Porto Alegre, 21 de Outubro de 2014

massacres em escolas, especialidade norte-americana

Postado por Juremir em 15 de dezembro de 2012 - Cotidiano

Mais um massacre numa escola dos Estados Unidos.

Tornou-se rotina.

Uma especialidade norte-americana como coca-cola e hambúrguer.

Só os americanos ainda não perceberam que vender armas como quem vende batata frita facilita a vida dos bandidos, dos psicopatas e dos serial-killers.

Quanto mais armas em circulação, mas desprotegida a população.

Os americanos não querem rever sua tradição armamentista.

Acham que ainda estão nos tempos do Velho Oeste.

Toda vez que se organiza o presente em função do passado, em nome da tradição, é o futuro quem paga a dolorosa e mortífera conta.

Tem gente no Brasil que defende esse imaginário.

São os “homens de bem” a serviço do mal.

Defender a livre comercialização de armas é uma política comercial de extrema-direita em nome de uma pretensa liberdade de defesa e de princípios.

Não adianta desarmar a população se os bandidos estão armados?

Quando mais a população se arma, acreditando que vai se proteger melhor, mais fornece material bélico gratuito para criminosos.

O criminoso pode estar dentro de casa.

A sequência de massacres de inocentes nos Estados Unidos é um sintoma: há algo de muito podre no imaginário do grande país do norte.

Um imaginário é um reservatório de vivências, emoções, traumas, imagens, sentidos, afetos, tudo o que significa algo para alguém, e um motor.

As tecnologias do imaginário, que variam de época para época, ajudam a alimentar essa reservatório, que nunca se esgota, e a ligar esse motor.

O cinema e a televisão são as principais tecnologias do imaginário americano.

Desde a origem, tornada mitológica, fazem a narrativa do pistoleiro solitário.

Darão algum contribuição, mesmo involuntária ou sob a forma de crítica, para o massacre em escolas como especialidadade nacional?

A eterna luta entre bem e mal por meio da violência é um prato servido diariamente pelos Estados Unidos para o mundo inteiro.

Algumas culturas produzem antídotos contra essa overdose de imagens.

Será que os Estados Unidos são justamente os mais frágeis para neutralizar o mal que produzem para alanvacar uma construção simbólica do bem?

Outro efeito perverso dessa hiper-realidade é a exportação do modelo.

O serial-killer escolar já chegou a vários países.

Mas continua sendo uma marca profundamente norte-americana.

Até quando?

A violência dos games, nova e poderosa plataforma da violência, será também uma tecnologia do imaginário do vingador solitário disposto a matar e a morrer para aplacar o seu ressentimento contra um mundo que não o recompensa, não o percebe e ainda estimula os seus piores instintos?

Alguém sabe a resposta?


22 Responses

  1. Barbosa disse:

    Só nos EUA, Juremir? Países de tradição pacífica como a Noruega e o Japão recentemente também choraram matanças horrendas. O problema se chama DOENÇA MENTAL. Aqui, falar em internação compulsória deixa os esquerdistas revoltados.Nos países islâmicos, tão adorados pela esquerdalha, mandam bala nas menininhas que querem frequentar escolas. Porque não escreveste sobre isso? Anti-americanismo juvenil num cinquentão fica meio ridículo, não achas?

  2. marco disse:

    Cuidado comentarista que diz “o pessoal da direita”, talvez voce seja o “pessoal da esquerda”. A curva de Gauss reflete bem isso, cuidado para não estar no outro extremo. Ambos pecam pela intolerância, perdem a razão e se sentem donos da palavra final.

