Projeto mostra o que realmente é “coisa de preto”

Apoiado na Lei 10.639, que estabelece o ensino da cultura africana como conteúdo obrigatório nas escolas de ensino fundamental e médio do Brasil, professores da rede pública de Porto Alegre se juntaram para levar projetos especiais com a temática para seus alunos. Intitulado Africanidades, a iniciativa conta com 13 professores e inúmeros projetos que contemplam todas as áreas do conhecimento.

Trabalhos dos alunos participantes do projeto. Foto: Ricardo Giusti

A principal preocupação dos professores é desfocalizar do sofrimento e da escravidão, dando destaque especialmente para as histórias que mostrem a cultura, o valor e as contribuições do povo negro que geralmente são deixadas de lado em sala de aula. “Não conhecer a cultura africana, é não conhecer um pedaço de si”, afirma Fabio Oliveira Sosa, servidor público do Memorial do Rio Grande do Sul e membro da organização do Africanidades. De acordo com a professora Cláudia Duarte, as crianças negras podem ter a autoestima afetada por serem somente associadas a coisas negativas. Ela defende que existem muitas histórias com reis, rainhas e civilizações africanas desenvolvidas, e que essas histórias que devem ser contadas para construir uma sociedade melhor e com menos racismo. “Quando a gente começar a contar esse lado positivo nós não vamos mais precisar ouvir expressões como ‘coisa de preto’ porque nós vamos mostrar o que é ‘coisa de preto’ de verdade”, frisa.

Este ano, a Câmara Regional do Livro convidou o projeto para fazer parte da Feira do Livro como programação paralela. Ao todo serão mais de 20 atividades apresentadas no segundo andar do Memorial do Rio Grande do Sul. Cláudia demonstra felicidade pela oportunidade de levar a iniciativa para fora da escola. “Isso está dando a oportunidade de outras crianças se identificarem, é muito gratificante”, declara. Um dos projetos apresentados foi o Empoderadas IG, que começou inicialmente abordando o empoderamento das meninas negras a partir da estética e agora já conta com um grupo de 18 meninas e 2 meninos que discutem questões de autoestima, representatividade e feminismo. O projeto foi criado quando um grupo de professoras notou que as meninas tinham dificuldade em se aceitar bonitas. Uma das alunas que participa do projeto desde o ano passado, Natália Oliveira, conta que o Empoderadas IG é responsável por ela ter orgulho da menina que é hoje. “Foi maravilhoso na minha vida, eu percebi que eu mesmo sendo negra tinha muito racismo dentro de mim, então não foi só a estética que mudou e eu me orgulho muito disso”, complementa.

Texto: Helena Ribeiro/Uniritter

Marcos Santuário :