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07/09/2018 16:10 - Atualizado em 07/09/2018 16:14

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Aventureiro volta a Gramado após expedição de canoa no Pantanal

Roberto Raymundi teve problemas com embarcação e foi resgatado no Mato Grosso

Canoísta pretendia percorrer 658 quilômetros pelo rio Paraguai- Crédito: Halder Ramos / Especial / CP
Canoísta pretendia percorrer 658 quilômetros pelo rio Paraguai
Crédito: Halder Ramos / Especial / CP

O profissional autônomo Roberto Raymundi, de 53 anos, voltou para casa, em Gramado, na noite de quarta-feira, após 17 dias de expedição pelo rio Paraguai no Pantanal. Ele pretendia percorrer 658 quilômetros rio abaixo entre Cáceres, no Mato Grosso, e Corumbá, no Mato Grosso do Sul. O objetivo era concluir o trajeto, remando sozinho, em 30 dias. Para isso, construiu uma canoa em madeira. No entanto, a embarcação quase naufragou na Lagoa Gaíva, na fronteira com a Bolívia, em função do forte vento. Radicado em Gramado há 30 anos e natural de Cáceres, Raymundi conhecia bem as armadilhas do Pantanal. “Eu tinha percorrido 400 quilômetros, mas a Gaíva é uma das partes mais perigosas da travessia. Tinha ciência dos riscos, mas decidi avançar.” O canoísta revela que o vento Sul provocou ondas que fizeram a embarcação encher d’água. Quando percebeu que iria afundar, começou a esvaziar a canoa para diminuir o peso. Jogou fora barraca, comida e itens pessoais. “Fiquei só com a roupa do corpo, os remos, a canoa e uma máquina fotográfica. Não chegou a virar a canoa, mas encheu de água.” Conforme Raymundi, o incidente ocorreu por volta das 15h do último domingo. Ele conseguiu sair da lagoa e ficou esperando socorro. Foi resgatado às 19h por um barco hotel. Acredita que poderia ter tido hipotermia caso o socorro só chegasse no dia seguinte. “Fazia muito frio. Tive sorte, porque imaginei que o resgate viria no dia seguinte, mas eles passaram antes”, diz. Outro risco superado foi de um ataque de piranhas. “Como o nível da água estava alto, não aconteceu. Senão, é inevitável”, afirma. Após o resgate, ele concluiu o percurso no barco hotel. “Não tinha como continuar apenas com a roupa do corpo. Seriam mais dez dias de viagem”, diz. Em Corumbá, recebeu auxílio da Marinha brasileira e retornou de ônibus a Gramado. “Eu fazia todas as anotações em diário, mas perdi os papéis. Vou descansar um pouco, mas pretendo escrever o que vivi”. Raymundi quer reeditar a travessia Cáceres-Corumbá no próximo ano. “Se tudo tivesse corrido bem, eu pensaria que foi perfeito e, quem sabe, não tomaria os mesmos cuidados numa próxima. Minha intenção é fazer novamente. Estou em contagem regressiva.”

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