Adversário do Grêmio, Atlético Tucumán vive seu maior momento continental

Decano eliminou o favorito Atlético Nacional nas oitavas – Foto: Joaquin Sarmiento / AFP

Após eliminar o Estudiantes nos pênaltis, o Grêmio vai encarar outro argentino na Libertadores da América. O adversário nas quartas de final é o Atlético Tucumán, o “Decano”, um pequeno clube do norte da Argentina que nunca ganhou o campeonato nacional, mas que vive o maior momento de sua história.

O Atlético Tucumán vem de um ascensão impressionante. Há menos de três anos, a equipe estava na segunda divisão da Argentina. O acesso para a elite veio com o título da B Nacional no final de 2015. No primeiro semestre de 2016, o futebol argentino passou por uma adequação do calendário ao europeu e houve um torneio de transição no primeiro semestre, que definiu os classificados para a Libertadores de 2017. O Tucumán conseguiu o quinto lugar nesse campeonato e garantiu uma vaga para disputar a fase preliminar da Libertadores, sua primeira participação na maior competição do continente.

Pois o começo da trajetória do Tucumán na Libertadores foi épico. Como muitos devem lembrar, a delegação do clube passou por um problema na chegada ao Equador e teve de fazer a viagem de Guayaquil até Quito de ônibus para enfrentar El Nacional. O clube equatoriano aceitou esperar os argentinos, que chegaram ao estádio com 1h30min de atraso. Sem fardamento, os jogadores do Tucumán usaram uniformes e chuteiras da seleção argentina sub-20, que estava no Equador disputando o Sul-Americano da categoria. Apesar de toda essa adversidade, o Decano conseguiu uma vitória de 1 a 0 e avançou para a fase de grupos.

A campanha do Atlético Tucumán na Libertadores de 2017 acabou na fase de grupos. Com duas vitórias, um empate e três derrotas, o clube terminou em terceiro na chave que teve Palmeiras e Jorge Wilstermann como classificados.

Talvez nem os mais fanáticos torcedores do Atlético Tucumán esperavam ver o time tão cedo disputando a Libertadores novamente, mas o clube conseguiu a classificação para jogar o torneio pelo segundo ano consecutivo. Em 2017, o Decano foi vice-campeão da Copa Argentina. Como o campeão River Plate já estava classificado para a Libertadores, o Tucumán herdou a vaga, dessa vez direta para a fase de grupos.

O clube começou a Libertadores deste ano com o pé esquerdo. Foram duas derrotas nos dois primeiros jogos. Só que o Atlético Tucumán mostrou novamente uma grande capacidade de reação. Com três vitórias seguidas, o Decano chegou à última rodada da fase de grupos precisando de um empate com o Libertad no Paraguai para avançar às oitavas de final do torneio pela primeira vez em sua história. Novamente teve sofrimento. O time argentino teve o goleiro Alejandro Sánchez expulso ainda no primeiro tempo, mas conseguiu segurar o 0 a 0 que precisava para obter a classificação.

Nas oitavas de final, a missão do Tucumán foi encarar o Atlético Nacional, campeão da América há duas temporadas. O Decano conseguiu mais uma vez surpreender, venceu por 2 a 0 em casa e com uma derrota por placar mínimo em Medellín despachou os colombianos se credenciando para enfrentar o Grêmio. O Tricolor, claro, é favorito no confronto, mas é bom os comandados de Renato Portaluppi não subestimarem a capacidade de superar adversidades desse time argentino.

 

Torcedores foram para as ruas comemorar a classificação para as quartas de final da Libertadores – Foto: Atlético Tucumán / Divulgação

 

 

Cristiano Munari :O blog La Pelota é administrado pelo repórter do Correio do Povo Cristiano Munari. Jornalista formado pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) em 2010, Munari é especialista em futebol argentino. O blog traz informações sobre o Campeonato Argentino e também dos clubes do país vizinho nas competições internacionais. Em ano de Copa do Mundo, o caminho da seleção argentina até a Rússia também terá cobertura especial com informação, análise e opinião sobre o time treinado por Jorge Sampaoli. Contato através do e-mail cmunari@correiodopovo.com.br e pelo Twitter @crismunari Sempre lembrando, “La Pelota no se mancha”