Francisco Novelletto: “Quisera toda a empresa fosse igual a CBF, esse país seria diferente”

Francisco Noveletto é um dos novos vice-presidentes da CBF na gestão Rogério Caboclo – Foto: Ricardo Giusti

 

Por Carmelito Bifano, com participação do repórter Geison Lisboa, da Rádio Guaíba

 

Presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF) há 14 anos, Francisco Novelletto, 63 anos, foi eleito nesta semana um dos oito vice-presidentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na gestão do presidente Rogério Caboclo. Oposição no último pleito, que elegeu colocou Marco Polo Del Nero, o “dono” do futebol gaúcho explica porquê mudou de ideia e resolveu entrar na instituição que teve no centro do furacão que abalou a Fifa. Novelletto comenta os movimentos políticos que ocorreram na eleição e as críticas dos clubes e do senador Romário em relação a forma da escolha do mandatário, que dá peso três para as federações, dois para clubes da Série A e um para os times da Série B.

 

Correio do Povo: Quais serão as suas atribuições como vice-presidente da CBF?

Francisco Novelletto: Vou ficar responsável pela região Sul. Disse a eles que vou ser voz ativa, mas, principalmente, defendendo os assuntos relativos dos três Estados.

 

Como vai funcionar na prática o trabalho?

Novelletto: Falta um ano para assumirmos e não sei também se vai pintar algum convite para ser um diretor da CBF. Daí muda tudo. Mas, a princípio, teremos duas reuniões mensais. Como disse o Rogério Cabloco: “Eu te quero do meu lado”. Porquê ele é um grande CEO e mais voltado para a administração. Então, precisa se cercar de pessoas que conheçam um pouco mais o futebol. Hoje tudo é online e estaremos diretamente ligados durante todo o dia.

 

Confira a entrevista com Francisco Novelletto na íntegra

 

O senhor era oposição a CBF. O que mudou?

Novelletto: Passaram quatro anos e meio e eles acertaram. Valeu muito ter levantado a bandeira, pois ficamos vigiando. De dois anos para cá, eles acertaram o ponto. A CBF hoje é um case mundial. Quem faz 19 campeonatos ao custo direto de R$ 400 milhões? Sem contar os recursos que eles passam para as federações. Só para a Gaúcha foi de R$ 1 milhão por ano. Até então, os clubes do interior pagavam todas as despesas, mas hoje não colocam um centavo. Com Ricardo Teixeira, a CBF tinha R$ 220 milhões, hoje está em R$ 850 milhões por ano. Não tem dinheiro público. Não tem dinheiro de clube. Pelo contrário, eles investem quase R$ 500 milhões nos clubes. Então, vou ficar dando porrada por uma vaidade, por um objetivo ou por um sonho de querer ser presidente? Não posso ficar batendo neles quando sinto que deu certo. Se o adversário me venceu, é mais forte, me alio. Se tivesse errando como antigamente, seria oposição até hoje.

 

Quem é Rogério Caboclo?

Novelletto: Para começar, ele não gosta de aparecer. É humilde e simples. O Rogério Cabloco foi CEO do São Paulo por 10 anos. Fez um trabalho tão bom que a Federação Paulista de Futebol contratou e, agora, está na CBF há seis anos. O trabalho dele foi fundamental para puxar o orçamento. Em 2018, ele quer chegar a R$ 1 bilhão. Além disso, neste período, conquistamos um torneio olímpico e temos esse belo trabalho feito pelo (técnico) Tite na Seleção.

Rogério Cabloco foi eleito presidente da Confederação Brasileira de Futebol no último dia 17 – Foto: Leandro Lopes / CBF / Divulgação / CP

 

Cabloco revelou que os dois pilares da gestão seriam eficiência e integridade. Como a CBF pode fazer para ser mais íntegra e mais eficiente? Além disso, a transparência também não é importante, depois dos episódios dos últimos anos?

Novelletto: Eficiente ele é por natureza. Integridade também. Quanto a transparência, ele tem que mostrar tudo. Basta entrar no site da CBF e qualquer um pode ver quanto arrecada, quanto gasta e para aonde vai o dinheiro. Mesmo sendo uma empresa privada, tem que prestar conta para a Receita Federal e para o Ministério Público. Mas é uma empresa de interesse público? Então, no que o governo ajuda? Nada, pelo contrário, cobra milhões de imposto. Nestes R$ 850 milhões, quase R$ 200 milhões vão para o cofre do governo, sem ter um retorno. Admito que fizeram coisas erradas, mas quisera que toda a empresa fosse igual a CBF. Esse país seria diferente.

