CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 22 DE DEZEMBRO DE 1997

Estado enfrenta seu maior blecaute


O Rio Grande do Sul sofre, desde as 16h45min de ontem, o maior racionamento de energia elétrica de sua história, admitiu ontem o presidente da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Pedro Bisch Neto. As interrupções, de 40 minutos a uma hora, atingiram vários bairros de Porto Alegre e municípios do Interior. Cerca de 3 milhões de consumidores, 30% da população, ficaram sem luz, paralisando serviços essenciais na Polícia, em hospitais, asilos e bombeiros.

A CEEE promoveu cortes devido a falhas em duas linhas de transmissão de 500 quilovolts cada uma, da Eletrosul. Um terço do Estado ficou às escuras por volta de 21h45min, com o corte de 800 a 1.000 megawatts do consumo gaúcho, de 2,6 mil megawatts. Praticamente todos os municípios sofreram cortes. Bairros como Jardim Leopoldina ficaram três horas sem energia, o que assustou as pessoas que participavam de cerimônias, como ocorreu no Centro de Eventos na PUC.

O chefe de operações da CEEE, Darico Pedro Livi, previu um corte de 1.000 quilowatts para um consumo que chega a 2,6 mil quilowatts. Os municípios estão sendo mantidos por outros três circuitos menores, de 230 quilovolts cada, e também pela energia produzida no Estado, que atende a 30% do consumo total. A causa do blecaute foi um raio que atingiu a cadeia de isoladores na rede de Itá (PR) a Gravataí (RS) e provocou a queda de uma das fases da linha com 20 quilômetros, procedente de Passo Fundo.

Às 22h de ontem, técnicos da Eletrobrás iniciaram a recuperação de uma das linhas. 'Se a questão for de isoladores, hoje a energia já volta nessa linha', prevê Bisch Neto. Na segunda linha, que liga Campos Novos (PR) a Gravataí, o defeito só será conhecido hoje. 'A procura é impraticável à noite. Logo que amanhecer, helicópteros percorrerão a linha em busca do defeito', informa o gerente do Centro de Operações da Eletrosul, Assis de Macedo Júnior.



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