CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 23 DE FEVEREIRO DE 1998

Coluna de apartamentos cai no Rio
Parte de um elegante edifício de 22 andares desabou na Barra da Tijuca. Há quatro desaparecidos


22COLUNA.jpg Deputado era o dono da construtora


Uma coluna de apartamentos de 22 andares do edificío Palace II, num condominio de luxo na Barra da Tijuca, no Rio, desabou ontem de madrugada. Por volta da 1h, moradores dos 176 apartamentos escutaram um forte estrondo e começaram a evacuar o prédio. Três horas e meia depois, quando a Defesa Civil e os bombeiros já estavam no local, os 44 apartamentos das colunas 1 e 2 desabaram. Algumas pessoas ainda estavam no prédio na hora do acidente e quatro continuam desaparecidas. Cerca de 20 moradores ficaram feridos levemente. Cinco carros foram destruídos. O edifício foi erguido pela Construtora Sersan, do deputado federal Sergio Naya (PPB-MG). A construtora responde há dois anos a quatro processos por má construção do edifício, que não chegou a receber o 'habite-se' da prefeitura.

Algumas pessoas perderam tudo. O prédio começou a ser construído há oito anos, com entrega prevista para setembro de 95, mas ainda não estava pronto em 96. 'Acabei o apartamento com meu capital de giro, porque ainda faltava grande parte do acabamento. Além dos R$ 130 mil que paguei pelo imóvel, meu prejuízo chega a R$ 200 mil, se for levado em conta tudo o que gastei para montar a minha casa', disse o economista Paulo Viana. Devido à má qualidade da obra, os moradores moveram quatro processos contra a construtora Sersan. Segundo eles, o prédio chegou a ser interditado pela Defesa Civil há dois anos, quando um operário morreu ao cair no fosso do elevador, que estava com defeito. 'Eles interditaram o edifício, mas mudaram de idéia em seguida. Deve ter sido o poder do deputado Sérgio Naya' comentou o analista de sistemas Rui Feital. Ele reconheceu, porém, que os proprietários decidiram ir morar no Palace II mesmo sem o 'habite-se' 'porque os imóveis já estavam pagos e a entrega estava demorando'.

A secretária municipal de Urbanismo do Rio, Helia Nacif Xavier, observou que, sem o 'habite-se', não poderia haver pessoas morando no prédio. Na opinião do presidente do Crea, José Chacon de Assis, a causa da queda das colunas de apartamentos do prédio foi uma 'falha grosseira' no projetro estrutural. O prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde, disse que o município não tem como fiscalizar os projetos de todas as obras da cidade.



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