 

Quais coisas que a CBF fez de errado?

Novelletto: Dito por vocês (da imprensa). Principalmente, a situação do Catar. Parece que deram um voto de apoio. Eu soube pela imprensa. O Marco Polo Del Nero, que não faz mais parte da CBF, nega até hoje. Dinheiro tem rastro. Se pega aqui, tem que aparecer ali. Agora, vocês podem ficar tranquilos e confiar em mim, pois não vão encontrar nada. Já deram duas suspensões para ele e o resto todo foi banido. Michel Platini (ex-presidente da Uefa), Jerome Valcke (ex-secretário-geral da FIFA) e Joseph Blatter (ex-presidente da Fifa) foram banidos na hora. Para o Del Nero, vão dar mais duas ou três vezes para satisfazer os americanos. Os Estados Unidos perderam a Copa. Disseram que deram uma rasteira, com uma ajuda financeira, para votarem no Catar. Agora, já viram algum clube dizer que o Del Nero roubou deles?

 

Francisco Novelletto é empresário do ramo de eletrodomésticos e instrumentos musicais – Foto: Itamar Aguiar / CP memória

O senhor só entra na CBF porque Del Nero não está mais na instituição?

Novelletto: Não teria nem como trabalhar com o Del Nero. Nada a ver com os problemas que vocês falam, mas o casamento não fecha. Incompatibilidade de gênios. Durante esses quatro anos, falamos muito pouco. Ele foi muito infeliz há quatro anos e meio, no dia do meu aniversário. Havíamos feito um pacto de que não concorreria, mas a mídia paulista requentou uma notícia (reproduzir novamente uma notícia já divulgada) e ele me ligou às 7h. Olhei para o celular e pensei: “Que legal, está ligando pelo meu aniversário”. Pegou a notícia e entrou lotado. Moro em um condomínio com oito apartamentos e todo mundo ouviu a gritaria. Desde então, nunca mais afinamos. Nunca sentamos para conversar. Respeito ele, como ele me respeita. Eu levantei a bandeira de ser oposição e ele nunca deixou de me atender. Pelo contrário, passei a ser mais respeitado, até porque eles me conhecem. Não dependo do futebol. Sou empresário. Estou dando meu tempo, sem interesse nenhum. Até o meu salário (da FGF) é doado para uma instituição. Por isso, ele sempre me respeitou. Fomos oposição, mas tenho que respeitar porque ele sempre me respeitou.

 

O senhor conversou com o Reinaldo Rocha Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol, sobre os motivos que o fizeram desistir de concorrer na eleição?

Novelletto: Ele não conseguiu apoio, como eu não consegui há quatro anos. Só que ele deu aceite e eu achava que ele ia dar uma de Chico Novelletto. Eu não assinei o aceite da candidatura do Marco Polo e tive a hombridade de não votar no Del Nero. Para a minha surpresa, deu 27 votos (na eleição). Eu fui até o fim. Apenas o Corinthians não votou (no Rogério Cabloco).

 

Por que a CBF aumentou de quatro para oito os vice-presidentes?

Novelletto: São oito, mas não são iguais. Tem os convidados. Força política, entendeu? E tem os regionais. Como, normalmente, são quatro anos, eles perderiam representantes importantes como o (Fernando) Sarney, como o (Gustavo) Feijó, presidente da Federação de Alagoas, como o Marcus Vicente (que foi o interino durante o primeiro afastamento de Del Nero) e o coronel (Carlos Antonio) Nunes (que assumiu após o afastamento de Marcus Vicente no segundo afastamento de Del Nero). A permanência do coronel foi um reconhecimento por ter aceitado assumir a CBF e agora, com o novo presidente, ficaria sem mandato, pois desistiu da Federação Paraense. Então, foi por uma questão de gratidão.

 

Novelletto será o vice-presidente que representará a Região Sul do Brasil – Foto: Ricardo Giusti

A permanência deles não o incomoda?

Novelletto: Eles ficaram, pois são representantes políticos, que é uma parte que não farei. Vou cuidar apenas da minha região. Na parte política, eles têm os representantes deles. Se aqui (no Rio Grande do Sul), que tenho três ou quatro campeonatos, já dá muita bronca, imagina na CBF que tem 19. O dirigente não é amigo de ninguém. Quando a coisa aperta, eles vem contra a entidade. Então, eles têm que ter um resguardo, pois senão os campeonatos não terminam.

 

Alguns clubes estão reclamando de como é feita a eleição devido aos pesos dos votos que tem em relação as federações, três contra dois dos da Série A e um da Série B.

