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  • 21/04/2017
  • 09:47
  • Atualização: 09:54

Okamotto e Vaccari pediram para não transferir tríplex para nome de Lula, diz Pinheiro

Ex-presidente da OAS explicou, no entanto, que apartamento pertencia à família do petista

Okamotto e Vaccari pediram para não transferir tríplex para nome de Lula, diz Pinheiro | Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil / CP

Okamotto e Vaccari pediram para não transferir tríplex para nome de Lula, diz Pinheiro | Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil / CP

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  • Correio do Povo

Em mais um trecho divulgado de sua delação, o ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, afirmou à Justiça Federal que o tríplex do edifício Solaris, no Guarujá, não foi transferido para o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo informações publicadas nesta sexta-feira pelo jornal O Estado de São Paulo, essa solicitação foi feita pelo presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto e pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.   

Pinheiro relatou ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processo da Operação Lava Jato, em Curitiba, que Vaccari pediu a ele para que não transferisse o apartamento para o nome de Lula. "A unidade que pertenceria à família do presidente ficaria em nosso nome", disse em depoimento realizado nessa quinta. “Ele (Vaccari) falou isso?”, insistiu Moro. “Ele e o Okamotto. Como iríamos resolver, não sei como”, acrescentou o ex-dirigente da OAS. 

Conforme Pinheiro, os executivos da empreiteira sabiam desde 2010 que o tríplex na realidade era de Lula. "A partir de 2010, isso ficou claro e público", respondeu a Moro. “O apartamento era do presidente Lula. Desde o dia que me passaram para estudar os empreendimentos da Bancoop já foi me dito que era do presidente Lula e sua família e que eu não comercializasse e tratasse aquilo como propriedade do presidente”, explicou o empreiteiro.

A denúncia do Ministério Público Federal sustenta que Lula recebeu R$ 3,7 milhões em benefício próprio – de um valor de R$ 87 milhões de corrupção – da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012. As acusações contra Lula são relativas ao recebimento de vantagens ilícitas da empreiteira OAS por meio do triplex no Guarujá, no Solaris, e ao armazenamento de bens do acervo presidencial, mantido pela Granero de 2011 a 2016.

Defesa de Lula 

“Léo Pinheiro no lugar de se defender em seu interrogatório, hoje, na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, contou uma versão acordada com o MPF como pressuposto para aceitação de uma delação premiada que poderá tirá-lo da prisão. Ele foi claramente incumbido de criar uma narrativa que sustentasse ser Lula o proprietário do chamado triplex do Guarujá. É a palavra dele contra o depoimento de 73 testemunhas, inclusive funcionários da OAS, negando ser Lula o dono do imóvel”.

“A versão fabricada de Pinheiro foi a ponto de criar um diálogo – não presenciado por ninguém – no qual Lula teria dado a fantasiosa e absurda orientação de destruição de provas sobre contribuições de campanha, tema que o próprio depoente reconheceu não ser objeto das conversas que mantinha com o ex-Presidente. É uma tese esdrúxula que já foi veiculada até em um e-mail falso encaminhado ao Instituto Lula que, a despeito de ter sido apresentada ao Juízo, não mereceu nenhuma providência”.

“A afirmação de que o triplex do Guarujá pertenceria a Lula é também incompatível com documentos da empresa, alguns deles assinados por Léo Pinheiro. Em 3/11/2009, houve emissão de debêntures pela OAS, dando em garantia o empreendimento Solaris, incluindo a fração ideal da unidade 164A. Outras operações financeiras foram realizadas dando em garantia essa mesma unidade. Em 2013, o próprio Léo Pinheiro assinou documento para essa finalidade. O que disse o depoente é incompatível com relatórios feitos por diversas empresas de auditoria e com documentos anexados ao processo de recuperação judicial da OAS, que indicam o apartamento como ativo da empresa”.