Porto Alegre, 17 de Abril de 2014

Sou pagodeiro, e daí?

Postado por Mais Preza em 11 de outubro de 2011 - Sem Categoria

Por Guilherme Alf

Nunca roubei. Não uso drogas. Nunca matei ninguém. Já cometi alguns erros na vida, claro. Tento ser um bom profissional, sou superdedicado à minha família, aos meus amigos. Já pisei na bola algumas vezes, mas nada gravíssimo. Sempre acredito nas pessoas, espero o melhor delas. Mas eu sou um monstro, um ser desprezível, alguém que é visto por muita gente com desdém. Sou de um nível menos inteligente. Sabe por que sou tudo isso? Porque gosto de pagode. Porque sou um pagodeiro!
Talvez, se eu tivesse nascido em outras épocas, eu seria queimado na fogueira por ouvir Exaltasamba, Belo e Molejo. Se vivesse em um país com leis mais rígidas, talvez fosse apedrejado em praça pública por ter orgulho das bandas de pagode do Rio Grande do Sul como Zueira, Showdi e Pura Cadência. Na última semana, pensei em jogar fora todas as fotos, reportagens, CDs e DVDs do Na Moral, grupo de pagode que toquei durante 3 anos. Imagina se as pessoas “superiores” descobrissem que não só gosto, como já toquei em uma banda de pagode? Que fim eu levaria? Caras como eu, ou seja, pagodeiros, deveriam ser excluídos da sociedade normal, afinal de contas, gostar de ouvir um tipo de som mostra o quanto você é desprezível, certo?

Parece meio forte e até mesmo grosseiro esse meu texto, mas é assim que muitas pessoas agem. Não tenho vergonha, muito menos vou deixar de ouvir algo porque algumas pessoas têm preconceito, mas às vezes é chato essa pegação de pé! Não quero que o mundo todo ouça o tipo de música que eu gosto, apenas queria que as pessoas respeitassem. Acho que todos, inclusive, têm o direito de achar pagode ruim, mas não podem julgar alguém que gosta. Somos todos diferentes uns dos outros, lembram? Que chato seria se todo mundo gostasse das mesmas coisas, mas que legal seria se todo mundo respeitasse o que não gosta. Talvez seja por isso que o nosso mundo tenha tanta disputa e tantas coisas ruins, o ser humano tem uma grande dificuldade em aceitar o que ele não gosta.
E você aí, que é pagodeiro como eu, não tenha mais vergonha, meu amigo. Já dizia o velho poeta que quem não gosta de samba, bom sujeito não é. Ah, e antes que alguém venha com o papinho “mas samba é legal, eu só não gosto de pagode”; pagode, samba, sambinha, é tudo da mesma família, ou vocês acham que quem gosta de Exalta não é fã do Zeca Pagodinho? Como em qualquer gênero musical, sei que tem muita gente fazendo pagode ruim e desses eu também não gosto, mas respeito.
Agora, se vocês me dão licença, eu vou ouvir um bom pagodinho e deixo esse para vocês curtirem…

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