CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 24 DE JANEIRO DE 2005

Sisbov opcional divide setor produtivo
Sicadergs garante normalidade na oferta de animais rastreados, mas indústria está preocupada




15SISBOV.jpg Regras podem reduzir em 15% o preço da carne


Embora o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do RS (Sicadergs) observe a normalidade na oferta de animais rastreados para abates externos, o Frigorífico Mercosul vê com preocupação a opcionalidade da rastreabilidade permitida pelo Sisbov do Ministério da Agricultura (Mapa).

O diretor-presidente do Mercosul, Mauro Pilz, diz que o rastreamento é uma exigência do mercado internacional que fortalece o mercado interno. Para o empresário, a medida pode prejudicar a cadeia produtiva. 'Ao invés de aumentarmos a valorização do nosso produto, corremos o risco dele ficar no mercado interno, o que pode refletir em queda de preço de até 15%', assegurou. Pilz comparou a retração nos últimos 15 meses do valor pago pelo corte dianteiro no RS, argumentando o caminho inverso ocorrido quanto aos custos de produção e de mão-de-obra pagos. 'Enquanto em 2003 pagava-se R$ 3,30 pelo quilo do corte, hoje o valor está em R$ 2,20/kg.'

O presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Farsul, Fernando Adauto de Souza, lembra, no entanto, que o prazo mínimo exigido pelo Mapa, em 2004, de 40 dias para o animal estar rastreado antes do abate, - ao invés do período de 365 dias que vigoraria a partir deste ano -, facilitou para que não houvesse desabastecimento. O dirigente aponta, porém, para a dificuldade de negociação com a União Européia (UE), 'principal parceiro de negócios com carne bovina'.

Conforme Adauto, cada país do Mercosul tem uma proposta de rastreabilidade diferente estabelecida, o que impede uma busca de cotas para o bloco. 'O Mercosul está distante. É preciso adequar a rastreabilidade à nossa realidade. Nós já pedimos a unificação', citou sobre medida do Fórum Mercosul da Carne Bovina, em 2004.




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