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Porto Alegre, sábado, 19 de Janeiro de 2019

  • 07/01/2019
  • 21:34
  • Atualização: 21:46

Produtores rurais detectam mais mortes de abelhas

Depois do caso de São José das Missões, há relatos semelhantes em Cruz Alta, no Noroeste do Estado

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Depois da morte de abelhas de 108 colmeias em São José das Missões, na semana passada, outro caso, semelhante, vem preocupando os produtores de mel no Rio Grande do Sul. Em Cruz Alta, na região Noroeste, foi contabilizada a morte de abelhas em 600 colmeias.

O presidente da Associação dos Apicultores de Cruz Alta (Apicruz), Salvador Gonçalves da Silva, disse que a entidade, que conta com 60 associados, estuda se irá registrar boletim de ocorrência. Novas perdas são relatadas a cada dia, segundo Silva.

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Outra situação que intriga produtores e técnicos ocorre em Caçapava do Sul, onde um enxame extraordinariamente grande foi encontrado. As causas ainda não foram identificadas.

Cenário preocupante

O coordenador da Câmara Setorial da Apicultura e Meliponicultura, Aldo Machado dos Santos, afirmou que o cenário é de preocupação, já que as denúncias dispararam neste ano. No ano apícola de 2018 foram registradas perdas de 1,6 mil colmeias, embora a estimativa é de que o número real seja maior devido à subnotificação. De acordo com Santos, neste ano as perdas podem ultrapassar 3,5 mil colmeias, cada uma com 70 mil a 80 mil abelhas.

A expectativa é de que os casos mais recentes estimulem o apicultor a informar os órgãos competentes. A prioridade neste momento, segundo o coordenador, é identificar qual produto provocou a morte das abelhas. Apicultores têm dito que a causa se deve à aplicação do inseticida à base de Fipronil, utilizado no controle do tamanduá-da-soja em lavouras vizinhas.

Santos destacou ainda o fato de que o prejuízo da mortandade extrapola a produção de mel. “O maior impacto é a perda ambiental”, resumiu, referindo-se à importância da polinização para diferentes cultivos.

Quanto ao caso registrado em Caçapava do Sul, Santos afirmou que as abelhas sofreram um estresse grande, que pode ter sido ocasionado pelas altas temperaturas da região ou pelo uso incorreto de agroquímicos e, como forma de se proteger, migraram de onde estavam. Nos arredores, as lavouras de soja registraram aumento nos últimos anos. “Em todo local onde a soja está crescendo está aumentando o número de incidentes com abelhas”, observou Santos, que disse que em 99% dos casos a culpa é da aplicação incorreta dos produtos químicos.

Colmeia Viva 

A iniciativa Colmeia Viva, capitaneada pelo Sindicato Nacional das Indústrias de Produtos para Defesa Vegetal, informou que deve deslocar uma equipe para São José das Missões. Agricultores e criadores de abelhas podem entrar em contato com a equipe de assistência técnica pelo fone 0800 771 800, diariamente, das 7h às 19h. O atendimento visa ouvir relatos e tirar dúvidas, sugerir medidas, compartilhar informações e, se necessário, encaminhar visita de uma equipe.