Renato e os quero-queros

Ao pressentir uma ameaça o quero-quero emite seu som característico para despistar os predadores gritando, voando ou indo para longe do lugar onde realmente está o ninho.
O quero-quero é o verdadeiro criador do diversionismo. Do dicionário Priberam sobre diversionismo: “Aquilo que serve para enganar ou para esconder. Cortina de fumaça”.
Renato é fiel seguidor do diversionismo, da cortina de fumaça.
Na coletiva dominical despistou ao falar sem dizer nada:
“Estamos calados há seis meses.
Vocês não sabem.
Os jogadores do Internacional sabem do que estamos falando.”
Achou não ser suficiente: para desviar de vez as atenções sobre a derrota tentou invadir o vestiário do Inter.
A manobra diversionista surtiu efeito: pouco ou nada se falou daquilo que era realmente importante e que interessava.
Dos últimos 15 pontos disputados no Brasileiro o Grêmio ganhou apenas 5, são 33% de aproveitamento; ficou oito pontos atrás do líder Inter; não marcou gol em nove jogos do nacional; André, atacante que custou R$ 10 milhões por 70% dos seus direitos econômicos, atuou em 23 oportunidades e marcou apenas quatro gols, quase sempre saindo de campo sem ter entrado…
Despistando, Renato nada falou sobre a veteranice de muitos jogadores que ele mandou desembarcar e poupou os dirigentes ao não comentar a questão das volâncias.
O volante Michel sofreu uma lesão muscular no posterior da coxa direita em maio, com previsão de parada longa.
Dois meses antes o Grêmio havia vendido Arthur para o Barcelona para entregar no começo de 2019.
Entregou em julho.
No final de agosto vendeu Jaílson ao Fenerbahce por 4 milhões de euros.
Sem poder contar com Maicon no Gre-Nal, foi de Thaciano e Cícero.
A derrota, que poderia ter sido justificada pelas três ausências importantes num Gre-Nal equilibrado, ganhou uma dimensão que nem e longe teria não fosse o alarido de Renato.

Hiltor Mombach :