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  • 18/08/2018
  • 11:40
  • Atualização: 12:19

Laranja retoma crescimento no Rio Grande do Sul

Após altos e baixos, erva-mate tem saldo positivo nas últimas duas décadas

Produção chega a 30 mil toneladas por ano em Liberato Salzano | Foto: Marcela Buzatto / Emater / Divulgação / CP

Produção chega a 30 mil toneladas por ano em Liberato Salzano | Foto: Marcela Buzatto / Emater / Divulgação / CP

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Liberato Salzano, o maior produtor de laranjas do Estado, conta com 450 famílias no cultivo da fruta, numa área de 1,2 mil hectares. A produção chega a 30 mil toneladas por ano no município, sendo que a colheita ocorre desde maio e deve seguir até novembro. O secretário da Agricultura de Liberato Salzano, Valcir Sacon, afirma que ainda neste ano serão plantadas mais 135 mil mudas, numa área de 270 hectares, envolvendo dezenas de produtores. “O lucro de quem produz laranja é muito bom, sendo que a indústria local está pagando R$ 0,40 por quilo e com isso o produtor tem um lucro, por hectare, que varia de R$ 10 mil a R$ 12 mil”, destaca Sacon.

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O produtor Jocemar Marta, do distrito de Pinhalzinho, possui uma área plantada de 25 hectares de laranja. “Minha família está muito contente com a atual produção e produtividade, além do lucro que obtivemos nesta atividade”, diz. A maior parte da produção de laranja é transformada em suco para exportação, na Indústria de Sucos Alto Uruguai (Isau). A outra parte é comercializada in natura. A área dedicada ao cultivo no Rio Grande do Sul já foi maior, mas após uma queda registrada na década passada, voltou a aumentar, conforme o Censo Agropecuário 2017, o que deu novo impulso à produção, que chegou a 234,5 mil toneladas, segundo o IBGE.

Erva-mate

Estreitamente ligada à tradição gaúcha, a cultura da erva-mate viveu altos e baixos em períodos recentes, mas o saldo das últimas duas décadas é positivo. A produção passou de 80,9 mil toneladas em 1995 para 144,6 mil em 2017. Segundo o coordenador técnico da Câmara Setorial da Erva-Mate, Tiago Antonio Fick, a informação estatística de produção e área tem desafiado o setor pela falta de “sistemas confiáveis para elaboração de números da cadeia”. O entendimento é de que houve um aumento de área cultivada.

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Com relação à produção, no entanto, Fick aponta que os números podem estar subestimando o volume colhido, já que, em 2017, somente 26 empresas que contribuem com o Fundomate (a adesão não é obrigatória) beneficiaram um total de 58,6 mil toneladas de erva-mate. Ao todo, o setor calcula que cerca de 250 indústrias estão no ramo. O cadastro do setor ervateiro, em andamento, é uma tentativa de organizar estes números.

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Sobre o momento do setor, Fick aponta que a cultura ganha força em regiões como o Vale do Taquari e é impulsionada pelo surgimento de novos produtos, mas sente os efeitos do avanço da lavoura de grãos. “O setor vem enfrentando uma nova perda de áreas, substituídas por cultivos anuais, especialmente o da soja, de modo mais acentuado no Noroeste e Missões”, observa.