  3. Theo Cruz disse:

    Sou teu leitor Juremir, e, via de regra, concordo com o que dizes. Nesse caso, contudo, a crítica, além de óbvia, é superficial, atribuindo ao imaginário estadunidense, manifesto em filmes e games, a responsabilidade por estes massacres. Na verdade, antes de inspiração, vejo essas manifestações do “imaginário estadunidense” (e do imaginário mundial, na verdade, mudando apenas a maneira como ela é encarnada de acordo com a cultura – nós aqui temos nossos Dadinhos e Capitães Nascimento; os japoneses tem seus filmes de Samurai, etc…) como válvula de escape para a intrínseca violência inerente à natureza e ao ser humano por extensão, fruto do elemento de competitividade que caracteriza as organizações naturais. A venda indiscriminada de armas a civis também é um problema: nem todos possuem o preparo e a responsabilidade necessários para se ter uma arma. Contudo, não sou a favor da proibição de armas, e sim de uma rígida regulamentação e controle do comércio legal de armas, bem como do incessante combate ao tráfico de armas. Em verdade, anseio pelo tempo em que a humanidade não mais verá necessidade em armar-se. É uma utopia. A arma, em si, é um utensílio, ou mesmo uma ferramenta, o uso que se fará dela é fornecido, sempre, pelo usuário. Noutras palavras, uma espingarda, nas mãos de um morador do interior, ou de um explorador de lugares inóspitos, se transformará em ferramenta de defesa contra animais selvagens, ou de obtenção de comida através da caça. Nas mãos de um maníaco, é um instrumento de massacre. O mesmo pode se dizer de uma banana de dinamite: pode tanto servir ao propósito de explodir uma pedreira para construção de uma nova estrada, quanto para ser atada em feixe junto ao corpo, escondida por casacos e detonada por um fanático no fito de ceifar vidas inocentes. De qualquer modo, armas não são ferramentas quaisquer, de modo que não podem ser vendidas como se vende uma pá: não se pode justificar a aquisição de uma arma, legalmente, por um direito de defesa contra perigos potenciais – no caso americano, ameaça à pessoa ou, principalmente, à propriedade. Deveria haver uma justificativa baseada em fatos concretos: um cowboy que cuide de gado em região conhecida pela presença de pumas e ursos deve ter permissão de portar uma arma adequada – no caso, um rifle. A um cidadão urbano, em tese protegido pelas forças de segurança, o mesmo direito não poderia ser estendido – exceto em caso de fato concreto, como ameaça pessoal.
    Ocorre que a cultura americana não é exatamente violenta – ao menos não mais do que outras culturas ao redor do globo, em sentido amplo. Ela é, sim, exacerbadamente armamentista, ao compreender que a melhor forma de se proteger da violência é combatendo-a com os mesmos instrumentos – as armas. É uma cultura profundamente paranóica, paranoia alimentada pelo medo de serem alvos permanentes (e as raízes desse medo são outros quinhentos). E, ademais, como fruto de um liberalismo galopante e desregrado, é uma cultura em que a competitividade atinge patamares patológicos, incentivada desde a mais tenra idade, já nas escolas. É um modelo que força padrões e excluí, com crueldade aqueles que não se encaixam naquele padrão. Essa divisão é patente nas escolas: há os populares, os expoentes do padrão esperado, e os ´perdedores´, aqueles considerados incapazes de desempenhar com competência o papel deles exigido. Desse modo são marginalizados, banidos e estigmatizados. Não é que não possuam talentos e qualidades: apenas são incapazes de exercê-las na celeridade e no modo que o sistema deles exige, algo como colocar um nadador potencialmente exímio a correr os 100 metros rasos e exigir dele a performance de Usain Bolt. Assim, temos uma sociedade altamente paranóica, com o medo sendo insuflado diariamente na população através dos meios de comunicação, patologicamente competitiva, com cruel exclusão e estigmatização dos “perdedores”, e indiscriminada venda de armas, alimentado com poderio bélico cidadãos desde o berço submetidos a intensa pressão. Evidentemente que, com frequencia, ocorrem eventos como tais massacres. E, a medida que o modelo estadunidense de organização social exerce influencia ao redor do planeta – liberalismo infrene e competitividade exacerbada, verifica-se também a reprodução massacres à moda estadunidense.
    Culpar filmes e games, como dito, além de óbvio, é superficial. Embora não se discuta que esse modelo de tragédia é tipicamente “Made In USA”.

  4. Filipe disse:

    O massacre no realengo ocorreu com armas contrabandeadas. O criminoso não comprou as armas em lojas na esquina de casa. Só um beócio para achar que os criminosos não conseguirão armas pela simples proibição de sua comercialização.

  5. Montesquieu disse:

    Acredito que o problema norte-americano é cultural. Há uma inesgotável valorização do “homem do velho oeste”. O direito de se armar para autoproteção e proteção da família é consequência dessa cultura, assim como a facilidade que têm para comprar armas. Há países em que o acesso a armas é facilitado, mas não há a epidemia identificada nos EUA.

