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  • 03/08/2016
  • 21:36
  • Atualização: 21:42

COI critica duramente o Comitê Rio 2016 e diz que atletas estão "nervosos"

Organizadores admitem que estão cortando serviços diante de problemas financeiros

Carlos Arthur Nuzman, presidente do Rio 2016, tentou minimizar os problemas que Rio 2016 vem enfrentando | Foto: Fabrice Coffrini / AFP / CP

Carlos Arthur Nuzman, presidente do Rio 2016, tentou minimizar os problemas que Rio 2016 vem enfrentando | Foto: Fabrice Coffrini / AFP / CP

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  • AE

O Comitê Olímpico Internacional (COI) atacou nesta quarta-feira os planos de transporte, segurança, acesso aos locais de eventos, finanças e poluição, além de alertar que partes das obras ainda estão atrasadas. Segundo os delegados do COI, os atletas estão "nervosos" diante dos problemas com que se depararam no Rio. Os organizadores brasileiros admitem que as críticas vão "chacoalhar" o Comitê Rio 2016.

Pela primeira vez em sete anos, o Rio 2016 falou de dificuldades jamais reveladas publicamente. Reconheceu que parte das obras só serão concluídas quando o evento já estiver em andamento e admite que está sendo obrigado a cortar serviços diante dos problemas financeiros.

A crise inédita às vésperas do evento explicitou a preocupação e insatisfação de muitos dos delegados estrangeiros. Um deles, ao jornal O Estado de S.Paulo, admitiu que "nunca havia vivido uma crise assim". Carlos Arthur Nuzman, presidente do Rio 2016, visivelmente nervoso, tentou minimizar o bombardeio de perguntas: "Foi menos do que eu esperava". O COI dedicou parte de sua reunião anual para ouvir o último informes do Rio 2016 sobre o evento. No lugar de um encontro tranquilo, a reunião mostrou a dimensão dos problemas.

Nuzman se recusou a falar de questões financeiras aos jornalistas e passou para a questão para o CEO do Rio 2016, Sidney Levi. O executivo literalmente correu dos jornalistas aos gritos: "Salve-me, salve-me". Levy foi parado pelo diretor de Comunicação da Rio 2016, Mario Andrada, alertando: "Isso aqui não é um circo. Vamos parar e responder às perguntas que temos de responder". Mesmo assim, o CEO foi vago nas respostas.

O presidente do COI, o alemão Thomas Bach, disse que "é prematuro fazer elogios e é cedo para comemorar". "Vemos as dificuldades", disse. Nesta quarta-feira, um a um, os membros do COI criticaram o Rio 2016. Para Pierre Beckers, membro da entidade, o problema central era o acesso ao Parque Olímpico. "Filas muito longas têm se formado, com espera de até 45 minutos. E nem começamos o evento. Isso poderá criar muita frustração", alertou um dos delegados.

Nuzman disse que o problema teria sido a troca da empresa que fariam o controle das máquinas de raio X e o uso da Força Nacional. "Essas perguntas precisam ser colocadas para quem tem essa função", disse. Nuzman ainda alertou que todas as delegações estavam avisadas de que a questão da segurança poderia atrapalhar.

Outra crítica é o trânsito. "Há muito tempo perdido, deixando atletas e treinadores nervosos. Eles precisamos chegar na hora para treinos e eventos", atacou. Para Denis Oswald, outro membro do COI, a questão da acesso precisa ser resolvida. "Tivemos muitas dificuldades para ter acesso. O trânsito é muito ruim", disse.

Leo Grinner, do Rio-2016, jogou a responsabilidade para a prefeitura do Rio. "Isso é uma operação da cidade", disse. Não faltaram críticas aos atrasos das instalações. "Apenas 15% dos cartazes e sinais estão instalados", disse Camiel Eurlings. "Quando é que isso vai ser completado?" O Rio-2016 explicou que, por falta de dinheiro, encomendou placas de uma empresa ucraniana que fabrica na China. Mas a entrega atrasou e, quando o material chegou, estava com problemas de dobras e brilhante, atrapalhando as imagens em todos os locais de eventos. "Algumas estão feias", admitiu Andrada. O Rio-2016 admitiu que algumas delas serão colocadas depois que o evento começar.

A crise é ainda financeira. Levy admitiu que, por conta dos problemas da Vila Olímpica, planos de contingência tiveram de ser estabelecidos. "Tem sido muito difícil equilibrar", reconheceu.


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