Novelletto: Estão reclamando, mas votaram quase com unanimidade. De 40 clubes, 37 votaram a favor. Não dá para entender. Os clubes da Série B ganham R$ 7 milhões e todas as despesas pagas. É uma injustiça. Flamengo e Corinthians ganham cento e poucos milhões de reais. Isso é vaidade do presidente e não do clube. Em lugar nenhum do mundo, ele vai ter o tratamento que recebe da CBF.

 

Se os clubes reclamam tanto das federações ou da CBF, por que eles não tentam mudar?

Novelletto: O Flamengo e o Corinthians resolveram não votar e eles são livres para isso. Eu também era contra, mas a CBF passou a acertar. Veja bem, o Grêmio ganhou R$ 3 milhões pela Libertadores, mas pagou todas as despesas. Agora vai mudar. Na Recopa, o presidente Alejandro (Domínguez, da Comebol) disse que vai aumentar para R$ 30 milhões (o valor anunciado pela Conmebol é de US$ 6 milhões, aproximadamente R$ 20 milhões e o vice receberá metade). Disse para ele que estava atrasado, pois só a Copa do Brasil vai pagar R$ 68 milhões. O que o Grêmio ganhou pela Libertadores, eu paguei no Gauchão. Aqui o Grêmio gastou o diesel para viajar pelo Estado. A CBF vai pagar o dobro e ainda vai pagar as despesas. A Sul-Americana não paga nada. Então, tem que haver um reconhecimento. Grêmio e Inter ganharam quase R$ 13 milhões pelo Gauchão e aqui tem bronca.

 

O senador Romário (Podemos-RJ) denunciou a Procuradoria-Geral da República uma suposta organização criminosa na eleição para manter o poder na mão do Del Nero. Como o senhor recebe essa denúncia?

Novelletto: É aquela pessoa que não entende que as pessoas e as entidades mudam. Hoje, o Marco Polo não faz mais parte da CBF. Existe profissionalismo, pois não é de uma hora para outra que um orçamento vai de R$ 220 milhões para R$ 850 milhões em dois anos. Se profissionalizou de uma maneira que estive 12 dias com a Seleção e não achei um furo ou uma falha.

 

Francisco Novelletto comandou o São José, da zona Norte de Porto Alegre, por 19 anos – Foto: José Ernesto / CP Memória

Como o senhor recebeu o voto em branco do Corinthians e a abstenção do Flamengo no ano anterior a mudança na fórmula de distribuição dos valores pagos aos clubes pelo Campeonato Brasileiro?

Novelletto: São os que mais ganham, só para ver a injustiça.

 

No próximo ano, vão ganhar menos e com regras mais parelhas com os demais clubes. Pode ter sido por isso?

Novelletto: Não tem como contentar todos. A minha gestão é 101% transparente. A possibilidade de rolos é menos um. Então, o Romário não vai criticar? E é meu amigo particular, mas acho que ele não quer aceitar que a CBF acertou. Você tem que dar a mão a palmatória e reconhecer.

 

Romário deseja ser presidente da CBF?

Novelletto: Eu acho que ele tem o interesse, pelo tanto que está batendo. Lá no fundo, ele está querendo, com certeza.

 

A CBF é a maior empresa do Brasil?

Novelletto: É uma das maiores. Qual a empresa que tem um faturamento de R$ 1 bilhão?

 

Se a CBF é uma das maiores do Brasil, e há um debate sobre o árbitro de vídeo (VAR), por que a entidade não paga esses custos?

Novelletto: Eu não concordo também. Como você vai fazer uma lei para 400 jogos? Terão partidas que não terão mais interesse. A CBF tinha que deixar livre. O clube que quiser (o VAR ), que peça. O Flamengo ganha mais de R$ 100 milhões. A CBF dá R$ 330 milhões para a Copa do Brasil. Dá R$ 68 milhões para o campeão da Copa do Brasil. É um jogo importante? Pega R$ 50 mil e paga. Eles pagam R$ 600 mil para um jogador que fica treinando em separado em um contrato de três ou quatro anos. Será que eles não podem pagar em um jogo decisivo?

 

Novelletto levou para a FGF a modernização do Campeonato Gaúcho e ampliou consideravelmente os valores pagos para cada clube – Foto: Valmoci Vasconcelos / CP memória

O senhor tem medo que as investigações em relação corrupção cheguem ao futebol no momento que o senhor entrou para a CBF?

