CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, TERÇA-FEIRA, 24 DE FEVEREIRO DE 1998
ESCOLAS


FIGUEIRA - Sexta colocada no Carnaval 97, a Estação Primeira da Figueira entra na avenida às 2h05min com um enredo que presta uma homenagem ao Bom Fim. Com seis carros alegóricos, a Verde e Branco retrata o bairro tradicional na cultura e na boemia. Seus 1,2 mil integrantes compõem 16 alas que caracterizam o bairro como um corredor de passagem que une o Centro ao Morro Santana, onde está localizada a sede da escola. Toda a história é apresentada a partir da visão de um casal que briga e faz as pazes antes do ensaio da Figueira. A escola gastou R$ 100 mil para realizar o desfile deste ano.

RESTINGA - Quarta colocada no Carnaval 97, a Estado Maior da Restinga leva seus 2,5 mil componentes para a avenida cantando o samba-enredo que trata da necessidade permanente de o ser humano se alimentar. Com seis carros alegóricos e 20 alas, a Restinga vai retratar também o interesse pelo preparo de suculentas e aromáticas refeições. A elaboração dos cardápios está ligada a padrões alimentares, recursos agrícolas, poder econômico, fatores culturais e religiosos. Acima destas variações, está o alimento energético natural, o leite materno. O desfile custou à escola R$ 300 mil.

CANDINHA - 'Kawó Kabiyéssilé' é a saudação ao orixá Xangô, cuja lenda é tema do desfile da Filhos da Candinha, quinta colocada no Grupo Especial em 97. Segundo a lenda, Xangô, a fim de continuar suas conquistas, pediu a um babalaô de Oyó uma fórmula mágica. A caixa de bronze e ouro que recebeu só deveria ser aberta em caso de extrema necessidade. Mas a curiosidade fez com que ele e sua esposa Iansã abrissem a caixinha antes do tempo, fazendo aparecer no céu relâmpagos e trovões. Hoje, diz a lenda, quando cai um raio é sinal de que o rei desceu à Terra. A Candinha entra na avenida com 1,8 mil componentes, cinco carros e 14 alas, em um desfile orçado em R$ 150 mil.

LOMBA DO PINHEIRO - Sétima colocada no Grupo Especial em 97, a Mocidade Independente da Lomba do Pinheiro retrata este ano na avenida a 'Criação da Raça Brasileira'. A miscigenação do povo é caracterizada pelos casamentos que ocorriam no quilombo de Zumbi. Abençoadas pelos orixás, as festas eram assistidas por todos os caciques índios, reis africanos e brancos que habitavam o quilombo. Em busca de uma melhor classificação, a escola desfila com cinco carros alegóricos e 1,2 mil integrantes divididos em 12 alas. A entidade gastou R$ 100 mil no desfile.

BAMBAS - Vice-campeã do Grupo Especial em 97, os Bambas da Orgia desfilam em busca do primeiro lugar. Seus 2 mil integrantes vão levar para a avenida a história de João Ferreira Coutinho, o Barão de Catas Altas , que apresentava uma deformidade de nascença: tronco normal e pernas de anão. O barão torna-se o único herdeiro das minas de ouro, ficando famoso por ostentar poder e fortuna. Em uma visita a João, Dom Pedro comete uma gafe, dizendo que tudo o que estava vendo era muita magnitude para um homem tão pequeno. Para se desculpar, o monarca conferiu-lhe o título de barão, pelo qual João ficou conhecido. Com seis carros alegóricos e 21 alas, a Azul e Branco gastou R$ 400 mil no desfile.
 


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