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Porto Alegre, sexta-feira, 18 de Agosto de 2017

  • 19/05/2017
  • 22:48
  • Atualização: 22:51

Executivos relatam R$ 1 milhão em dinheiro vivo para Temer

Entrega se deu via João Baptista Lima Filho, amigo pessoal do presidente

Temer teria pego R$ 1 milhão de doação da campanha para si, segundo delatores | Foto: Evaristo Sa / AFP / CP

Temer teria pego R$ 1 milhão de doação da campanha para si, segundo delatores | Foto: Evaristo Sa / AFP / CP

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  • AE

Os delatores da JBS Florisvaldo Caetano de Oliveira e Ricardo Saud relataram aos investigadores da Procuradoria-Geral da República a entrega de R$ 1 milhão em espécie para João Baptista Lima Filho, amigo pessoal do presidente Michel Temer. O pagamento foi acordado com Saud e a entrega dos valores foi executada por Oliveira.

O pagamento, segundo Saud, era parte dos R$ 15 milhões que Joesley Batista havia se comprometido a pagar para Michel Temer na campanha de 2014. De acordo com Saud, o R$ 1 milhão foi colocado por Temer "no bolso". "Eu já vi o cara pegar o dinheiro da campanha e gastar na campanha. Agora, ganhar um dinheiro do PT e guardar para ele no bolso dele, eu acho muito difícil", afirmou o delator, para quem "o Michel Temer fez uma coisa até muito deselegante".

Apontado como entregador de dinheiro para políticos da JBS, Florisvaldo Oliveira, por sua vez, detalhou que o endereço citado por Saud para a entrega era a sede da empresa do amigo de Temer, a Argeplan. A empresa faz parte de um consórcio que ganhou concorrência para executar serviços relacionados à usina de Angra 3 - cujas obras são investigadas na Lava Jato.

O amigo de Temer foi citado na tentativa de delação do sócio da Engevix, José Antunes Sobrinho Filho, como alguém que se apresentava como um interlocutor do então vice-presidente da República. O caso foi revelado pela revista Época. Sobrinho Filho desistiu da delação depois da vinda à tona das revelações que ele prometia fazer.

Baptista Lima já foi assessor de Temer e frequenta a residência do presidente da República. Os dois se encontraram na casa do peemedebista em São Paulo, por exemplo, dias após a divulgação das delações premiadas de executivos da Odebrecht. A sede da empresa de arquitetura da qual Lima é sócio, em São Paulo, foi um dos alvos de busca na operação Patmos, deflagrada na quinta-feira.

Defesa

Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência, Temer disse que "não recebeu valores, a não ser os permitidos pela Lei Eleitoral e declarados ao TSE". "Portanto, não tem envolvimento em nenhum tipo de crime", completa a nota.