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  • 07/12/2018
  • 20:49
  • Atualização: 20:57

Após grande número de denúncias, Seapi ganha mais prazo para relatório sobre herbicida

Prazo não seria suficiente para analisar amostras enviadas à secretaria

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  • Cíntia Marchi

O Ministério Público Estadual deferiu o pedido da Secretaria da Agricultura (Seapi) para prorrogar por mais 30 dias o prazo para a entrega do relatório que demonstrará a dimensão dos impactos ambientais envolvendo o herbicida 2,4-D. Segundo a chefe da Divisão de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal da Seapi, Fabíola Boscaini Lopes, o prazo inicialmente acertado – 14 de dezembro – não será suficiente para analisar todas as amostras enviadas à secretaria. “Existe uma alta demanda dos produtores, o significa que o número de propriedades afetadas é maior do que poderíamos imaginar”, ressaltou.

Até o momento, 50 amostras já foram encaminhadas para o laboratório, em Viamão, que é credenciado a fazer este tipo de análise. Já ficaram prontos 30 laudos. Destes, 29 confirmaram a presença do princípio ativo do 2,4-D nas videiras, oliveiras e plantas nativas. Segundo Fabíola, a Seapi se apressa em enviar os materiais para testagem porque no final do ano encerra-se o contrato com o laboratório e seria importante ter uma amostragem mais ampla do problema.

Além dos resultados laboratoriais, devem constar no relatório fotos e relatos dos fiscais sobre a situação encontrada nas propriedades. Nos últimos anos, produtores de uva e outras frutas em diversas regiões do Estado vêm percebendo a queda na produtividade e até morte das plantas. Eles alegam que estes prejuízos têm relação com a deriva do 2,4-D. “Há muitos anos viemos nos posicionando contra o uso deste herbicida. Os danos nos parreirais e nas frutíferas são enormes”, alerta o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Alpestre, Valdemar Scalvi.

Negociação

Preocupada com a repercussão do caso, a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) irá se encontrar na terça-feira com a promotora de Justiça e coordenadora do Núcleo de Resolução de Conflitos Ambientais, Anelise Grehs, para dialogar sobre alternativas para erradicar o problema. “A preocupação é grande, porque o 2,4-D é um herbicida muito importante na produção, permitido pela legislação. Temos que encontrar uma solução para os problemas da deriva que são localizados”, disse o presidente da Farsul, Gedeão Pereira.

A promotora Anelise disse que considera satisfatório que as partes envolvidas se articulem para tentar uma solução de forma conciliatória. “O MP avaliará alguma medida judicial se não houver alternativa no curto prazo, mas acredito num acordo entre as partes”, disse. A promotora explicou que aceitou dar mais prazo para a Seapi porque entende que o relatório poderá ter um reforço de provas que poderão ser usadas no caso de haver medida judicial.