CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 26 DE FEVEREIRO DE 1998
Desfiles simples e sem erros para não cair

16DESFIL.jpg Praiana retornou ao Grupo Especial e fez uma bela apresentação
 
 

Os dirigentes das escolas de samba do Grupo Especial foram unânimes quanto à necessidade de que Porto Alegre tenha uma pista de eventos no próximo ano. Eles exigiram um 'piso digno', pois todas as agremiações que construíram carros alegóricos de grande porte sofreram para alinhá-los na junção das avenidas Augusto de Carvalho e Loureiro da Silva. Além disso, o desnível na pista de concreto provocou alagamentos na noite da desastrosa apresentação das agremiações do Grupo 1A.

Uma escola que sentiu na pele o problema foi a Estado Maior da Restinga. A sirene já havia soado e o carro abre-alas 'A Criação'permanecia emperrado na confluência das duas vias. No desespero, carnavalescos e populares tiveram que erguê-lo para colocá-lo no acesso. O impasse acabou resultando na perda de dois pontos por atraso no início do desfile e de outros sete pela demora na saída da passarela do samba. O vice-presidente social da Tinga, Hélio Garcia Dias, encaminhou recurso à Comissão Julgadora. 'Entramos atrasados, porque houve autorização. Também fomos prejudicados pelo carro que uma escola abandonou na Loureiro da Silva', disse Hélio.

Apesar da punição, a Tinga fez um desfile que agradou o público que superlotou as arquibancadas. A Praiana, que retornou ao Especial, também conseguiu dar o recado e conquistar a simpatia da platéia. Apesar da queda de energia durante o desfile, a Verde e Rosa evoluiu corretamente e levou uma das alas mais aplaudidas da noite: 'Dançando Conforme a Música', que misturava o balé clássico com o samba. As alegorias eram belas, mas pecavam pela falta de acabamento.

A Praiana apresentou o tema 'O Bom Filho à Casa Torna', nada menos do que uma alusão ao rebaixamento ocorrido em 1996 e seguido da ascensão obtida com a vitória no Grupo 1A em 97. A fim de reconsolidar seu espaço, a entidade apostou num carnavalesco vindo do Carnaval carioca, Cássio Carvalho. A Imperatriz Dona Leopoldina, que prometia uma apresentação digna de vitória, deverá se consolar com uma colocação mediana. A escola da avenida Baltazar de Oliveira Garcia colocou 1,5 mil componentes na Augusto de Carvalho questionando 'Que Papel é Esse ? '.

Ao término da evolução, quem fazia a pergunta era o público, que não entendeu o desfile e tampouco a presença de uma ala solta no meio da escola com duas integrantes do grupo teatral Ói Nóis Aqui Traveiz em pernas-de-pau. Um dos destaques da Leopoldina foi o mestre-sala Paulo Roberto Oliveira. Funcionário da empresa que fez a sonorização na passarela do samba, o dublê de puxador de fio e mestre-sala interrompeu o seu trabalho temporariamente para assumir, com igual esforço físico, o papel que lhe dá maior prazer .

A Figueira deve se manter entre as melhores, embora tenha perdido dois pontos pela falta de um carro alegórico. A Verde e Branco pretendia colocar sete alegorias, mas nem as bênçãos do Pai Ailton, na concentração, evitaram a quebra de três, entre elas 'A Sinagoga', que cruzou a pista pendurada em um guincho.
 


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