Cidade
alemã de Colônia realiza uma das feiras empresariais mais
conhecidas no mundo
Alessandra Corrêa / enviada especial
Colônia - Depois de quase meia década atuando basicamente como comprador no mercado externo, o empresariado nacional começa a colher as vantagens da desvalorização cambial ocorrida em janeiro último e volta a ver seu produto competindo. O resultado desta mudança de perfil tem despertado a atenção de países como a Alemanha. Respeitado como plataforma de negócios para todo o mundo, o país vem se esforçando em atrair empresários brasileiros, especialmente pequenos e médios, para suas feiras.
Das 150 feiras de maior expressão internacional, 100 acontecem na Alemanha. São eventos das mais diversas áreas, organizados com a participação do governo, que reúnem expositores e compradores de todo o planeta. 'Quem vai para a Alemanha está em busca da internacionalidade', observa Lauri Müller, diretor da MDK, que representa no Brasil as sociedades de feiras de Colônia e Düsseldorf.
Os primeiros resultados mostram que esse trabalho de captação tem dado certo. A MDK registra atual-mente 630 empresas nacionais participando das 52 feiras promovidas em Colônia e Düsseldorf. Em julho do ano passado, eram 500. Outros 6 mil brasileiros estiveram nos eventos como visitantes em 98. O número de expositores ainda é considerado pequeno pelo representante. 'Na maioria dos países as empresas são subsidiadas. Nós somos um dos poucos que não têm apoio do governo', lamenta.
Mesmo assim, as feiras já contam com lista de espera. Após um período de estagnação, quando os empresários continuavam participando apenas para não perder antigos clientes, o momento volta a ser propício para as vendas. O atrativo principal, no entanto, é a possibilidade de captar novos negócios. 'Aqui ocorre o primeiro contato. É uma plataforma para distribuidores de toda a Europa', explica a gerente de exportações da Grendene, Ida Fabro. A indústria de Farroupilha está presente há 15 anos na GDS, principal evento do setor de calçados, que acontece duas vezes por ano em Düsseldorf. Ida garante que a relação entre custo e benefício vale a pena. A Grendene reserva entre R$ 70 mil e R$ 100 mil por ano para a participação em feiras na Europa.
O diretor de comunicação da feira de Colônia (Kln Messe), Heinz Dittrich, calcula que um pequeno empresário brasileiro gaste em torno de 8 mil dólares para ocupar uma área de 20 metros quadrados em uma das mostras da cidade, incluindo aluguel, montagem do estande e passagem aérea. 'É um investimento que vale a pena, tem retorno garantido', assegura Dittrich. 'Há lugar para todos os tipos de empresas, desde as pequenas até as grandes', destaca. Ele ressalta ainda que as feiras são especializadas, com acesso permitido apenas aos envolvidos no setor. 'Metade dos visitantes e um terço dos expositores são de fora da Alemanha', salienta. Dittrich aconselha, porém, que os interessados participem apenas como observadores no início. 'É preciso conhecer primeiro, para depois expor.'
A paulista Nework do Brasil Trading Ltda. é um exemplo das novas
tendências de um mercado alavancado pela modificação
do câmbio. Dedicada à venda de ventiladores industriais, a
empresa estreou no ramo de calçados há apenas três
meses, incentivada pela desvalorização do real frente ao
dólar. Na fila por uma vaga na GDS, o diretor Newton Luiz Ferreira
obteve o sinal verde para embarcar par Düsseldorf somente três
dias antes da abertura da feira, depois da desistência de um expositor
russo. Os 8 mil dólares gastos para apresentar produtos de 10 fabricantes
foram bem empregados, segundo Ferreira. 'Estamos encarando nossa participação
aqui como um laboratório', confessa.