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Porto Alegre, sexta-feira, 23 de Junho de 2017

  • 16/06/2017
  • 22:30
  • Atualização: 22:58

"Temer é o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil", dispara Joesley Batista em revista

Dono do grupo J&F detalha relações do presidente com Cunha e diz que ele "não tem cerimônia para pedir dinheiro"

Dono do grupo J&F detalha relações do presidente com Cunha e diz que ele

Dono do grupo J&F detalha relações do presidente com Cunha e diz que ele "não tem cerimônia para pedir dinheiro" | Foto: Beto Barata / PR / CP

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O empresário Joesley Batista fez graves denúncias contra o presidente, Michel Temer, e as principais figuras do seu governo, em entrevista à revista Época. "Temer é o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil", disparou o dono do grupo J&F na edição desta semana.

Joesley reforçou a ideia de "quadrilha" liderada pelo presidente, ao salientar com quem tinha que lidar nas tratativas da JBS. "Quem não está preso está hoje no Planalto", frisou. "O Temer é o chefe da Orcrim (organização Criminosa) da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles", acrescentou o empresário.

Questionado sobre os motivos para se ligar a esses políticos e de não encerrar as tratativas antes, ele explicou. "Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles. Por outro lado, se você baixar a guarda, eles não têm limites", descreveu. "Então, meu convívio com eles foi sempre mantendo à meia distância: nem deixando eles aproximarem demais nem deixando eles longe demais. Para não armar alguma coisa contra mim."

Joesley revelou, também, que Eduardo Cunha considerava Temer seu "superior hierárquico" nos trâmites de bastidores. "Tudo que o Eduardo conseguia resolver sozinho, ele resolvia. Quando ficava difícil, levava para o Temer. Essa era a hierarquia."

Entre os "favores" negociados com Temer, o empresário salientou que o presidente sempre tinha um objetivo nos encontros. "O Temer não tem muita cerimônia para tratar desse assunto. Não é um cara cerimonioso com dinheiro", apontou, antes de descrever os pedidos. "Uma delas foi quando ele pediu os R$ 300 mil para fazer campanha na internet antes do impeachment, preocupado com a imagem dele", citou. "Teve uma vez também que ele me pediu para ver se eu pagava o aluguel do escritório dele na praça (Pan-Americana, em São Paulo). Eu desconversei, fiz de conta que não entendi, não ouvi. Ele nunca mais me cobrou."