Novelletto: Ninguém vai me contaminar. Tu pode ser o maior vigário (no sentido de enganador) do mundo, mas posso manter uma amizade contigo. Alguma coisa de bom vou tirar de você. As coisas boas tu aprende, as coisas ruins joga fora. Recicla. Tenho certeza que nada vai acontecer na CBF. Mesmo que aconteça, a minha imagem vai permanecer, pois nunca estarei envolvido. E tenho muito que ensinar e aprender com as pessoas da entidade.

 

O senhor era um empresário bem-sucedido. Quem o motivou para assumir a federação?

Novelletto: Quem me motivou foi (ex-presidente da FGF) Rubens Hofmeister. Anos antes de virar presidente, ele fez uma reunião, me convidou e, no jantar, me lançou como candidato. Foi ali que despertou o desejo, mas depois esqueci. Passados seis anos, o (ex-presidente da FGF Emídio) Perondi me bancou. Na época, como está acontecendo com o Luciano Hocsman, todo mundo dizia que eu seria o presidente, mas que comeria na mão do Perondi. Estão falando do Rogério Cabloco e estão falando do Luciano, que vai comer na mão do Novelletto. Não vou passar nem na frente, justamente o que aconteceu com o Perondi.

O Luciano Hocsman bate cartão aqui na FGF. Ele passou a acumular a função de diretor jurídico com a morte do Luiz Fernando (Costa, em 2015). Então, sabe mais do que eu sobre a entidade. Por que vou ficar aqui ensinando ele, se sabe mais do que eu? Aprendi com o Hofmeister a não brigar tanto.

 

Como o senhor vê o momento de Grêmio e Inter?

Novelletto: O Grêmio está encaixado. Se colocarem o Novelletto lá, ninguém vai notar.

 

Novelletto assumiu a FGF em 2004 indicado pelo ex-presidente Emídio Perondi (d) – Foto: José Ernesto / CP Memória

 

Colocar no time ou de técnico?

Novelletto: No time. Se o Grohe bobear, eu pego aquela barca. (risos) Ele que não dê brechas. Se o André jogar bola e se tiver uma boa cabeça… E com o Renato, que está impossível, ele vai ter. Jogar, o André sabe muito. Se ele der certo, o Grêmio vai buscar mais canecos, com certeza, esse ano.

O Inter está tentando. Não é fácil. Confio no (presidente do Inter) Marcelo Medeiros. É um cara com pés no chão, moderado e na dele. Sou suspeito de falar do menino Odair (Hellmann). Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas com o Odair espero que aconteça, pois ele é de Salete, no ladinho da minha cidade natal, Pouso Redondo, em Santa Catarina. Torço muito por ele.

 

Sobre a situação do Grêmio não gostar do Novelletto? Isso a gente falou durante muito tempo…

Novelletto: Eu dei um exemplo quando falei que não fechava com o Marco Polo, mas nunca deixei de atender… Inimigo é quando um pede e o outro não faz. Nunca tive problema com o Grêmio. Esses dias o Romildo (Bolzan Júnior, presidente do Grêmio) disse que gostava de mim, mas que tinha defendido o Grêmio. Disse para ele que não precisava, pois defendo todos os clubes gaúchos sem nenhum tipo de diferença.

 

Grêmio e Inter têm uma boa relação com a Federação Gaúcha?

Novelletto: Sempre tivemos, mas cara de vencedor não é a cara de quem perde.

 

Com Novelletto na presidência da FGF, o Rio Grande do Sul conquistou um Mundial, três Libertadores, três Recopas, uma Sul-Americana e uma Copa do Brasil – Foto Abelardo Marques / CP memória

O Grêmio passou muitos anos sem ganhar o estadual…

Novelletto: Nestes dois anos que o Inter não ganhou, o culpado foi o Novelletto. Sempre sobra para a Federação. Quando faço a assembleia do Gauchão, e estou de brincadeira com os presidentes, sempre digo que não confio neles. Porquê na hora que aperta, eles fazem pressão de um lado, o conselho faz do outro e a torcida do outro. Daí, tem que achar um culpado.

A comissão técnica faz a cabeça dos dirigentes. Falo isso porque tive um clube durante 19 anos e conheço o outro lado. Todas as comissões técnicas têm a mesma cabeça. Eles desconfiam da sobra. Passam o dia todo, em tom de sacanagem, apontando isso e aquilo. “Olha mudaram essa data para…”. Não tem nada a ver.

Agora mesmo, na segunda rodada de um campeonato da FGF, um treinador levantou suspeitas. Foi a televisão que modificou para ajeitar a grade. Eles acham que foi a FGF que queria prejudicar um clube que tinha que jogar no outro lado do país e depois aqui embaixo. Está dentro das 72 horas (antes do jogo), amigo. O que não pode é mudar a grade dentro das 72 horas. Se o clube recebe tanto por mês, então, ele assinou um contrato que diz que a televisão tem direito a ajustar a sua grade.

