CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 15 DE FEVEREIRO DE 1999

Duas escolas despontam no Acesso




10DUASES.jpg Imperatriz Leopoldense, que desfilou ao amanhecer, encantou o público na Antônio de Carvalho


A forte chuva que caiu sobre a Capital na tarde do último sábado atrasou em duas horas o início do desfile das sete escolas do Grupo de Acesso, que abriram oficialmente o Carnaval 99 de Porto Alegre. A escola de samba mirim Bambas do Futuro, convidada para inaugurar a pista, iniciou a apresentação às 22h. Apesar de não disputar a classificação, a entidade veio bem caracterizada, animando o público, que foi crescendo na avenida com o passar das horas. Em seu pronunciamento, o presidente da Associação das Entidades Carnavalescas, Evaristo Mutti, destacou a participação da comunidade para a realização da festa deste Carnaval. Logo após, a secretária municipal de Cultura, Margarete Moraes, com a presença do Rei Momo Fábio Verçosa e a sua Corte, declarou aberto o Carnaval de Porto Alegre.

Infelizmente, o que seguiu foi um show de desorganização. Os intervalos entre as apresentações das escolas chegavam a superar meia hora, quebrando o ritmo da noite. O público também não colaborou com a festa, desrespeitando a área reservada para a evolução das agremiações.

Quem resistiu ao frio e aos desfiles pouco empolgantes durante a madrugada, a manhã de domingo reservou uma boa surpresa. Às 6h, a Imperatriz Leopoldense, de São Leopoldo, iniciou seu desfile e logo conquistou a preferência do público. Aplaudida e aclamada como campeã logo na entrada da pista, a entidade fez uma apresentação digna dos grupos Intermediários do Carnaval porto-alegrense. Ela desfilou com a segurança de quem já havia recebido o título de campeã deste ano, em sua cidade. Com um samba-enredo defendendo a construção da pista de eventos em Porto Alegre, a Imperatriz levou para a avenida as maiores e mais bem acabadas alegorias. As fantasias luxuosas e ricas em detalhes abusavam das plumas, dando um belo efeito na noite. A comissão de frente era composta por dez homens representando leões (o símbolo da escola), com espadas na mão, como se fossem guerreiros em busca de uma conquista. Nas alas, figuravam representações de gaúchos, de militares, carnavalescos, enfim, os usuários da pista de eventos. Durante todo o desfile, os integrantes da escola dançaram, cantaram e deram vida ao samba-enredo, atraindo o público pela Antônio de Carvalho após o último carro, que carrega o tradicional arrastão.

A disputa pela única vaga no Grupo Intermediário B tem, no entanto, outra forte concorrente. A Realeza, rebaixada ao Grupo de Acesso no ano passado, fez bonito na avenida com o samba-enredo 'O que a Bahia tem'. Os quatro carros alegóricos da escola chamavam atenção pelo acabamento, sendo que o último era uma baiana gigante. Os mais de 500 componentes da entidade se mostraram animados e os destaques ostentavam fantasias de luxo. A Realeza foi a primeira escola da noite a empolgar o público. O resultado do desfile do Grupo de Acesso será conhecido quinta-feira, junto com a divulgação das notas dos demais grupos da Capital.



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