    *OFF TOPIC: Comunismo, Venezuela e Coreia do Norte?!?! Tá na hora de tirar a Veja do lado da privada pessoal!

  6. alemão disse:

    Não são as armas que matam , mas o ser humano . A causa principal dos massacres norte americanos é a competitividade desenfreada , passam uns sobre os outros . Até que alguém surta e acontece isso . Desarmar a população não adianta nada , vão fazer contrabando de armas , vejam as drogas são proibidas mas tem tele-entrega . É mais fácil controlar um cidadão desarmado que um bandido armado ! Vejam o faroeste em que estamos .

  7. sandro disse:

    Jesus…o pessoal da direita é realmente incrível…seu mundo paralelo, foge até da via-láctea…basta apresentar qualquer argumento, que coloque em xeque alguma das inúmeras mazelas da ordem internacional, patrocinadass pelo nosso irmão do norte, pros caras surtarem…o reflexo é incondicionado (Pavlov, se vivo fosse, teria um campo de estudo fantástico com este pessoal)…acionado o botão de controle, lá vem ‘cuba’, ‘comunismo’, ‘venezuela’, coisa e tal…o refinamento intelectual e profundidade deste pessoal, realmente, é dar inveja…

  8. Acho que certos pais não educam seus filhos para a vida,e que amar um filho não é só comprar presentes.Sem limites e sem regras oser humano não é feliz.

  9. Rogério Bezerra disse:

    Eu nunca perdi horas à frente de um joguinho de lutas. Mas entendo os pais que compraram para seus filhos istritifaite e outras boçalidades do gênero. O que dizer… Cabestreados pela mídia, muita gente adota hábitos estranhos a sua própria vontade.

  10. Wagner disse:

    Juremir, teus pratos prediletos devem ser as especialidades Cubanas com seus presos políticos; as especialidades Iranianas e os enforcamentos de gays legitimada por Ahmadinejad; as especialidades do falecido Kadaffi – seviciar adolescentes; Ahh, e já que falaste em extrema-direita: tem uma outra especialidade da extrema-esquerda que tu deves achar puro deleite: é o Regime da Coréia do Norte! Generalizar o trágico massacre nos EUA, culpando sua sociedade, diante de tantas atrocidades cronificadas de genocídio em sociedades antagônicas é muita hipocrisia: podes te lambusar nas especialidades da tua esquerda!

  11. Paulo Roberto disse:

    Os americanos que vivem na América do Norte (EUA)não passam de descendentes dos fanáticos ingleses,que foram expulsos da Inglaterra e por opção para seu fanatismo religioso foi colonizar e povoar o norte da América, por tanto é uma sociedade que nasce de uma patologia incurável, estes são os efeitos colaterais…

  12. Erika disse:

    Primeiro esclareço que sou contra a venda de armas sob qualquer circunstâncias!
    Mas, o que o Juremir quis dizer com seu texto: “tudo que vem dos E.U.A não presta, e cuidado, “são os ditos homens do bem a serviço do mal”! Os E.U.A representam tudo aquilo que pode acabar com a humanidade,esta é a mensagem que Juremir quer passar! Vejam que interessante é o oportunismo, diante de uma situação tão trágica, para condenar um modelo sócio-político, não perde a oportunidade de fazer associações nada sócio-científicas! Esquizofrênicos belicosos existem em todos os países: Nos massacres recentes na Noruega, na Rússia em Realengo, e até na auxiliar de ensino do PoA que colocou veneno de rato na comida das crianças de uma Escola Estadual (Oh, o imaginário da educação no RS está podre! Isso é coisa da Direita Assassina). Amanhã, como em quase todo domingão do Ahmadinejad, centenas de pessoas se reunem em uma praça de Teerã para assistir ao enforcamento de alguns homossexuais e outros tantos ditos “traidores”, que “linda” a prática do esquerdista heim, essa vale, afinal é contra os EUA, aquela sociedade “estúpida”! O imaginário no Iran deve ser muito mais evoluído! Dentro desta lógica associativa de Juremir vamos refletir então,como deve ser o “imaginário” da sociedade da Coréia do Norte. Em outras palavras, o Juremir sugere que abandonemos todo e qualquer indício do modelo norte-americano para buscarmos outra referência? Quem sabe a referência dos modelos de práticas de países esquerdistas acima citados?? O que aconteceu ontem nos EUA foi muito trágico: Um esquizofrênico paranóide portando armas de fogo: aqui também temos esquizofrênicos, aliás, o de Realengo se inspirava nas práticas muçulmanas….o que houve com ele? Generalizações erradas são muito perigosas, a transparência do proprietário do bom senso, do justo pode ser mais belicosa que uma Winchester 22.

