Correio do Povo

06/08/2018 09:15 - Atualizado em 06/08/2018 09:24

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Alta umidade prejudica desenvolvimento das culturas de inverno no RS

De acordo com a Emater, produção de trigo é a mais afetada

Produção de trigo é a mais afetada pelo clima- Crédito: Luiz Henrique Magnante / Divulgação / CP
Produção de trigo é a mais afetada pelo clima
Crédito: Luiz Henrique Magnante / Divulgação / CP

O clima na segunda metade de julho - chuvoso e com baixas temperaturas - não favoreceu as culturas de inverno, em especial a do trigo. De acordo com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-RS), com as culturas suscetíveis à incidência de doenças, se torna necessário o uso de tratamentos fúngicos preventivos de maneira mais constante. Na região Central e nos Campos de Cima da Serra, as chuvas impediram a semeadura do trigo, dificultando os tratos culturais, como adubação de cobertura e controle de ervas daninhas, nas lavouras em desenvolvimento vegetativo. Nas lavouras mais adiantadas, há casos de plantas com crescimento rápido, mais altas (estioladas) e com baixo índice de perfilhamento, o que é prejudicial para uma boa produtividade. Estima-se que 3% da área plantada com trigo se encontra em floração, fase extremamente suscetível ao excesso de umidade e chuvas constantes. • Embrapa cria tomates mais nutritivos e com maior produtividade A cultura da canola apresenta condições irregulares de evolução, estando, neste período, com 34% na fase de desenvolvimento vegetativo, 60% em floração e 6% em enchimento de grãos. Nas regiões Celeiro e Alto Jacuí, as lavouras passam por excelente desenvolvimento e qualidade superior ao ano passado, apresentando elevado número de síliquas por planta. No Planalto Médio e região Nordeste, a falta de sol, alta umidade do ar e as temperaturas medianas estão causando atraso no desenvolvimento da cultura, o que poderá também reduzir o potencial produtivo da canola. A cultura da aveia branca passa de forma rápida para a fase reprodutiva, apresentando panículas longas e com bom número de espiguetas por panícula. Aumenta a incidência de doenças foliares nas folhas baixeiras. Há dificuldade de proceder as aplicações de fungicidas em muitas áreas, em decorrência da baixa luminosidade associada ao largo tempo de molhamento foliar das plantas, trazendo preocupações aos produtores quanto ao ataque de ferrugem nas lavouras. Na região do Médio Alto Uruguai, os agricultores iniciam o preparo do solo e o manejo para implantação do feijão. O cenário da cultura não está muito animador no quesito preços, mas o alto custo para implantação da cultura do milho e a possibilidade da implantação da soja como cultura subsequente estão tornando atrativa a cultura do feijoeiro nesta região e safra. Hortigranjeiros Na região Metropolitana, a segunda semana consecutiva de alta umidade e frequentes períodos de chuva incidem de forma negativa sobre algumas hortaliças, desestabilizando o mercado. A horticultura sofre oscilações de preço, pois as culturas são afetadas diretamente de acordo com a intensidade de temperatura, umidade e outros fatores climáticos. Na semana que passou, muitas culturas tiveram alteração no valor médio de comercialização. • Choveu quase dez vezes mais em Porto Alegre em julho deste ano, se comparado ao mesmo mês de 2017 Na região Sul, a produção de hortaliças comerciais é direcionada para as feiras livres, pequenos mercados locais e para programas de comercialização institucionais, como os programas Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e de Aquisição de Alimentos (PAA). Neste último período, as chuvas em excesso prejudicaram todo o manejo (controle de plantas daninhas, fitossanitário, colheita) das culturas implantadas, como ervilha, brócolis e couves, entre outras hortaliças de inverno. Bovinocultura de leite Nas regiões de Pelotas, Porto Alegre e Santa Maria, a semana foi muito ruim para o desenvolvimento das pastagens, com muita chuva e elevada nebulosidade, prejudicando o manejo dos animais durante o pastejo e o acesso dos animais às instalações, em razão do barro nas áreas próximas. Além da redução na produção, o custo de produção do leite aumenta pelo maior uso de silagem e de rações concentradas. Predominando esse clima, poderá haver falta de alimento até a primavera para os produtores que não fizeram uma boa reserva de silagem. Um pouco diferente são as condições da produção leiteira nas regiões de Frederico Westphalen, Erechim e Passo Fundo, onde a boa ocorrência das chuvas nos últimos meses favoreceu as pastagens implantadas, que melhoraram o aspecto de desenvolvimento, aumentando assim o número de áreas em condição de pastejo. Produtores com bom planejamento apresentam resultados muito satisfatórios em relação à produção de leite em função da grande oferta das pastagens anuais de inverno, com alto grau de digestibilidade e qualidade nutricional. Na região de Soledade, o destaque fica com os investimentos em pastagens visando o sistema de produção de leite à base de pasto, que tem sido a forma mais técnica e economicamente viável para a bovinocultura de leite na agricultura familiar. De qualquer forma, as áreas de pastagem bem manejadas do ponto de vista de adubação e manejo animal (com pressão de pastejo adequadas) e sob sistema de pastejo rotativo têm proporcionado oferta satisfatória de forragem.

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