Contemplativo e sedutor

“Alfa” (Alpha), dirigido por  Albert Hughes, não é um filme de fácil assimilação, mesmo que seja vendido como uma obra para a família, mostrando algo já visto centenas de vezes – a amizade improvável de um humano com um animal, no caso daqui um lobo. A trama se passa na Europa, há 20 mil anos, ou seja, na Era do Gelo, onde um jovem herdeiro de uma tribo não consegue se encaixar – ao contrário dos guerreiros, Keda (Kodi Smit-McPhee, de Deixe-me entrar “2010”) não gosta de matar. Um dia, durante uma caçada, o jovem é atacado por um bisonte e cai em um abismo.

Ele é dado como morto, o que leva seu grupo a não tentar resgatá-lo. Abandonado, Keda terá de começar a agir diferentemente de seu jeito de ser para sobreviver. É quando é atacado por uma matilha de lobos. Ele consegue ferir um deles, mas ao invés de matar o animal, resolve curar as feridas do lobo, que acaba se afeiçoando. Os dois partem, então, em uma jornada por aquele mundo hostil, para Keda tentar retornar à sua tribo. Aí o filme fala de amadurecimento, amizade. Tem violência, mas quase sem sangue. E o final apresenta uma surpresa. E “Alfa” também mostra como os homens começaram a adestrar os animais selvagens. Um filme que não vai agradar a todos, por apresentar uma narrativa contemplativa, com poucos diálogos. O visual é arrebatador, com algumas cenas de prender o fôlego. Uma ótima sessão da tarde.

CineCP :