  13. Andre Luis disse:

    Claro Blogueiro, você é completamente contra a posse de armas por parte de civis mas seria você contra a posse de armas por parte dos comunistas que tomam o poder pelas armas?
    Você é contras as armas nas mãos dos comunistas Venezuelanos e Cubanos????
    Por acaso os cem milhões de mortos pelos comunistas não foram mortos por armas de fogo??
    Você é contra as armas do fogo dos comunistas ou só dos civis não comunistas?

  14. Juremir, o problema é o histórico social do americano que busca a aceitação e superioridade (inclusive entre seus pares), acima de tudo. Não os Video Games.

  15. marco disse:

    Esse papo de anti-americanismo, já esta muito manjado, parece defesa de Cuba contra EUA. Toda vez que ocorre uma tragédia a culpa é do estilo norte americano, seu poderio, seu domínio, até o hambúrguer e a coca-cola já estão sendo culpados, afinal são americanos. Aqui no Brasil não podemos comprar armas nas lojas, nem por isso os bandidos estão desarmados. Estas coisas acontecem porque o stress, o “bulling”, a vida de hoje cada vez mais exigente, encontra uma saída na violência, pode ser até num carro quando um motorista atropela um monte de ciclistas. Se massacre em escolas é a especialidade deles, a nossa é a corrupção que permeia o poder. Não sei qual é pior.

  16. Daniel Vaz Smith disse:

    Juremir, seu comentário acertou o coração do problema! No alvo! Mas falta coragem dos legisladores do Tio Sam a encarar o National Rifle Association. Um tipo de Klu Klux Klan sem as togas brancas. Pois muitos desses fazem parte deste clube. Sim, há algo poder, fedorento no reino dos Estados Unidos, algo que está corroendo esta sociedade por dentro, silenciosamente, apenas olhem para cupim quando alguém dá um disparo, ou uma rajada de balas… e o futuro é morta.

  17. Caro Juremir!
    Já me reportei a este assunto quando o rapaz do Batmann matou esta gente no cinema. Agora volto a insistir no mesmo tema.Nos “esteites” é muito chique ofercer balas e carmelos as crianças deste sua mais tenra infância. O açucar refinado produz bebados invertidos, e estes quando adultos sofrem do mal de HARBAR. Mal este que lhes afeta a razão cotidiana. Não distinguem mais a relidade que os cerca. Discordo dos videos games. Um estudo realizado faz parte de uma conhecida e lendaria história de Saturno que comia seus próprios filhos. Será que os mortos nas ditaduras apoiados pelos “esteites” estão cobrando seu preço em forma de fantasmas negrológicos que assolam esta naçao do sindrome dos DOBERMANNS ou será que um caramelo é confundido com balas?

  18. Paulo Marmentini disse:

    Nunca vi ninguém da imprensa comentar (pelo menos aqui no Brasil), mas não parece emblemático que esses massacres se deem quase sempre em escolas? Há tantos outros lugares públicos onde o resultado desejado (matar pessoas) poderia ser tão efetivo quanto, mas escolhe-se, via de regra, a escola. Talvez, tanto quanto essa questão do comércio de armas, questões como o sistema de ensino americano e o ambiente escolar deveriam ser levadas em consideração.

  19. Perfeito. É exatamente isto.
    Agora virão os comentários toscos do pessoal do século dezenove…

  20. Rogério Bezerra disse:

    Hoje você não cria filhos, cria príncipes.
    Os pais são “amiguinhos” dos seus príncipes. Usam até as mesmas roupas deles.
    Autoridade? É coisa antiga. Repressão, educação e respeito com os outros ? Os professores que ensinem.
    Jogos eletrônicos mostram vencedores de brigas seguram corações ensanguentados. Que coisa pacífica!

    Parabéns!

  21. Marcelo disse:

    interessante, menos a parte dos games: nonsense de quem nunca perdeu horas jogando…

  22. e vender armas como se vende anfetamina facilita a vida dos sociólogos desempregados e demagogos profissionais. Além dos bandidos, com e sem terno e gravata.