CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 12 DE JANEIRO DE 2005
Pai de jovens barrados pede apoio
Reage porque filhos foram confundidos com assaltantes. BM nega abuso de autoridade e racismo
William e Cristian se dizem prejudicadosO engenheiro elétrico Norberto Júnior Silveira e seus filhos William, 17 anos, e Cristian, 24, estiveram ontem à tarde na Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Segurança Urbana, na Capital. Silveira relatou a abordagem feita na manhã da segunda-feira por soldados da Brigada Militar a seus filhos, que foram confundidos com assaltantes quando se dirigiam correndo à Escola Leopolda Barnewitz, no bairro Cidade Baixa. No local, os jovens realizam o vestibular da Ufrgs. Segundo Silveira, a abordagem impediu que chegassem a tempo para as provas, iniciadas às 8h30min. 'Foi lamentável pela atitude arbitrária dos policiais, de arma em punho, e pelo racismo explícito', assinalou. Moradores de Alvorada, os irmãos buscam vagas para Engenharia Mecânica.
Silveira não descarta uma ação civil contra o Estado por danos morais e deve procurar a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, da Assembléia Legislativa, o Movimento Negro Unificado e a Corregedoria-Geral da BM. 'Vou primeiro à Reitoria da Ufrgs explicar o caso e tentar fazer com que meus filhos não sejam prejudicados mais do que já foram.' Silveira destacou que no momento da abordagem, outros jovens, de cor branca, também corriam na rua e não foram parados.
Ontem, William e Cristian prestaram depoimento à delegada Vivian Calmieri do Nascimento, da Delegacia para a Criança e o Adolescente Vítima, onde registraram ocorrência. Segundo Vivian, confirmaram que o PM teria duvidado que eram vestibulandos. Só após ouvir os gritos de uma mulher, que presenciou a cena e disse se tratarem de estudantes, o soldado teria abaixado a arma e recebido dos irmãos o comprovante do vestibular. Ao chegarem à escola, os portões estavam fechados.
O comandante do 9º BPM, tenente-coronel Jones dos Santos, negou que tenha ocorrido abuso de autoridade ou racismo. 'Os jovens perderam o vestibular porque estavam atrasados e não porque tenhamos impedido o acesso ao local.' Disse que o fato ocorreu às 8h32min e que, um minuto depois, após a revista e identificação, os jovens foram liberados. 'No momento da abordagem o portão já estava fechado.' Santos afirmou que 'havia atitude suspeita' e argumentou que 'o que aconteceu foi a coincidência de serem de cor'. Conforme ele, as abordagens na Cidade Baixa vêm se intensificando devido ao alto índice de assaltos.