CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, DOMINGO, 5 DE MARÇO DE 2000

Tribos carnavalescas só existem em Porto Alegre




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Uma das características que diferenciam o carnaval de Porto Alegre do que ocorre no resto do país são as tribos carnavalescas, que estão resumidas a três entidades - Os Guaianazes, Os Tapuias e Os Comanches. O presidente dos Guaianazes, José Mário Bartochack, diz que a luta é dura para manter a tribo no carnaval. 'As tribos eram um sucesso na cidade, mas, com o passar dos anos, as dificuldades financeiras e a falta de apoio das autoridades, perderam prestígio. Chegamos a ter mais de 15', lembra Bartochack. Ele torce e se empenha para que continue viva a tradição das tribos.

Neste ano, as tribos, pela primeira vez, entrarão na avenida no dia do desfile do Grupo Especial e prometem abrilhantar ainda mais a festa do Momo. O presidente dos Guaianazes espera levar 800 pessoas para a passarela do samba entoando o hino 'Ma-Noá: Lendas e Mistérios de Itakitã', que contará a luta dos índios contra o colonizador espanhol Pedro de Candia.

A diretora de Carnaval dos Tapuias, Vera Peres, reclama que a falta de dinheiro para as tribos - o cachê dado pela Prefeitura é de R$ 12 mil -, é absurda. 'Chegamos a pensar em realizar uma manifestação para conseguirmos mais recursos. Somos guerreiros, não vamos desistir', garante. Pela primeira vez, os índios da Reserva Canta Galo, em Viamão, participarão do desfile dos Tapuias. Outra novidade destacada pela diretora é que neste carnaval desfilará a velha guarda da tribo. O tema-enredo é 'A Lenda da Erva-Mate'.

Lutar e fazer o melhor com as condições que possui é o lema dos Comanches. 'Preservar as tribos é uma questão cultural', avalia Ademir Fontoura, diretor de Carnaval dos Comanches, tribo agraciada com o título Doutor em Carnaval, por ter conquistado seis vezes consecutivas o primeiro lugar na categoria. Fontoura argumenta que a existência da tribo é imprescindível por ser a única forma de as pessoas com menor poder aquisitivo desfilarem. Os Comanches cantarão o hino-enredo 'Esta terra ainda tem dono: 500 anos de terra Brasilis'.



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