Com a adolescente e uma amiga dela, ele seguiu até o bairro Mário Quintana, sendo rendido e amarrado por três criminosos, entre eles um menor de idade, em um apartamento. Espancado e esfaqueado, o jovem, agonizando, foi então abandonado em frente de um supermercado na estrada Martim Félix Berta no final da madrugada do dia 16 de dezembro. Um Ford Fiesta serviu para transportá-lo até o local.

A titular da 5ªDPHPP observou que vídeos e áudios dos próprios envolvidos no crime estão entre as provas reunidas no inquérito, além de testemunhas e laudos periciais. As imagens foram inclusive enviadas à ex-namorada e ao ex-companheiro da vítima como prestação do serviço realizado que teria custado em torno de R$ 8 mil para o empresário. Em um dos vídeos gravados durante a sessão de tortura e esfaqueamento, o jovem fica sabendo o motivo e quem estava por trás de tudo. “Ele implorou pela vida”, assinalou a delegada Luciana Smith. Os envolvidos foram indiciados por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e emprego de meio cruel, além de associação de quadrilha e corrupção de menores. Todos estão com prisão preventiva decretada e já encontram-se recolhidos no sistema prisional.