Quando deu a primeira bronca com o Romildo, perguntei para ele: “O que houve presidente, jantamos há dois dias”. Ele me disse, “gosto de você para caramba, mas tive que dar satisfação para a torcida”.

Ele estava chegando ao futebol, vindo da política, e achou que tudo era fantasma também. Com a cabeça feita pela comissão técnica, acabou fazendo aquilo. Acertamos e hoje é um grande amigo. Ele me chama de procurador e eu digo “não, sou teu amigo”, como sou de todos os outros.

 

Fora a dupla Gre-Nal, qual é o clube gaúcho que mais tem crescido?

Novelletto: Pela história, o Juventude. O Brasil vem em crescimento, mas ainda está abaixo. Respeitamos todos e faço uma administração onde todos têm o mesmo direito.

 

Mas, presidente, o Brasil está na Série B. Tem construído o estádio com recursos próprios…

Novelletto: O Juventude está pronto há anos. Torço para que o Brasil venha arrebentando, mas vamos respeitar a história do Juventude, que tem um belo patrimônio e uma bela estrutura.

 

Foco da FGF para o Gauchão 2019 é melhorar a iluminação dos estádios – Foto: Paulo Nunes / CP memória

Como a federação pode ajudar na melhoria da estrutura dos clubes, em especial os estádios?

Novelletto: O Gauchão tem os melhores gramados dos estaduais do Brasil. O próximo passo será a iluminação. Esse ano ainda deixamos a desejar. Vamos cobrar forte a questão da iluminação.

Quanto a ajudar a fazer estádios, a Federação não cobra nada de nenhum clube do interior. Grêmio e Inter têm vida própria, pelas suas grandezas. De onde a Federação vai tirar dinheiro para fazer estádios? Pagamos até a arbitragem, mas de onde vamos tirar para construir estádios? O governador (José Ivo) Sartori vai me dar o valor? Não! Não tem verba. A única taxa que cobramos e que está na lei que é 10% (da renda bruta para a federação e para o pagamento do INSS), nós cobramos 5% (referente ao valor). Ainda abrimos mão de 5%. Ainda damos a bola, o seguro, os bilhetes, o pessoal que faz a fiscalização, os registros e as transferências. Não cobramos nada mais.

 

Grêmio e Inter estão devendo para a FGF?

Novelletto: Não estão devendo.

 

A dupla Gre-Nal antecipou receitas este ano junto a FGF?

Novelletto: Um pouco.

 

Os dois?

Novelletto: Só um.

 

Foi o Inter?

Francisco Novelletto: Não sei. Isso é você que está dizendo. Foi o ano que menos pediram antecipação. O Grêmio era o campeão, mas, agora, o clube está bem. Felizmente.

 

Qual a porcentagem de antecipação presidente?

Novelletto: Foi 25%.

 

O senhor sai no final de 2019 e acredita que o Luciano Hocsman terá concorrência?

Novelletto: Falam tanto da eleição da CBF, mas aqui também. Por que não veio candidato? Tu acha que eu não gostaria de ir contra a CBF? Eu já fui. Essa vez, eu dei uma olhada, mas não dá porquê é fria. É o mesmo que acontece aqui. Tu acha que não tem interesses? Mas ir contra o Novelletto? Agora que o Novelletto saiu fora, está mais próximo de aparecer alguém. Agora dá para chegar.

O melhor para o momento, o que mais entende da Federação, um cara decente, de bom berço, boa índole e o mais preparado é o Luciano (Hocsman). Agora, isso aqui não é ditadura. Se tiver alguém que queira, pode concorrer.

 

Luciano Hocsman (C), presente desde a 1ª eleição de Novelletto, em 2004, é o indicado para a concorrer à presidência da FGF em 2020 – Foto: José Ernesto / CP

 

O senhor ficará 16 anos à frente da federação e muitos criticam os longos mandatos. Quando sair, vai entregar uma federação melhor?

Novelletto: Mil por cento! Um milhão por cento. O estar há muito tempo ou pouco tempo é muito relativo. O incompetente não pode ficar três dias. O Novelletto é um ditador e quer ficar 300 anos? O bom tem que ficar 800 anos. Não me interprete errado. Sou a favor da transparência. Tem que ser competente e honesto. Esse é o lema da minha vida. Agora, o incompetente dá mais prejuízo que o corrupto.

 

 

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